Cidades

20 de setembro de 2020 17:29

Terreno onde antes era tomado por lixo vira jardim no Clima Bom

Idealizado pelo aposentado Cícero Jorge, rua do bairro já anuncia a chegada da Primavera

↑ Local é um xodó para seu Cícero e vizinhos. E já anuncia a chegada da Primavera (Foto: Edilson Omena)

“Moro por aqui há muito tempo. E este espaço era um ‘lixão’ a céu aberto. Tinha de tudo, de entulhos a pedaços de móveis velhos. Fui ajeitando, limpando, mas a população ainda continuava a jogar lixo. Pedi a Deus para mostrar uma solução e com isso surgiu à ideia de fazer esse jardim – sou apaixonado por plantas, comecei a plantar várias espécies e todas doadas por vizinhos e pessoas que colaboraram com a iniciativa’’, conta o agricultor aposentado, Cícero Jorge dos Santos, 68 anos.

O jardim do aposentado, aliás, dos moradores da Rua Nossa Senhora da Conceição, no Clima Bom I, parte alta de Maceió, tem uma variedades de espécies. Além das que colocam flores, existem também as ervas medicinais que segundo o aposentado beneficia toda a comunidade.

O local é um xodó para seu Cícero e vizinhos. Por lá, as flores já anunciam a chegada da estação que é considerada por muitos a mais bonita do ano.  A Primavera começa oficialmente na próxima terça-feira (22), mas o jardim já está repleto de cores e perfumes.

“Tenho um maior carinho por este espaço. Todos os dias faço a limpeza, vou ajeitando e cuidando das plantas que foram de doações, não comprei nada. Aqui são compartilhadas, as pessoas pedem mudinhas e eu libero’’, explica Cícero ressaltando que desde criança – quando ainda morava no interior já gostava de plantas, da natureza. ‘’ Se tem algo que eu gosto muito nessa vida são as plantas e as crianças. Este local aqui é muito agradável. E agora limpo, enche nossos olhos de alegria’’, finaliza.

A educadora Heline Pereira Alves, vizinha do espaço e também apaixonada por plantas disse que incentiva e parabeniza o aposentado. Ela conta que acompanhou de perto a transformação do terreno que há cerca de dois anos era tomado por lixo, e hoje virou um jardim ‘comunitário’.

“Como bons vizinhos incentivamos os sonhos dele. Teve uma época que as pessoas roubavam as plantas. E antes disso, mesmo com as primeiras espécies sendo cultivadas ainda tinha gente que jogava lixo no espaço. Nós seres humanos nos acostumamos com tudo, até com a sujeira. Tivemos muitas dificuldades com a falta de educação ou má educação de parte da população – isso é uma questão educacional. Mas, seu Cícero persistiu nesse objetivo até as demais pessoas irem gostando, se acostumando’’, comenta Heline Pereira.

Heline, vizinha do espaço e também apaixonada por plantas (Foto: Edilson Omena)

Ainda de acordo com Heline existem algumas dificuldades ligadas à questão educacional. “As pessoas pegam as plantas sem autorização e sem os cuidados necessários na hora de tirar uma ‘muda’. Mas, que bom que seu Cícero insistiu e o local agora esse. Antes o problema não era apenas o lixo, os entulhos, era questão de saúde mesmo para a comunidade por aqui tinha ratos, baratas e outros insetos por conta do acúmulo de sujeira’’, lembra.

PRIMAVERA EM ALAGOAS 

Segundo o meteorologista da Sala de Alerta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Vinicius Pinho, a Primavera possui algumas características específicas em Alagoas. “No início da estação, estamos numa fase de transição do período chuvoso para o período seco, o que explica as chuvas rápidas, principalmente durante as manhãs e madrugadas. Além do aumento gradual da temperatura, principalmente das máximas, índices ultravioletas elevados e mudança da direção dos ventos”, contextualiza.

Ainda de acordo com o meteorologista, em Alagoas com o início da primavera, as chuvas tendem a diminuir, e ocorre uma mudança no regime de ventos, que antes passava de leste a sudeste e agora, passa a ser de nordeste: um vento mais intenso, forte, quente e mais seco. “Esses ventos tem características mais intensas, quente, dando uma sensação de abafamento. Aqui na Sala de Alerta, neste período, é comum a emissão de avisos meteorológicos decorrentes desse fenômeno, que, geralmente, provoca alguns transtornos, como quedas de árvores e engarrafamentos urbanos’’.

‘’Sou apaixonado por plantas, até curso de botânica fiz’’ 

Quem também não esconde o seu amor pelas plantas é o professor de geografia, pedagogo e futuro agroecologista, Marcos Alves da Silva. Ele conta que começou o amor desde primeiros anos de vida.

Floração já pode ser vista em vários espaços da cidade (Foto: Edilson Omena)

‘’Como tenho descendência indígena e sou filho de agricultores vindos de União dos Palmares, cresci em meio às plantas, sempre tivemos um quintal grande, onde podíamos plantar de tudo. Aprendi a ter paixão pelas plantas com minha mãe, ela que me ajuda a cuidar do nosso Jardim. Ela conta que meus primeiros passos foram dados em direção de um pé de chuchu que tínhamos no quintal de casa, ao chegar lá, diz que colhi um pequeno fruto e sorri, com essa história que minha mãe conta, percebi que minha relação com as plantas se dá desde que aprendi a andar por volta de um ano e três meses de vida. De lá para cá a paixão só aumenta. Costumo me auto presentear todos os meses com uma planta nova que adquire significado para minha vida enquanto profissional que dedica durante a semana sua vida ao emprego é como se a planta do mês fosse parte dos dias de vida que dediquei ao meu trabalho’’, explica o professor.

DEDICAÇÃO 

‘’Cuidar das plantas é o mesmo que alimentar um animal de estimação, elas precisam de terra boa e rica em nutrientes, uma rega regular, de acordo com cada espécie, pois o que é bom para umas não é para outras, muita ou pouca água podem matar nossas plantas. Sempre busco fazer limpezas periódicas tirando os galhos secos e observando se tem alguma praga infestando, quando é possível faço mudas, sempre observado como estão evitando surpresas que venha a matar minhas plantas. Quem pensa que cuidar de plantas é fácil, estão enganadas, elas precisam de muita atenção e cuidado, quem quiser ter uma planta em casa, se prepare para adotar e cuidar de uma vida’’, ressalta Marcos Alves.

Professor diz ter um carinho especial pelas roseiras (Foto: Cortesia)

O professor comenta que por ter diversas espécies e amar cada uma, até curso de botânica de curta duração fez. “Recentemente fiz um curso de curta duração em botânica, na busca de aprender mais para cuidar de todas, aqui em casa tenho roseiras, cravinas, rosas-dálias, diversos tipos de crótons, espirradeira, Orquídeas, onze-horas de diversas cores, rosinha do sol, samambaias, trevos roxos de três pétalas, begônias, calandivas, alfinetes, palmeiras, éricas, azaleias, antúrios, hibiscos, rosas do deserto, petúnias, cactos e suculentas, além de muitas ervas, temperos, legumes e hortaliças. Na verdade é um mine jardim botânico, ainda tem uma enorme variedade que não irei citar para poder encurtar um pouco o dialogo’’.

Segundo o professor até mesmo as chamadas ervas daninhas tem lugar em seu coração e jardim. Mas ele esclarece que as roseiras são especiais. !”Paixão de minha mãe, todas as vezes que vejo uma roseira com suas flores, lembro-me dela e penso que até mesmo quando ela partir essa linda lembrança permanecerá comigo, pode até parecer clichê, mas é um sentimento autentico que possuo. Outra planta que amo bastante são as onze-horas, que mesmo frágeis e delicadas nos dão tantas flores lindas, e se posso dizer uma terceira flor que amo, diria as rosas do deserto, já que são fortes e exuberantes, trazem a deformidade de seus caules o olhar de estranheza de muitos, mas não deixa de encantar com suas belas flores’’.

Alves diz que considera afirma que considera que a Primavera nos mostra o quanto a natureza é grata para conosco seres humanos. “mesmo no nosso egoísmo, todos os anos a natureza nos presenteia com as mais belas flores e enche nossos dias com tantas cores e perfumes, pena que o ritmo de nossa sociedade nos roube isso quase sempre. Que bom seria que pudéssemos admirar a beleza de uma flor, a cada dia de nossa existência, se isso fosse possível, com certeza a humanidade seria mais feliz’’.

Fonte: Tribuna Hoje / Lucas França

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