Política

30 de outubro de 2020 09:12

Tutmés Airan recebe título de cidadão maceioense

Presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas é destacado pelo compromisso com as causas sociais em sua carreira

↑ Proposta de homenagear o desembargador Tutmés Airan partiu de dois vereadores: Lobão e Chico Filho (Foto: Edilson Omena)

Tutmés Airan, desembargador-presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, recebeu o título de cidadão maceioense na tarde da quinta-feira (29). Em cerimônia realizada na Câmara de Municipal de Maceió, a honraria foi concedida a partir da proposição dos vereadores Lobão (MDB) e Chico Filho (MDB).

“É a cidade que escolhi para viver, fiz minhas primeiras descobertas, e que me dá nesse momento este prêmio extraordinário. Não tenho nem palavras”.

A proposta partiu de dois parlamentares por acaso. “Na realidade eu apresentei a proposição e o Lobão também apresentou, a gente não sabia que o outro tinha apresentado. E quando o projeto chegou na comissão de justiça, da qual eu faço parte, chamei Lobão e unificamos o pedido. De forma inusitada temos o título apresentado por dois vereadores”, relatou Chico Filho.

Presidindo a sessão, Chico Filho explicou o objetivo da proposta. “Homenagear esse grande arapiraquense que hoje se torna maceioense e realiza um belíssimo trabalho. Como secretário, como advogado militante nas camadas mais pobres, sempre esteve presente nas grandes discussões defendendo os menos favorecidos, foi defensor de várias causas e faz por merecer esse título de cidadão que nós oferecemos hoje aqui na Câmara”.

“É um magistrado sensível às causas sociais. Acompanho o trabalho dele e vejo ações, pra você ter uma ideia, a criação da vara de proteção às pessoas vulneráveis é uma coisa muito positiva”, disse o também propositor Lobão.

Nos discursos das autoridades presentes, muitas realizações pela população de Maceió foram lembradas. Da atuação como defensor público, como professor e como desembargador. Na presidência do TJ, sua ação mais marcante nesse sentido foi o caso do Pinheiro.

“No caso do Pinheiro houve uma solução por causa de uma decisão corajosa de bloquear os valores. Ele representa o espírito conciliador, democrático”, destacou o presidente da Associação dos Magistrados de Alagoas, Sóstenes Almeida.

Para o representante dos magistrados, “Maceió hoje abraça o desembargador Tutmés como um filho adotivo, ele passa a ser nosso conterrâneo”. Ele afirmou que o homenageado “é um desembargador diferenciado que representa aquilo que a sociedade espera de um juiz, se mantém perto das pessoas e defende as questões sociais”.

Em nome da OAB-AL, o vice-presidente Wagner Paes fez elogios à carreira do novo cidadão e lembrou do momento em que o colega foi eleito em 1º lugar por todos os advogados para concorrer à vaga de desembargador pelo quinto constitucional. “Perdemos um grande advogado, mas na verdade emprestamos ao tribunal naquele momento”, falou de maneira descontraída. Wagner também leu uma mensagem do presidente da Ordem, Nivaldo Barbosa, que o definiu, entre outros elogios, como “Grande gestor, grande professor, e eterno advogado”.

Para Airan, “só a política é capaz de transformar ações em realidade”

 

Alagoano nascido em Arapiraca, o jurista se disse emocionado. Vivendo em Maceió desde os 16 anos, ele lembrou do sentimento que teve ao vir para a cidade. “Vim com muitos sonhos na mala, e com muito compromisso comigo mesmo de construir a minha primavera, mesmo que tivesse que guerrear uma guerra. E minha arma é a do livro”.

Idealista, ele se considera salvo pelos livros. “Os livros promoveram dois salvamentos. Me salvaram da ignorância, ensinaram a ver além das evidências e humanizar-me ao ver a dor do outro, e se possível melhorar. E me salvaram também da pobreza, graças às informações pude caminhar bem”.

Ao falar sobre a homenagem, ele se diz grato à cidade. “Significa definitivamente o meu vínculo com essa cidade que eu escolhi para viver. Uma cidade que me acolheu, que me abraçou, me deu condições de realizar os meus sonhos. Alguns dos sonhos inclusive improváveis, como por acaso me transformar em desembargador.”

Mas o jurista avança e faz uma reflexão mais profunda e crítica. “Evidentemente que as armas que eu usei foram as armas do bem, foram os livros. E aí vem uma preocupação minha. Eu preciso reconhecer que essa cidade que me acolheu, que me abraçou é também a mesma cidade paradoxalmente que isola, maltrata, e aí eu me refiro às pessoas que são pobres, miseráveis, que não tiveram as mesmas oportunidades que eu tive. Qual é o desafio, a lógica disso tudo? É a gente construir pontes entre essas duas cidades, pra que elas se comuniquem”.

E chama atenção para os abismos sociais de uma Maceió antagônica. Em sua percepção, esta cidade que acolhe, abraça, ampara, também é a mesma que exclui e segrega. “Tive sorte de ser acolhido e até amado. Esse gesto que vocês fazem hoje é uma declaração de amor. Muitos jovens não têm essa expectativa”.

Na sua visão, a política é o único caminho de resolver isso. “Eu acho que centralmente se dá pela grade política. São os políticos que são capazes de construir essas pontes, muito mais do que a justiça. Você precisa fortalecer a grade política. O Rubens Alves disse que o político é capaz de transformar a selva das cidades em jardins. Nós da justiça devemos nos engajar, mas não é a nossa atividade típica. Nós respaldamos a boa política”, falou.

E coloca a responsabilidade para os parlamentares da casa. “Seguramente a Câmara de Vereadores é composta pelos políticos mais importantes do país, porque são os políticos que estão mais em contato com o povo no seu dia a dia, suas agonias, suas alegrias e tristezas. A nós da justiça eu acho que cabe uma preparação de não criminalizar a atividade política, porque a criminalização da atividade política tem produzido muitos resultados ruins. Só a política é capaz de transformar ações em realidade”, concluiu.

Fonte: Tribuna Independente / Emanuelle Vanderlei

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