Cidades

4 de junho de 2020 08:44

Defensoria protocola ação contra Unimed por negativa de atendimento

Aposentado e esposa contraíram coronavírus e esperam respostas objetivas sobre a situação

↑ Hospital Unimed no bairro do Farol (Foto: Edilson Omena)

A defensora pública Norma Negrão entrou com uma ação cível na tarde desta quarta-feira (3) contra a operadora de plano de saúde Unimed Maceió, para que cumpra com sua obrigação contratual. O processo está na vara comum no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes e aguarda posicionamento do juiz. É que uma família da capital, cliente do Home Care do plano de saúde e com paciente acamado há mais de 2 anos com tumor em estado avançado, vive um drama à espera por atendimento.

Morador da Jatiúca, o aposentado Eufrázio Pinto Torres está com sintomas fortes de Covid-19 como febre e dores no corpo. Sua esposa, a servidora pública Suzana Lucas Barbosa Higino, reclama da falta de sensibilidade, apoio e agilidade do atendimento.

De acordo com a esposa, o quadro de saúde de Eufrázio Pinto Torres é muito delicado. Além do tumor, Eufrázio é diabético, hipertenso, tem Mal de Alzheimer e também é portador de retocolite, doença intestinal inflamatória e crônica que provoca inflamação no trato digestivo, e diverticulite.

“O plano dele tem Home Care. Desde sábado (30) imploramos por atendimento à Unimed. E é sempre a mesma resposta de que está em análise o pedido. Não temos como levá-lo ao hospital, porque moramos somente eu e ele em casa e ele não anda, porque está acamado há 2 anos. Hoje uma médica veio aqui, finalmente, passou 5 minutos, não prescreveu nada e foi embora. Não temos como ficar sem atendimento da Unimed. Um plano tão caro e este descaso. Parece que a Unimed não quer atender, não quer cumprir com suas obrigações”, reclama Suzana Higino.

Sem ter como remover o paciente até o hospital, e diante do contágio com Covid-19, a esposa do paciente também se infectou com o coronavírus. “Não posso sair de casa, estou contaminada, com sintomas fortes de Covid. O Home Care demorou dias para nos atender, quando deveria ser imediato”, denunciou.

“A médica finalmente veio no dia 2, e nada fez. Ele só piora, e eu também. Preciso levá-lo ao hospital, com urgência, mas sem o apoio do plano e do Home Care não tenho como…”, diz.

Após a visita da profissional de saúde da Unimed na manhã de terça-feira (2), segundo Suzana, houve piora no quadro de Eufrázio Pinto. “Preciso internar o Eufrázio. Mas para minha surpresa, ao ligar para o SOS do plano, ele afirmou que não poder nos socorrer porque o Home Care já havia nos ‘atendido’! Descaso total. Estamos abandonados pela Unimed”, reitera a esposa.

Como mensalidade, o aposentado Eufrázio Pinto Torres paga quase R$ 1.300 por mês à Unimed. Em seu site, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) ressalta “que os planos devem prestar e cobrir o atendimento necessário para os pacientes com a Covid-19. Ainda não há tratamento específico para a doença, mas os esquemas de tratamento atualmente disponíveis devem ser oferecidos. Os exames de diagnóstico também devem ser cobertos, pois foram incluídos no Rol de Procedimentos obrigatórios” da Agência Nacional de Saúde (ANS).

NOTA

Em nota, a Unimed Maceió esclareceu que o beneficiário Eufrázio Pinto Torres é assistido pelo Serviço de Atenção Domiciliar desde 16 de maio de 2018, devido, inicialmente, a um diagnóstico de tumor de hipófise e que, desde então, vem sendo acompanhado sistematicamente por equipe multiprofissional.

“No dia 20 de março de 2020, o Serviço recebeu uma mensagem via WhatsApp da esposa do referido beneficiário, solicitando a suspensão das consultas eletivas. No último sábado, dia 30 de maio de 2020, a mesma pessoa entrou em contato com a médica assistente do Serviço, para comunicar que o paciente estava apresentando sintomas gripais e solicitando a realização do exame para Covid. Na última segunda-feira (1º), uma equipe da Unimed foi colher o exame na residência do Sr. Eufrázio. Na terça-feira (2), a médica assistente da Atenção Domiciliar realizou uma visita e identificou que o paciente se encontrava eupneico (respirando normalmente), afebril, não apresentando tosse durante o exame físico, estando orientado, não apresentando esforço respiratório. Foram solicitados novos exames laboratoriais e prescrito antibiótico. Na ocasião, a esposa do paciente solicitou internação hospitalar, sendo esclarecida que o paciente não apresentava quadro de instabilidade que justificasse essa medida”, diz um trecho da nota.

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena

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