Cidades

6 de agosto de 2020 07:31

‘Não há protocolo para retomar aulas’

Informação é do Sindicato dos Professores de Alagoas; em outros estados há um lobby grande e até judicialização

↑ Discussão para retorno das aulas presenciais ainda não foi iniciada em Alagoas; escolas estão desertas (Foto: Edilson Omena)

Desde a semana passada, circulam informações de que escolas particulares em Alagoas estariam “se preparando” para a retomada das aulas presenciais. Mas segundo o Sindicato dos Professores de Alagoas (Sinpro) não existe protocolo de retomada, tampouco discussões sobre o assunto no momento.

“Não existe protocolo para retomada de aulas, não existe isso. Alguns estados vêm discutindo isso e jogaram Alagoas no meio, mas aqui não vem sendo discutido. Em outros estados, onde há um lobby muito grande a coisa já foi até judicializada. No entanto, aqui no estado podemos dizer que é um ponto pacífico, tanto os professores como as escolas entendem que esse retorno não pode acontecer assim, as aulas serão na última fase, quando houver segurança para a retomada”, defende o Sinpro.

Desde março sem aulas presenciais, algumas escolas buscam ouvir a opinião de pais e responsáveis. Ouvido pela reportagem, um colégio situado no bairro da Serraria, em Maceió abriu um espaço de diálogo sobre o tema.

“O Colégio Santíssimo Senhor segue acompanhando todas as discussões a respeito da retomada das aulas presenciais e acredita que elas só serão autorizadas quando houver condições de segurança sanitária para todos, principalmente, os alunos. Diante de uma possível retomada, a direção da escola já se adiantou e, como sempre faz, numa parceria constante com as famílias, quis ouvi-las sobre o assunto. Por isso, encaminhou uma pesquisa para os pais tratando do tema. As respostas irão nortear as ações do colégio nesse sentido”, disse a entidade.

A preocupação em torno do tema também se volta para as escolas públicas que podem sofrer prejuízos com essa retomada diferenciada. Para a dirigente do Sindicato dos Trabalhadores e Educação de Alagoas (Sinteal), Girlene Lázaro pensar na retomada deve envolver a discussão de temas muito mais amplos, desde os protocolos sanitários até ao planejamento pedagógico.

“Temos nos debruçado muito sobre esse assunto e acompanhando no Brasil e aqui no estado. O momento é muito complexo, a escola é conhecida como um ambiente seguro de acolhimento e interação social e não pode ser utilizada apenas para cumprir carga horária ou ano letivo. Como garantir então? A escola não pode ser responsabilizada, promovendo a contaminação de outras pessoas, não é possível voltar sem um protocolo de saúde, protocolo sanitário e pedagógico que possa gerar políticas públicas que de fato venham a atender o processo”.

Para o pediatra e presidente da Sociedade Alagoana de Pediatria, João Lourival Jr. não é possível estabelecer um “protocolo único” para a retomada.

“O Ministério da Saúde colocou como grupo de risco crianças abaixo de cinco anos. Existem benefícios para a socialização das crianças nessas faixas etárias e isso é tão maior quanto eles vão aumentando de idade. A gente entende que um período, um semestre longe da socialização, do convívio escolar tem sim atrasos no desenvolvimento, na evolução dessas crianças. Acho que não dá para generalizar, acima de cinco anos deve voltar se e somente se a escola tiver cumprido todas as adequações para esse novo normal, abaixo de cinco anos deve ser avaliado caso a caso, não é uma resposta única, exata. A criança tem sim tido uma evolução favorável em relação a doença, muito melhor que a do adulto, porém ela não é isenta, a gente tem formas graves de apresentação da doença, principalmente em crianças maiores e adolescentes. Mas os riscos são os mesmos, elas estão expostas e embora elas não evoluam de forma tão grave elas contraem e transmitem da mesma forma”, destaca o pediatra.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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