Cidades

11 de outubro de 2020 17:48

Moradores do Litoral Norte realizam primeira manifestação contra mineração na região

Organização contabiliza cerca de 50 participantes em protesto contra atuação da Braskem

↑ Movimento considerou a mobilização ótima por ter sido realizada em pleno feriadão (Foto: Cortesia ao Tribuna Hoje)

Na manhã deste domingo (11), cerca de 50 moradores do Litoral Norte alagoano se reuniram na orla de Paripueira, cidade da região metropolitana de Maceió, no que foi a primeira manifestação da população contra a atuação da Braskem na região. A mineradora foi liberada pela Agência Nacional de Mineração (ANM) para realizar pesquisas para possível instalação neste município e também na Barra de Santo Antônio e na região de Ipioca, bairro da capital.

Vestindo camisas com os dizeres SOS Litoral Norte, o grupo se reuniu no local do totem com o nome do município de Paripueira, mas a ação contou também com moradores da Barra e de Ipioca. Uma das organizadoras, Tânia Santiago falou à reportagem do Tribuna Hoje que se surpreendeu com a quantidade de pessoas presentes no ato em pleno feriadão. “Nós tivemos essa ação de hoje, ela foi maravilhosa. Nós nos surpreendemos até porque não sabíamos a quantidade de pessoas que estariam presentes. Mesmo com toda a organização fica difícil a gente saber qual o número exato. Mas foi muito bom, chegaram cerca de 50 pessoas, o que é muito difícil num feriado, mas todos nós ficamos muito felizes, muito contentes porque estamos iniciando”, afirmou.

Os moradores irão realizar mais manifestações com objetivo de conscientizar a população sobre o estudo que a Braskem quer realizar na área, mas eles ainda não possuem uma agenda de mobilizações pronta. Esta só deve ser elaborada após avaliação da ação deste domingo, como contou Tânia. “Com certeza nós faremos essas mobilizações ao longo do período só que a gente ainda não tem uma agenda formada. A gente vai se reunir novamente, avaliar como é que foi esse evento hoje, ver novas estratégias e a partir disso que a gente vai poder estar montando uma agenda de mobilização. Mas não para por aqui, isso foi só o começo, é a primeira”.

Moradores de Paripueira, Barra de Santo Antônio e Ipioca participaram (Foto: Cortesia ao Tribuna Hoje)

Uma preocupação que o grupo possui neste momento é de não associar a mobilização à questão política dentro do período atual de campanha nos municípios. “A gente precisa até se organizar melhor para não estar esbarrando na agenda dos candidatos aqui na cidade. A grande dificuldade nossa é porque como está na época de eleição, a gente não quer misturar as coisas com a candidatura aqui do município e aí você imagina a situação. Nós temos que tomar todo o cuidado e fazer com que o grupo possa estar nas ruas, mas que isso não vire uma questão política”, ressaltou.

O grupo teme que os acontecimentos nos bairros que registraram afundamento em Maceió (Bebedouro, Bom Parto, Mutange e Pinheiro) se repitam no Litoral Norte. Segundo apurado pela reportagem da Tribuna Independente deste final de semana, eles questionam que não houve participação popular alguma antes da liberação da pesquisa mineral que, segundo a ANM, foi liberada mediante consideração de critérios técnicos e se deu pela própria agência, obedecendo preceitos legais.

Pesquisa

Tudo começou no início do segundo semestre deste ano, quando a ANM autorizou sete requerimentos de pesquisa protocolados pela Braskem S/A em agosto do ano passado. Com a autorização, a empresa tem até três anos para estudar a região e identificar o potencial e a viabilidade de exploração de sal-gema. A Braskem já havia informado que mesmo com a autorização, não há prazo para início dos estudos.

No início do segundo semestre deste ano, a ANM autorizou sete requerimentos de pesquisa protocolados pela Braskem S/A em agosto do ano passado. Com a autorização, a empresa tem até três anos para estudar a região e identificar o potencial e a viabilidade de exploração de sal-gema. A Braskem já havia informado que mesmo com a autorização, não há prazo para início dos estudos.

Fonte: Tribuna Hoje / Texto: Bruno Martins

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