Cidades

26 de maio de 2020 14:28

Separada há 30 anos da mãe, mulher de SP a localiza no interior de Alagoas pela internet

Mãe e filha irão se reencontrar pessoalmente após a pandemia do Covid-19

↑ Com a ajuda da reportagem e através das redes sociais, Daiana reencontrou Josefa depois de 30 anos (Fotos: Arquivo pessoal)

 

Reportagem: Lucas França

“Oi, Boa noite! você é de Paulo Jacinto, Alagoas? Conhece alguma Josefa?”. Foi exatamente assim que Daiana Carmo, 34 anos, que mora no estado de São Paulo, entrou em contato pela primeira vez com a reportagem do Tribuna Hoje via Facebook.

Na troca de conversas, Daiana contou sua história e pediu ajuda para encontrar a mãe. Parece cena de novela, mas é vida real. A jovem foi separada da mãe aos três meses de idade pelo próprio pai. No entanto, ela conta que não guarda nenhum rancor e que seu pai sempre falou sobre sua mãe, sem muitos detalhes, porém ela sabia suas origens. Durante o papo, ainda no Facebook e após troca de contatos, a conversa passou a se dar através de aplicativo de mensagens. Emocionada, Daiana iniciou a conversa na plataforma dizendo que ajudá-la a encontrar sua mãe seria obra de um anjo que Deus estaria colocando em sua vida.

“Quero encontrar minha mãe que não vejo há mais de 30 anos. Ela morava aqui em São Paulo e foi embora comigo quando eu tinha uns três meses de nascida. Mas logo depois meu pai foi me buscar em Alagoas, Paulo Jacinto, exatamente no povoado Cascuda. Depois disso, nunca mais tive notícias dela. E o tempo foi passando. Ele sempre falava sobre ela, e acreditava que estava viva, mas não tinha os meios de procurar por ela, apesar de saber das minhas origens. O nome dela é Josefa Maria da Conceição (60 anos), e o nome do meu pai é Tomaz de Aquino Almeida Carmo, esses são os únicos detalhes que tenho, e sei que tenho irmãos”, contou a jovem.

Desde o início das conversas, Daiana sempre demonstrou muita esperança em encontrar a mãe. Confira no áudio a seguir.

Primeira tentativa em busca de suas raízes

Daiana disse que a separação aconteceu por alguns problemas familiares, mas não entrou em detalhes. “Por conta de alguns problemas, minha mãe foi embora para Alagoas e me trouxe com ela. Porém, em seguida, meu pai foi me buscar. A partir desse momento nunca mais a encontrei. Meu pai nunca me escondeu nada sobre ela – fui criada com muito carinho por ele, mas faltava algo importante para ser feliz. Sempre quis conhecer minha mãezinha. No entanto, o tempo foi passando e nada de ter notícias porque não tínhamos contato de nenhum outro parente. Então, tive a ideia de procurar por ela nas redes sociais. Porém, não tive êxito. Fui no hospital onde nasci para saber informações dela, mas como passaram muitos anos as informações já não constavam mais lá e isso me deixou muito triste…”, relata a jovem que, por áudio, disse que teve até polícia envolvida na história, mas por ser bebê à época, não teria como lembrar e nem sabe o que aconteceu exatamente.

Uma nova esperança

Passando alguns anos, a jovem buscou novamente mais detalhes que pudessem ajudá-la a encontrar dona Josefa Maria.

“Iniciei novamente minhas buscas. Foi quando no sábado (17), de maio, tive a ideia de procurar por ela nos grupos de Paulo Jacinto e automaticamente vi que você [repórter] aparentemente morava no local ou teria morado e resolvi enviar mensagem no privado. E logo no domingo (18), tive retorno. Começamos a conversar. Contei a minha história, e tive a certeza que iria conseguir realizar o meu maior sonho, que era encontrar a minha mãe. E sua resposta foi sim, que me ajudaria. Fiquei na expectativa… Passaram algumas horas e tive um retorno positivo. Você me informou que tinha achado uma possível prima – nem acreditei, foi uma emoção e não consegui segurar as lágrimas. Sabia que estava mais próximo de encontrar minha mãe. E tudo foi mais surpreendente do que eu poderia imaginar, não só encontrei a minha mãe biológica, como encontrei toda minha família materna. E tudo isso foi graças a você que se disponibilizou a usar seu fim de semana em busca de detalhes que pudessem chegar a eles”, agradeceu Daiana Carmo.

As novas buscas

A partir dos detalhes contados por Daiana e com sua autorização de usar em grupos de WhatsApp e redes sociais a história, a reportagem realizou uma “força-tarefa” com a ajuda de alguns moradores de Paulo Jacinto – e chegou ao contato de um representante da associação comunitária do Povoado Cascuda, entre Viçosa e Paulo Jacinto, na Zona da Mata alagoana. Carlinhos, como é conhecido, disse que tinha um documento com o nome de todos os moradores vivos e nele constavam três mulheres com o mesmo nome. Então, ele colocou a história em um outro grupo. Nisso, uma supostamente prima de Daiana se pronunciou, dizendo que a história batia com a que a tia contava.

Carlinhos passou o contato da suposta prima que também reside no estado de São Paulo. Com isso, foi feita a ‘ponte’ entre as jovens. Até então, não se sabia que sua mãe estava viva. Horas depois, Daiana liga informando que tudo tinha dado certo e que era mesmo a prima dela. E que a mãe estava viva. “Tinha certeza que Deus ia me proporcionar essa felicidade. Conversei com minha tia e prima, mas não conversei com minha mãe ainda por conta da hora. Mas, amanhã logo cedo vou ligar e vamos conversar. Já estou com o contato dela, que mora em Paulo Jacinto. Muito obrigado por tudo”, relatou.

Após ter a certeza de ter achado sua mãe após tanto tempo, Daiana se emociona. Escute abaixo.

No dia seguinte, 18 de maio, Daiana entrou em contato avisando que conversou com a mãe. Ambas querem se encontrar o mais rápido possível.

Assim como Daiana, Josefa também estava em busca da filha há anos, e já se planejava para ir a São Paulo tentar encontrar a filha através de uma rede de televisão. Além de Daiana, Josefa tem outros dois filhos com os quais ela não tem contato há bastante tempo. “Nunca esqueci minha filha”.

Emoção

A jovem agora se prepara para vir ao estado encontrar a mãe, os três irmãos e demais familiares. “Não vejo a hora de encontrar com minha família. Após a situação com a pandemia do coronavírus, irei a Alagoas encontrar com eles. Vou levar meu filho para conhecer a avó. Todos os dias mantenho contato com todos para minimizar o tempo perdido. Mãe, irmãos, primos, sobrinhos e outros parentes. Estou muito feliz! Hoje minha vida está quase completa – falta minha mãe encontrar meus outros dois irmãos que ela não tem contato. Mas agradeço a Deus em primeiro lugar e em segundo a você que me possibilitou realizar este sonho. Muito obrigado, que Deus te abençoe grandemente”, encerrou.

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Daiana, sua mãe, duas irmãs e um irmão já mantêm contato após o reencontro (Fotos: Arquivo pessoal)

Fonte: Tribuna Hoje / Texto: Lucas França

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