Cidades

8 de agosto de 2020 11:30

Casamentos: número reduz mais de 68% durante a pandemia

Segundo a Arpen, Alagoas teve 1.332 uniões de abril a julho deste ano contra 4.207 no mesmo período do ano passado

↑ Muitos casais resolveram adiar os casamentos durante a pandemia, mas mantiveram o ato em cartório (Foto: Edilson Omena)

De abril a julho deste ano foram realizados em Alagoas 1.332 casamentos, representando uma redução de 68,5% quando comparado ao mesmo período do ano passado que totalizou 4.207 registros. As informações são da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de Alagoas (Arpen-AL).

Muitos casais resolveram adiar os casamentos, mas mantiveram o ato em cartório, foi o caso do casal Luiz Cristiano Alves e Lays Pollyanne, que se casariam no civil e religioso no dia 28 de março, porém com a pandemia o sonho se concretizou apenas no civil no dia 19 de junho.

“A gente deu entrada na documentação e ficamos sabendo que casaríamos, só que online. Se resumiu a nós e nossas mães tomando todos os cuidados necessários. A data do religioso ainda não temos, porque o momento é incerto por enquanto de pausa, mas acredito que até o fim do ano, assim que passar tudo isso, estaremos fazendo a festa entre familiares e amigos”, salientou.

Antes da pandemia, os casamentos eram realizados nos cartórios, em celebrações particulares ou em casamentos coletivos nos fóruns das cidades, e para isso não existia uma quantidade limitada. Porém durante as restrições sanitárias estabelecidas pelo decreto Estadual em decorrência da Covid-19, os casamentos estão ocorrendo 100% online.

O provimento de número 31 da Corregedoria Geral da Justiça (CGJ) do Estado de Alagoas publicado no dia 13 de julho determinou que os casamentos, podem ocorrer de forma virtual, conforme disciplina normativa estabelecida pela CGJ, e também de maneira presencial, desde que adotadas todas as medidas de higienização, ficando proibida a realização de casamentos coletivos; aglomeração de pessoas; e a realização de atos em lugares e condições inadequadas.

Quanto ao quantitativo de divórcios permaneceu no mesmo patamar dos meses anteriores. Conforme a Arpen/AL, foram 280 divórcios entre abril e julho, o mesmo em comparação com o ano anterior.

PLANOS FRUSTRADOS

Segundo a psicóloga e psicanalista Cecília Lana, o momento atual é realmente único. “As pessoas, para viver a vida normalmente, acreditam num horizonte de futuro. Assim conseguem continuar a fazer planos, a seguir vivendo. Caso contrário, fica-se paralisado ou se entra em uma angústia de tentar fazer tudo ao mesmo tempo”, diz.

Para ela, o que está acontecendo agora é que todos estão sendo obrigados a viver sem esse horizonte de uma maneira muito rápida e radical. “Afinal, neste momento, mais do que nunca, não tem ninguém que pode dar garantia de nada”, explica.

O sentimento de quem está passando por essa tristeza profunda com planos frustrados, de acordo com Lana, é aquele de um luto. E, para dar conta de atravessar o momento, pode ser necessário um exercício de repetição e elaboração do ocorrido, buscando alternativas.

“Temos que falar ‘eu perdi tal projeto, tal experiência, mas posso fazer disso uma outra coisa’. É um trabalho de luto, ficar reconfigurando o plano e vendo o que é possível, para sair da paralisia e continuar se movimentando minimamente”, diz. “Mesmo que depois a pessoa tenha que refazer o plano, ela já terá passado por uma mínima elaboração de que vai ter que se haver com essa perda”, completa.

De acordo com Lana, não há uma solução mágica ou que sirva para todos. Cada um terá de encontrar, neste período, o que ajudará a dar conta do momento pelo qual estamos passando. “Mas vamos saber lidar melhor com a imprevisibilidade, o que é um desafio. Quem sair dessa sabendo viver com a falta de garantia, de controle, está saindo na frente”, completou.

Quando a situação começar a se normalizar, Lana afirmou que o compromisso maior das pessoas será com seu desejo e não com convenções sociais. Isso pode ser importante para reconfigurar o plano traçado para 2020 ou para ter certeza de que ele valerá a pena, mesmo que realizado em outro momento.

Fonte: Ana Paula Omena

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