Cidades

8 de agosto de 2020 11:25

Dia dos Pais será diferente para muitas famílias

Reunião dá espaço para encontros virtuais ou presenciais com grandes restrições, mas com homenagens de afeto

↑ Fábio Aragão vai comemorar a data com o pai José Rodrigues de forma remota: “este ano, será diferente” (Foto: Edilson Omena)

Com a pandemia, o Dia dos Pais será atípico este ano, porém nem tanto como foi o Dia das Mães e a Páscoa já que a fase está mais avançada, no entanto muitos idosos ainda têm que manter o distanciamento por precaução, o que desagrada e pode até mexer com o emocional deles.

Para este sentimento, a psicóloga Niely Barros explica que o período é de cautela, porque o ciclo de vida mudou, e é de fundamental importância que as adaptações aconteçam, conforme a situação atual. “Não houve nenhuma preparação, a Covid-19 aos poucos foi invadindo o fisiológico e consequentemente o psicológico. Esse ano está sendo bem diferente em todos os aspectos, de forma que a nação teve que parar, refletir e reorganizar a vida profissional, social e familiar, de acordo com as orientações para prevenção gerando assim o distanciamento social”, lembrou.

Segundo a psicóloga, o momento é de criar estratégias para superar toda a saudade das pessoas que amamos. “Todas as datas cíveis foram comemoradas diferentes, e o Dia dos Pais não poderia passar despercebido, nas estratégias podemos incluir os filhos, netos e todos os familiares para prestar homenagens que aproximam o afeto emocional em meio ao distanciamento, utilizando às redes sociais e os aplicativos, que se tornaram um meio para minimizar o emocional fragilizado de ambas as partes (filhos e pai)”, sugeriu.

Ela reforçou que a orientação é expor o sentimento nas homenagens em diversas formas: fazendo vídeos; gravando áudios; fazendo chamada de vídeo; como também utilizar a moda antiga, fazendo um cartaz com fotos e mensagens, bilhetes ou cartão.

“E, principalmente para os pais que estão na fase da terceira idade, expressar palavras motivacionais, de superação, lançar programação futuras para abraçar, acariciar e festejar”, ressaltou. “O ideal é expressar os nossos sentimentos todos os dias pelas pessoas que nos amam e nos fazem bem, sem que haja uma data específica para ser comemorada. Gera um condicionamento emocional, que alimenta o psicológico e faz dias turbulentos de incertezas serem transformados em superação”, destacou Niely Barros.

Os abastados banquetes e a reunião familiar dão espaço para encontros virtuais, seja por meio de troca de mensagens ou chamadas de vídeo. É exatamente assim que Fabio Aragão Rodrigues vai passar este domingo, de forma virtual com o papai José Rodrigues Celestino. Ele contou que o costume da família é comemorar o Dia dos Pais junto com seu aniversário que em alguns anos coincide com a data. “Esse ano, realmente, terá que ser diferente por conta da pandemia”.

“Sabemos que esse afastamento é necessário para que possamos ter muitas outras comemorações. A sensação não é agradável, porque a gente sente falta daquele churrasquinho, da conversa, mas, como a gente bem sabe, o afastamento é prudente e necessário”, ponderou.

Fábio disse que percebe que, para o pai, esse isolamento é muito mais difícil, tendo em vista que ele gosta das caminhadas, de encontrar conhecidos, de  conversar. Porém o momento é de cautela.

Reinaldo Luna também vai passar o Dia dos Pais longe dos filhos e netos. Para ele, o seu maior presente será estar bem durante e após a pandemia, assim como todos os demais parentes. “Quando passar tudo isso iremos nos encontrar com certeza”, mencionou.  Para grande parte das famílias, o momento de maior proximidade (ao menos no sentido físico) será aquele da entrega de presentes — e ainda assim com grandes restrições. É o caso de Nida Antonio. Ela salientou que a família vai se reunir tomando os devidos cuidados.

Segundo ela, o pai não teve festa de aniversário no dia 1º de julho porque a contaminação ainda estava alta, mas agora a data não sairá em branco. “Vamos fazer uma reunião aqui em casa, com todos os cuidados necessários, usando máscara, álcool em gel e respeitando o distanciamento, nada de beijos e abraços por enquanto”, garantiu.

Sacrifício é a palavra de ordem para a data

Sacrifício chama-se distanciamento social. Assim iniciou a entrevista ao jornal Tribuna Independente a infectologista Silvia Fonseca. De acordo com a especialista, quem resolver se reunir pode ser o último dia de comemoração entre família.

“O mundo mudou, hoje não podemos mais ter uma data comemorativa com todos juntos num almoço familiar. Temos o antes e o depois da pandemia de Covid. Para a gente garantir o Natal, teremos que sacrificar o Dia dos Pais. Já perdi meu pai, mas sempre comemorava com ele esta data e tenho uma mãe de 86 anos, não comemorei o Dia das Mães com ela, porque o maior presente que eu podia dar era não passar a doença pra ela, ainda mais eu que sou da área médica, lido com a realidade todos os dias”, frisou.

A infectologista avalia que não interessa em que fase Alagoas esteja. O que importa é que no momento ainda não se tem vacina para combater o vírus, e que há muita dificuldade com pessoas de idade, sobretudo aqueles com mais de 65 anos. Para eles aumentam as chances de internação e morte, bem como aquelas pessoas de maior peso, diabética, e fora aquelas que fazem algum tratamento de câncer.

“Todas as famílias têm alguém velhinho, com diabetes, com sobrepeso e, se a gente for fazer o almoço do Dia dos Pais como fez o ano passado, alguém pode acabar internado ou numa UTI e até falecer. Então não tem coisa fácil passando o Dia dos Pais com segurança. Aqueles que insistirem deve aproveitar bem porque pode ser a última comemoração juntos”, lamentou.

A médica acrescentou que a mudança de fase e a reabertura do comércio não quer dizer que a pandemia passou, mas sim que a estrutura econômica do Brasil não permite o fechado de tudo por tanto tempo. “Na verdade enquanto não tiver vacina o perigo não passou, então tudo que pudermos evitar aglomeração será válido, estudos revelam que pessoas assintomáticas carregam o vírus e podem transmitir numa comemoração como esta”, disse.

Silvia Fonseca concluiu que o maior presente do Dia dos Pais é o distanciamento como garantia de que todos possam comemorar o Natal em família. “Trabalho em hospital não estou falando de nenhuma lenda, já internamos famílias inteiras e posso garantir que não é legal”.

Fonte: Ana Paula Omena

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