Cidades

8 de agosto de 2020 11:19

Jornalista alagoana Olívia de Cássia lança segundo livro

Ele acaba de lançar este que é primeiro composto por poesias; “Palavras sem Nexo” é a expressão de como a escritora encara as dificuldades impostas pela vida

↑ Olívia e seu novo livro Palavras Sem Nexo (Foto: Adailson Calheiros e Divulgação)

Ao descobrir que tina uma rara doença neurodegenerativa a escritora e jornalista alagoana Olívia de Cássia Correia de Cerqueira  (ela gosta de assinar assim, o nome completo) se encheu de coragem, colocou seu sonho de baixo do braço, organizou uma vaquinha virtual e publicou seu primeiro livro  “Mosaico do tempo”  era uma vontade antiga, que  esbarrava na falta de coragem de expor meu trabalho para todo mundo ler e nas dificuldades  de se fazer arte em Alagoas.

A coragem oi tanta que agora ela lança seu segundo título, “Palavras sem Nexo” é o título do mais novo livro da jornalista, que acaba de sair da gráfica e foi custeado com recursos próprios, o que é mais uma prova de que fazer arte em Alagoas continua sendo enfrentar dificuldades. Segundo ela, são poesias, um apanhado de  pensamentos que  organizou desde a adolescência, até mais recentemente e foi impresso com recursos próprios.

“Como eu digo na apresentação do livro, Palavras sem nexo é um apanhado de rabiscos que fui  ‘desenhando’ ao longo dos meus anos, desde a adolescência até bem recentemente. Alguns textos foram datilografados e publicados logo que entrei na faculdade, artesanalmente, (Daquilo que vivo e sinto ou Vivências), no COS da UFAL, junto com Mário Lima, jornalista, que estava lançando seu livro de poesias”.

A jornalista observa que foi  ousada e muito sem noção “em achar que aquilo que coloquei no papel seria poesia, mas arrisquei e estou arriscando agora, para preencher meus dias de aposentada por invalidez, ou incapacidade permanente, como se diz agora, que me exige ações cerebrais, para que eu não atrofie de vez”.

Por conta da pandemia do Covid-19, Olívia está fazendo a divulgação do livro em suas redes sociais. Ela concedeu uma rápida entrevista para o D&A onde a escritora jornalista fala do que se trata o livro e da sua curta carreira como escritora.

No material de divulgação desse seu livro, palavras sem nexo, você diz que são rabiscos, impressões que você tem da vida.  Quais são essas impressões?!  Qual sua visão da vida? Ou melhor, o que o leitor vai encontrar no seu livro?!

Digo que são rabiscos porque eu saia com os amigos e levava um caderninho, onde eu ia colocando palavras soltas que depois ia formando pensamentos também, apesar de naquela época eu ser muito negativa em minhas contradições.  Minhas impressões da vida agora são as de que de lá para cá, em termos de evolução humana, nós regredimos tudo aquilo que conquistamos com muita luta, nas ruas ou no nosso cotidiano. O que vemos hoje é uma sociedade machista e homofóbica, atrasada, preconceituosa na sua maneira de ver o mundo, apesar de estarmos no século 21. O leitor vai encontrar em Palavras sem nexo, além de sentimentos reprimidos, positividade e esperança de um mundo melhor.

Por que esse título “Palavras sem nexo”?

Palavras sem Nexo foi uma brincadeira que eu quis fazer, porque nem sei se considero poesia o que escrevo, apesar de algumas amigas me incentivarem a continuar escrevendo, embora depois da aposentadoria eu esteja escrevendo pouco.

O título de seu primeiro livro era “Mosaicos do tempo”, que era uma espécie de biografia. Agora você lança um segundo livro, “Palavras sem nexo” e explicou dizendo que ele era feito de rabiscos que você desenhou ao longo da vida para explicar sua visão de mundo. Qual a diferença entre um e outro?

Não considero Palavras sem nexo como livro de memórias. Em Mosaicos do tempo, conto a história de muitos de adolescentes dos anos 70-80,  “retratada na minha própria história de vida, transitando entre incertezas e buscas, que se centram na influência de forte convívio familiar, com fatos que levam a um passado recente, em União dos Palmares,  de repressão política e opressão social”, como bem prefaciou minha amiga Eliane Aquino. Mosaicos discorre sobre meus conflitos existenciais e de gerações com meus pais, principalmente a minha mãe que não entendia aquela  minha  rebeldia,  narrando  até a minha separação de um convício de quase 20 anos. Eu era uma adolescente muito complexada, Rebelde e negativa. Chorava e sofria muito com o desprezo dos meninos que eu me interessava. Comecei a colocar aquelas frustrações nos cadernos, em forma de poesia, influenciada por  Eliane  (Aquino), que escrevia contos e histórias de amor com cada uma de nós e nossos paqueras, já naquela época. Eu pegava os cadernos dela emprestado e comecei a fazer os meus. Apesar da minha rebeldia, eu era muito ingênua.

Palavras sem nexo são versos livres, tem uma temática mais romântica, fala de amores  platônicos e utópicos, de instantes vividos e de incertezas perante o mundo, com muitas interrogações e dúvidas ou jogando com palavras. Considero que é diferente porque a poesia também tem esse jogo de palavra que acalmam a alma, quereres que falam de sonhos que só as palavras explicam. Palavras que dizem tudo ou quase tudo de um sentimento profundo, profano e insano, retratam sentimentos nem sempre vividos pelos poetas, como disse Fernando Pessoa: “O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. Enfim, a poesia para mim fala no fundo da alma, grita, e não precisa de interpretação mais profunda, por isso, considero diferentes e ao mesmo tempo se completam.

Você lançou um livro, ainda que de modo amador, quando fazia faculdade, quanto de maturidade sua poesia ganhou de lá pra cá?!

Sim, logo que entrei na faculdade, cheia de sonhos, eu lancei algumas poesias que foram datilografadas, publicado  artesanalmente, e tinha o título “Daquilo que vivo e sinto ou Vivências”, no COS da UFAL, junto com Mário Lima, jornalista, que estava lançando seu livro de poesias”. Naquele tempo eu fui  ousada e muito sem noção em achar que os escritos  seriam poesias, mas arrisquei, vendi alguns, fiz uns cem e estou arriscando agora, para preencher meus dias de aposentada por invalidez, ou incapacidade permanente, como se diz agora, que me exige ações cerebrais, para que eu não atrofie de vez. De lá para cá muita coisa mudou no mundo e em todos nós. Aquela menina que pensava que com o amor que tinha e as amizades que cultivava iria mudar o mundo, amadureceu.  Foram muitas as decepções, incertezas e entendimento da vida. Eu era muito radical.

Você sofre de uma doença degenerativa, o quanto isso influencia em sua poesia?!

A escrita me ajuda abstrair um pouco as minhas limitações de agora, é uma catarse. Sempre tive vontade de colocar para fora aqueles sentimentos que lhe afligiam o meu coração, mas  tinha vergonha de mostrar para alguém, até que comecei a conversas com outras pessoas que escrevem, tomei  coragem e resolvi  publicar meus textos depois de aposentada, embora atualmente, com essa pandemia, estou voltada para reformas em casa e atualizar minhas leituras que estavam atrasadas.

Uma escritora em Alagoas – lugar onde fazer cultura tem um peso, realizar cultura é contornado de dificuldade – quais as dificuldades encontradas por você e como enfrentar isso?

É difícil a gente publicar, não só em Alagoas, se você é amador, não tem nome na praça, ou quando a gente não tem recursos ou os tem pouco. Para publicar o primeiro livro, depois de muitas tentativas de orçamento, resolvi encaminhar para Odilon e Ana Cláudia, que já têm livros publicados, para que eles me dessem dicas de como fazer. Surpreendi-me quando eles chegaram na minha  casa com a proposta de se fazer uma campanha coletiva de arrecadação de fundos para a publicação e foi muito positiva  e no final do livro, para aqueles que autorizaram, colocamos o nome do apoiador do projeto. Depois de aposentada estou mais tranquila com relação a minha sobrevivência e consegui parcelar em cinco vezes na gráfica CBA, em peque nas quantidades. Avalio ainda que a cultura deveria ser mais valorizadas e que os escritores amadores tivessem mais incentivo.

Quem desejar saber mais sobre o livro e como adquirir basta entrar nos endereços eletrônicos:

http://oliviadecassia.blogspot.com.br/

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