Cidades

4 de setembro de 2020 08:09

Entidades defendem ensino remoto

Além disto, elas também cobram protocolos sanitários para retorno às aulas; debate ainda está longe de ser concluído

↑ Mesmo com o avanço da flexibilização em Alagoas, retorno às aulas ainda continua sem definição (Foto: Ilustração)

O retorno das aulas presenciais em Alagoas segue sem data definida, mas não deve ocorrer este mês de setembro, mas somente na fase verde, como prevê o decreto do governo estadual na última etapa do Plano de Distanciamento Social Controlado. Os representantes sindicais das redes pública e privada do estado defendem o ensino remoto desde que dadas condições adequadas e os devidos protocolos sanitários para a comunidade escolar.

No dia 22 de junho passado, uma edição suplementar do Diário Oficial do Estado (DOE) já destacava que a reabertura dos estabelecimentos educacionais só ocorreria quando todo o estado estivesse na fase verde.

A Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc/AL) ressaltou que quando definido for o retorno das aulas presenciais, a previsão é que ocorra de forma gradativa, evitando a aglomeração de alunos no transporte escolar, sala de aula e ambiente comuns das unidades de ensino.

“Além disso, será observando a capacidade de autocuidado dos alunos, proteção individual e coletiva no ambiente escolar. Também poderá ter rodízio de alunos e a continuidade da aplicação de atividades remotas de forma física, com material impresso, e também on-line para continuar/complementar o processo de aprendizagem”, frisou.

Ainda de acordo com a Seduc, o protocolo de retomada da Rede Estadual de Ensino foi elaborado, mas ainda assim a Secretaria continua discutindo o plano com vários setores da comunidade escolar (secretarias municipais da educação, professores, gestores escolares, pais e alunos), sociedade civil e órgãos de saúde e fiscalização criando comissões para identificar a realidade local, as possibilidades e as melhores soluções para o retorno seguro das atividades educacionais. O protocolo só será divulgado após validação das autoridades sanitárias e publicado no Diário Oficial do Estado.

O presidente em exercício do Sindicato dos Professores de Alagoas (Sinpro-AL), Fernando Cedrim, diz que a categoria defende a permanência do ensino remoto, bem como os devidos protocolos sanitários para garantir um possível retorno das aulas presenciais com segurança.

“Os professores já compõe um grupo de risco por conta das comorbidades e o estresse aumentou muito, então é um fator preponderante para o desencadeamento de casos mais graves da Covid-19 devido à baixa imunológica. O momento ainda inspira cuidados, acreditamos que devemos continuar no ensino remoto enquanto não tivermos um protocolo seguro de retorno ou a vacina”, mencionou.

OAB-AL: 85% não concordam com volta presencial das aulas

Para entender a opinião da população no estado sobre a retomada das aulas presenciais, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB/AL), por meio da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente, realizou uma enquete online com duração de uma semana. Cerca de 18.600 respostas de pais, estudantes e profissionais da educação foram recebidas. Na enquete, 84,6% disseram não concordar com a retomada.

A pesquisa realizada entre os dias 24 e 31 de agosto, coletou 18.595 cadastros de pais, estudantes e profissionais da educação. Eles responderam a cinco perguntas e tiveram acesso a um espaço destinado à sugestões e observações.

Como principal questionamento, o participante da enquete respondeu se concorda com o retorno das aulas presenciais no atual cenário provocado pela pandemia da Covid-19. No total, 15.731 deles, ou seja 84,6% disseram não concordar.

ADUFAL

Por maioria, os/as docentes que participaram da assembleia geral online da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), realizada na segunda-feira (31), se posicionaram a favor do ensino remoto na Ufal, levando em conta as considerações apresentadas pela diretoria da entidade na assembleia.

Ao final, foi realizada a votação de três propostas que foram feitas ao longo da assembleia, resultando na contabilização de 101 votos pela aprovação do ensino remoto na Ufal, com as considerações da diretoria e da base docente, 22 votos pela não aprovação do ensino remoto, e 52 votos para suspender a proposta de ensino remoto e realizar um diagnóstico após retomar o debate no Conselho Universitário (Consuni).

“A Adufal procurou democratizar ao máximo o debate sobre o tema do ensino remoto, ouvindo e discutindo com sua base ao longo desse tempo em seis plenárias virtuais e uma assembleia geral”. “A partir da deliberação da categoria, iremos sistematizar as propostas apresentadas e fazer as proposições devidas no âmbito do Conselho Universitário, bem como apresentar uma minuta específica de resolução sobre a carga horária docente, procurando assegurar a garantia dos direitos para o conjunto dos/as professores/as nesse momento de absoluta excepcionalidade que estamos atravessando. A categoria está de parabéns pela riqueza dos debates”, afirmou o presidente da Adufal, Jailton Lira.

Para o Sinteal, escolas ainda não podem garantir retomada

Segundo Girlene Lázaro, secretária-geral do Sindicato dos Servidores da Educação (Sinteal/AL) e integrante da direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), 42 pessoas perderam a vida na educação do estado de Alagoas, entre a rede municipal e estadual. “Para nós o ponto primordial é a prevenção à vida, ano letivo se recupera depois, ainda não vemos as escolas terem condições de garantirem a retomada presencial das aulas”, frisou.

Girlene Lázaro destacou que a segurança deve existir para os trabalhadores da educação, assim como para os estudantes e familiares. “Estudantes andando em ônibus público e se aglomerando na escola sem as condições adequadas, com certeza está também proporcionando a contaminação das pessoas em casa”, salientou.

“Então, o tempo é de organizar as escolas com tudo o que falta: ventilação, janelas, banheiros, pias, bebedouros; contratação de mais pessoas, porque não vai ter como distribuir merenda no pátio para não aglomerar”, pontuou.

De acordo com ela, providenciando todas essas questões junto com a equipe das secretarias de saúde é possível que seja executado um protocolo sanitário e um retorno seguro às atividades escolares.

“Então a nossa discussão com a categoria é que não há condições de retorno das aulas do jeito que as escolas estão tanto em Alagoas, nacionalmente também define que não é o momento, ainda não temos segurança de voltar, tanto é que em Manaus retornaram e houve contaminação e tiveram que voltar atrás, além das experiências fora do país. O que defendemos são condições para que estudantes tenham aulas de forma remota”, concluiu.

A Tribuna Independente tentou entrar em contato com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado de Alagoas (Sinepe-AL), mas até o fechamento desta edição não obteve êxito.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Ana Paula Omena

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