Saúde

3 de abril de 2020 07:58

Alagoas vai iniciar uso de mais de 7 mil testes rápidos para coronavírus

Protocolo adotado é de testar apenas profissionais de saúde e segurança; precisão dos resultados ainda é estudada

↑ Coronavírus (Foto: Lindsey Wasson / Reuters)

Alagoas começou a distribuir nesta quinta-feira (2) mais de 7 mil testes rápidos para detecção de Covid-19. Os testes fazem parte da remessa de 500 mil unidades encaminhadas pelo Ministério da Saúde (MS) aos estados, no entanto a utilização dos kits não ocorrerá em todos os pacientes. Ela será usada apenas em profissionais de saúde e segurança. Além disso, a precisão dos resultados ainda é motivo de estudos.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) ainda esta semana os testes devem começar a ser utilizados. “Alagoas já dispõe dos testes rápidos encaminhados pelo Ministério da Saúde. São 7.200 testes rápidos que já começaram a ser distribuídos nesta quinta-feira (2) para as unidades de referência que estão recebendo os pacientes com suspeitas de Covid-19. Ou seja, esta semana já podemos iniciar os testes rápidos.”

A utilização apenas em casos específicos, segundo a Sesau, atende protocolo do Ministério da Saúde. “O teste rápido é indicado apenas entre o sétimo e décimo dia do início dos sintomas, como febre e tosse. Não é recomendado para uso em toda a população, uma vez que não consegue diagnosticar o início da doença. Com resultado em até 20 minutos, os testes rápidos são indicados apenas para os profissionais dos serviços de saúde e da segurança. Os testes são feitos apenas após o sétimo dia do início dos sintomas de síndrome respiratória, como tosse, dificuldade para respirar, congestão nasal e dor de garganta, para detectar a presença de anticorpos (IgG e IgM), que são defesas produzidas pelo corpo humano contra o vírus Sars-CoV-2, que causa o Covid-19. Vale lembrar, que esse é um teste qualitativo para triagem e auxílio do diagnóstico. Portanto, o teste deve ser usado como uma ferramenta para auxílio no diagnóstico do Covid-19. Resultados negativos não excluem a infecção por Sars CoV 2.”

INFECTOLOGISTA

A infectologista Luciana Pacheco ressalta que os testes rápidos servem como um complemento a outras medidas, devido a eficácia dos resultados.

“Eles servem para testar a imunidade da pessoa. Então a partir do 5º, 7º dia de doença acredita-se que começa a parecer a imunidade IgM o que significa que o vírus fez com o organismo produzisse esse anticorpo. Então é um teste que vai ser feito para entendimento da imunidade, de quantas pessoas foram de fato infectadas. Tudo isso é muito novo em relação ao coronavírus. O que a gente tem lido é que eles [testes rápidos] não têm 100% de garantia. Pode ter uma sensibilidade baixa, e pode dar um falso negativo. Ou seja, a pessoa ter tido a doença e não acusar. Como acontece por exemplo num caso de dengue. Significa que a pessoa esteve doente, mas não apareceu no exame. Os estudos mostram que pode ter uma sensibilidade mais baixa, em torno de 40%”, diz Pacheco.

Questionada se a realização de testes rápidos em toda a população não seria uma garantia de que todos os casos fossem identificados, a especialista afirma que a situação só poderia surtir efeito a longo prazo.

“Imediatamente não, mas depois de um tempo nós saberíamos o quanto da população foi afetada. Por exemplo, eu estou doente agora, então esse exame não vai servir muito para esse momento. Ele vai ter que ser repetido depois porque ele não vai me dizer se estou e ainda tem a chance de, mesmo depois, ele não ter uma sensibilidade tão garantida, como dizem os estudos. O cenário ideal era testar todas as pessoas com o PCR, aquele exame de coleta da secreção nasobronquial”, esclarece a infectologista.

Ainda não é possível comparar curva epidemiológica em Alagoas

 

Em relação ao avanço dos casos de Covid-19 em Alagoas, a médica pontua que ainda não é possível comparar a curva de casos em Alagoas com a do restante do país.

“A curva epidemiológica em Alagoas é muito pequena, de um total de 500 pessoas testadas, apenas 18 positivas. Se considerar a população do estado, de mais de 3 milhões de pessoas, é uma quantidade pequena, diferente de São Paulo onde a população é maior e a doença começou antes. Como a gente sabe que a doença já está na comunidade, porque dois casos confirmados não tiveram contato com ninguém de outro estado, isso demonstra que o vírus já está circulando por aqui. Mas é preciso mais tempo para ter uma noção dessa curva”, destaca Luciana Pacheco.

A Sesau afirma que os testes mais detalhados, onde é feita a coleta de secreção, são realizados em casos prioritários.

“Casos graves são prioritários, assim como testes feitos em profissionais de saúde. Os testes são feitos pelo Laboratório Central de Alagoas (Lacen-AL). Atualmente, há cerca de 100 amostras aguardando testagem e que serão objeto de uma filtragem para selecionar aquelas que se enquadram na definição de caso, que estão acompanhadas da ficha de notificação e cadastro e cujas fichas de encaminhamento dispõem das informações solicitadas”, informa a secretaria.

 

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

Comentários

MAIS NO TH