Cidades

16 de fevereiro de 2020 15:05

Os expressos da meia-noite de Maceió

O cotidiano dos motoristas que dirigem ônibus pela madrugada e de quem depende do transporte público no horário em que a maioria da população está dormindo

↑ Seis linhas de ônibus fazem o corujão pelas ruas de Maceió, contabilizando mais de 7 mil passageiros transportados por mês - Foto: Rívison Batista

 

Ana Paula Omena
Rívison Batista
 Repórteres

Raros, mas diários, os ônibus corujões de Maceió representam um alento na saga de diversos trabalhadores que voltam para casa no meio da madrugada ou que precisam estar antes das 5h no serviço. Na maioria, são pessoas que trabalham em bares, restaurantes, condomínios e estabelecimentos comerciais que, para sobreviver, labutam enquanto muitos estão dormindo.

São nos corujões de todos os dias que estão também os rodoviários, esses profissionais que percorrem distâncias durante as madrugadas transportando praticamente as mesmas pessoas, várias delas tendo o ônibus como parte de suas rotinas diárias há anos.

No Brasil, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 13,4 milhões de pessoas no país trabalham entre 22h e 5h, pelo menos parcialmente, e, em sua maioria, dependem do transporte público para se locomover.

Hernandes Victor dos Santos é garçom há 20 anos sempre trabalhando nas madrugadas. Atualmente, trabalha em um restaurante localizado próximo à orla marítima de Maceió e contou das dificuldades de transporte à noite, que, sem sombra de dúvidas, é ainda mais difícil, porém reforçou que melhorou muito em comparação ao que era antes.

O garçom Hernandes Victor trabalha durante a noite e, muitas vezes, sente dificuldade de conseguir transporte público após largar depois da meia-noite (Foto: Edilson Omena)

“Diante do que o trabalhador faz no período da noite, ao largar, bate aquele sono. E como o motorista já conhece e sabe quem são as pessoas que sobem sempre no mesmo ônibus, acontece de a gente dormir no ponto e o motorista chamar para gente subir. Do mesmo jeito, no ponto de destino, acorda a gente para descer”, garantiu.

No entanto, o garçom faz uma ressalva quando o problema diz respeito aos horários e opções durante as madrugadas. “Maceió é uma cidade turística. Muitos bares e restaurantes funcionam durante toda a noite e os trabalhadores da madrugada são carentes de transporte noturno. Se perder, por exemplo, o transporte de meia-noite, complica. Muitas vezes, o aplicativo [do celular] fica sem corresponder aos horários dos ônibus. Resultado: já fiquei até 3h da manhã no ponto aguardando passar esse mesmo coletivo, porque o motorista, às vezes, desvia da rota”, criticou o garçom, contando sua experiência.

“E outra, eu moro no Village Campestre II. O ônibus passa apenas na Via Expressa [Avenida Menino Marcelo] e não entra no bairro. Eu preciso andar mais de um quilômetro até chegar na minha casa. Acho que se faz necessário colocar mais ônibus para a população neste horário.

Muitas vezes, o restaurante está cheio e não tenho condições de sair à meia-noite. Fico até 3h da manhã no ponto e é desgastante demais, correndo o risco de ser assaltado. Deus me livra todos os dias”, mencionou.

Rodando pela parte baixa durante a madrugada

A rotina de trabalho do motorista Edvânio Rufino Vieira é a seguinte: durante a madrugada, dirige o ônibus em três viagens pelas avenidas e ruas de Maceió. Cada viagem dura, aproximadamente, uma hora e meia. A linha que o motorista trabalha é a Joaquim Leão – Ponta Verde, de número 797, da empresa Veleiro. “Saio da garagem da empresa às 23h30 e começo a primeira viagem, saindo do Terminal Rodoviário de Maceió [no bairro do Feitosa], às 23h50”, afirma Edvânio. O atual horário de trabalho do motorista é de 23h30 até as 5h30 da manhã.

O percurso que o motorista faz abrange, praticamente, toda a parte baixa da capital alagoana. Ao sair do Terminal Rodoviário, no Feitosa, o Joaquim Leão – Ponta Verde vai sentido ao Instituto Federal de Alagoas (Ifal), no bairro do Centro, e depois segue pela Avenida Siqueira Campos, que corta os bairros do Prado e do Trapiche da Barra. “Aí eu faço o retorno pelo terminal de ônibus no Trapiche, vou pela Avenida Cabo Reis [que corta o bairro da Ponta Grossa] e chego ao Conjunto Joaquim Leão, nas proximidades da Guarda Municipal de Maceió”, conta o motorista. Depois de passar pelo conjunto, o ônibus segue pelo bairro do Vergel do Lago, depois vai sentido ao Poço.

Edvânio Vieira trabalha como motorista de ônibus há 18 anos e dirige o corujão da Veleiro pelas madrugadas há 2 anos (Foto: Edilson Omena)

Após sair do Conjunto Santo Eduardo no sentido à orla, começa o maior fluxo de passageiros da primeira viagem da noite de Edvânio. O ônibus passa pela Avenida Doutor Antônio Gomes de Barros (antiga Amélia Rosa), no bairro da Jatiúca, e trabalhadores que largam dos muitos bares e restaurantes na localidade já aguardam o corujão. “A maioria que aguarda por ali não é de simples passageiros. São funcionários que trabalham nos estabelecimentos pelo bairro. Então se cria um vínculo entre passageiro e motorista por conta de se pegar todos os dias o mesmo ônibus”, relata. Após sair da Avenida Doutor Antônio Gomes de Barros, o corujão vai pela orla da cidade, onde, segundo Edvânio, sobem muitas pessoas que trabalham nos hotéis da Ponta Verde e da Pajuçara. Após esse percurso pelos bairros da orla, o ônibus segue de volta para o Vergel e depois retorna para o Terminal Rodoviário, onde Edvânio chega, geralmente, 15 minutos antes da segunda viagem da noite, que começa às 1h30 da madrugada.

Dirigir à noite vira um costume, diz motorista

A partir da segunda viagem, o motorista diz que o fluxo de passageiros é menor, porém há trabalhadores que param o ônibus depois de 1h30 da madrugada. Ele retorna ao Terminal Rodoviário às 2h45 e inicia a terceira viagem às 3h da madrugada. “Nesse horário, tem uma parada na garagem da Veleiro para pegar alguns funcionários, então depois continuo e encerro a viagem perto das 5h20”, afirma.

Edvânio Vieira é motorista experiente. Trabalha com ônibus há 18 anos e faz o corujão há 2 anos. Antes da Veleiro (viação que trabalha há 5 anos), estava na empresa Cidade de Maceió, onde fazia o período diurno, mas, às vezes, tirava folga de companheiros que faziam o corujão.

Foi nesse período que ele conheceu o que era guiar um ônibus pela madrugada. “Quando você se adapta ao horário noturno, vira um costume. Não tem mais problema de sonolência nem problema de saúde que venha a ocasionar. Durante a noite, é necessário ter muita atenção no trânsito. Prestar atenção nas saídas e nas entradas das vias. Nos cruzamentos também. Não é só chegar e dirigir. Se torna um pouco perigoso, porque o tráfego diminui. Tem que tomar cuidado”, conta o motorista. Para manter a atenção durante o trabalho noturno, o motorista afirma que dorme durante o dia e diz que foi necessário mudar a rotina que tinha antes de fazer o corujão.

Estratégias de segurança

Edvânio fala que é inevitável a criação de um vínculo com o passageiro que utiliza o corujão. “A gente acaba conhecendo muita gente. Já pego o passageiro em um determinado local, porque tem ponto que não tem aquela visibilidade boa, não é muito claro, então o passageiro fica em um lugar em que o motorista enxergue que é ele”, diz. Na hora do desembarque. Edvânio conta que também para o ônibus em um lugar mais seguro para o passageiro, deixando os usuários do transporte coletivo mais próximos às residências. Sempre dirigindo com a atenção redobrada na sinalização de trânsito e nos cruzamentos, o motorista relata que nunca se envolveu em uma colisão. Ele também relata que nunca foi vítima de assalto durante os 18 anos da profissão.

“Em caso de assalto, se uma viatura policial passar próxima, sinalizamos cortando luz ou ligando o alerta do veículo. Aqui, não temos o botão de pânico nos ônibus. Acho que seria algo viável. Acho que a Polícia Militar trabalha muito bem, mas poderia chegar mais junto. Apesar de fazer a revista de passageiros de vez em quando, não é com tanta frequência que isso acontece. Acho que existe a necessidade de a polícia chegar e abordar mais, de fazer uma revista de rotina”, comenta.

De um extremo ao outro de Maceió enquanto a maioria ainda dorme

O motorista Valdemir França conta que já sentiu na pele por duas vezes a tensão de um assalto a ônibus. “Aconteceu uma vez no Rosanne Collor e outra vez no Rio Novo. Foi durante a madrugada. Não me amedrontou, porque eu já ando com o psicológico preparado para isso. Pegaram o dinheiro e os celulares dos passageiros e foram embora. Ninguém se feriu”, relata.

Valdemir faz a linha 798, que corresponde ao ônibus Fernão Velho – Ponta Verde, da empresa São Francisco. O motorista cruza quase Maceió inteiro durante a noite e a madrugada. É um percurso que compreende a parte baixa da cidade, passando pelas praias, por exemplo, e a parte alta. Ele dirige o corujão há 3 anos e meio.

O motorista de ônibus Valdemir França vai da parte baixa à parte alta da capital alagoana durante a noite e a madrugada (Foto: Rívison Batista)

“Ao sair do Terminal Rodoviário de Maceió, pego pela Praça da Faculdade, depois dirijo por toda a orla de Maceió. Saindo das praias, vou para o bairro do Bebedouro, aí subo para a Chã da Jaqueira, vou aos Conjuntos João Sampaio e Rosanne Collor e pego em direção ao bairro do Clima Bom. Depois desço a ladeira da Mafrial para chegar aos bairros de Rio Novo e Fernão Velho e, depois de tudo isso, retorno para o Terminal Rodoviário para a próxima viagem”, conta o motorista.

Assim como Edvânio Rufino, Valdemir França faz 3 viagens no coletivo da São Francisco. A primeira viagem de Valdemir começa às 23h40, a segunda inicia às 2h da madrugada e a última já é às 4h da manhã. Cada viagem dura, aproximadamente, uma hora e cinquenta minutos. A última viagem é uma exceção e o motorista consegue terminar mais rápido, já que nessa o ônibus não entra no bairro do Rio Novo.

Apesar do longo caminho que percorre, Valdemir afirma que é na orla da capital onde sobe a maioria dos passageiros. “Muita gente entra. É o pessoal que trabalha na praia. No decorrer da viagem, outros pontos se destacam também. A Chã da Jaqueira é movimentada durante a madrugada quando tem alguma festa, algum evento”, comenta.

O motorista conta que no corujão de domingo para segunda vai todo mundo sentado. Na segunda e na terça-feira também existe essa calmaria, já que são os dias em que muitos bares e restaurantes na orla não abrem. Na quarta, ele diz que não chega a lotar, mas já tem mais gente do que nos dias anteriores. “Na quinta, o corujão enche em duas viagens. Já vai gente em pé. Sexta também enche, porque já pega o trabalhador que faz um extra durante a noite”, afirma.

Amor pela noite

À reportagem, Valdemir confessa que ama o horário noturno e nunca dirigiu ônibus durante o dia. “Durmo a partir das 7h da manhã. Chego em casa umas 6h, tomo um cafezinho e relaxo. Consigo ter um bom sono até o início da tarde”, diz.

Comentando um pouco sobre a sensação de insegurança que muitas pessoas têm em relação a pegar um ônibus de madrugada, ele diz que acontece justamente o inverso, ou seja, a madrugada é mais segura do que o dia (apesar dos assaltos que sofreu). “Tenho visto muito a polícia na rua. Está muito eficiente. Mas durante esse tempo todo que faço corujão, a polícia só me parou para fazer a revista de passageiros umas três vezes. Talvez não parem tanto pela tranquilidade do horário. Por incrível que pareça, a madrugada, em comparação ao dia, tem um menor índice de ameaças. Talvez porque [criminosos] saibam que não existe renda no corujão. É mais no cartão [bilhetagem eletrônica]”, afirma.

Condutor de ônibus sente-se mais seguro trabalhando no horário noturno

Motorista da empresa Real Alagoas há quase 5 anos, Anderson Mourão Ferreira dirige pela linha Village II, de número 097. Anderson é motorista há 10 anos. A empresa em que trabalhou antes da Real Alagoas foi a viação Cidade de Maceió, onde guiava o ônibus da linha Benedito Bentes – Ponta Verde. Ele conta que faz o corujão do Village II há cerca de um ano.

“Algumas vantagens que me fizeram optar pelo horário à noite foram o adicional noturno e a hora extra. Também é um horário mais tranquilo de se trabalhar. Não tem trânsito. É sem estresse”, afirma o motorista.

Anderson Mourão conta que, entre as vantagens de se trabalhar durante a noite, estão o adicional noturno e a hora extra (Foto: Rívison Batista)

Após nove anos trabalhando no período diurno, Mourão conta que sente mais segurança trabalhando pela madrugada. “Durante o dia era mais arriscado em termos de assalto. Mas, graças a Deus, nunca passei por essa situação”, diz.

Mourão sai da garagem da Real Alagoas com o Village II às 23h30, para iniciar a primeira viagem – partindo do Terminal Rodoviário de Maceió – às 0h. O percurso é grande e dura entre 1 hora e 50 minutos a 2 horas. Nesse tempo, enquanto muitos dormem, o corujão do Village II atravessa boa parte de Maceió.

“Eu inicio a viagem pelo Terminal Rodoviário, depois desço no sentido ao Trapiche da Barra e ao Prado. Aí passo pelo Jaraguá e vou para o Poço. A subida para a parte alta é pelo Farol, que atravesso e entro na Santa Lúcia. Aí pego pelo Salvador Lyra, Cleto Marques Luz, Graciliano Ramos e chego ao Village. Saio nas proximidades do Hospital Universitário, vou sentido ao Eustáquio Gomes, chego na Forene e retorno para o Terminal Rodoviário”, relata o motorista. A segunda viagem de Mourão inicia às 2h da madrugada e a terceira, às 4h20 da manhã.

“A primeira viagem é sempre a mais movimentada. É a que mais sobem passageiros no corujão. Na Praça da Faculdade [no bairro do Prado] é onde há mais concentração de passageiros durante o percurso”, comenta.

Mesmo a primeira viagem sendo a mais movimentada, geralmente todos os passageiros vão sentados no corujão do Village II. “Eu pego, no máximo, 25 passageiros durante a noite”, afirma.

Mais iluminação

Mourão diz que nunca sofreu um assalto durante o trabalho, mas comenta que poderia haver mais segurança no período noturno para quem trabalha no transporte público e para seus usuários.

“Há uns pontos que são bem escuros. Podia haver mais iluminação nas vias públicas. Durante a noite, deveria ter mais patrulhamento da polícia. Eu me sentiria mais seguro. Principalmente, nos lugares mais ‘esquisitos’ na noite, como o Village e o Santos Dumont, por exemplo”, diz o motorista.

Da mesma forma que o motorista Edvânio Rufino, da Veleiro, Mourão diz que já conhece quem sobe no corujão do Village II. “Já sei onde o passageiro pega o ônibus, os horários e tudo mais. Já sei onde o passageiro vai descer, então paro mais próximo à casa dele. Sempre seguindo o itinerário do ônibus”, afirma.

Corujões não garantem retorno financeiro

A oferta de transporte público no horário especial noturno em Maceió não é uma obrigação das empresas de ônibus. Por esta razão, tem caráter essencialmente social. Guilherme Borges, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Maceió (Sinturb-Mac), explicou que as linhas especificamente são sociais, pois os custos da operação não são pagos.

“Sabemos a importância da linha para o usuário que a utiliza para ir ao trabalho, tanto durante a madrugada como ao voltar para casa depois de trabalhar. Porém, não é uma linha que garante retorno financeiro para cumprir os custos que ela tem com as viagens, além do número de passageiros ser baixo”, afirma.

Presidente do Sinturb, Guilherme Borges, entende a importância dos corujões para trabalhadores (Foto: Edilson Omena)

E há quem pense que nos fins de semana diminui o número de corujões. De jeito nenhum. As viagens são as mesmas para garantir ida e volta dos passageiros que usam este tipo de transporte coletivo na capital alagoana. “São, em sua maioria, trabalhadores, onde o serviço começa antes das 5h da manhã, ou que trabalham em bares e restaurantes e que largam depois das 0h”, disse Guilherme Borges.

Ao todo, seis linhas de ônibus fazem os trajetos dos corujões diariamente. Os itinerários são diferentes das linhas convencionais, atendendo mais bairros e também pontos estratégicos da cidade, como o Terminal Rodoviário de Maceió e também a Praça da Faculdade. As viagens começam, geralmente, às 23h30 e as últimas iniciam às 4h da manhã, finalizando perto das 5h30. Após isso, as linhas convencionais assumem.

Seis linhas de ônibus fazem o corujão pelas ruas de Maceió, contabilizando 7.221 passageiros transportados por mês, uma procura considerada baixa, mas ativa. Cada uma delas faz três viagens por noite. Para se ter uma ideia da quantidade de pessoas que embarcam, apenas na linha 796 – que faz Benedito Bentes, Ponta Verde e Eustáquio Gomes, da Empresa Real Alagoas – são 2.053 passageiros mensalmente.

Seis linhas de ônibus fazem o corujão pelas ruas da capital alagoana, contabilizando mais de 7 mil passageiros transportados por mês

Em seguida, vem a linha 798, que transporta 1.759 passageiros por mês entre os bairros Ponta Verde e Fernão Velho, da empresa São Francisco.

O corujão não dispõe de cobrador, como os convencionais, já que 75% dos passageiros possuem o Cartão Bem Legal e o utilizam como forma de pagamento.

Mobilidade urbana em Maceió ainda é tímida, diz urbanista

Na visão do arquiteto e urbanista Renan Silva, a mobilidade urbana é considerada ruim e não se restringe apenas à capital alagoana. No entanto, ele destaca que algumas cidades brasileiras investem esforços para que o problema seja minimizado. “Por exemplo, Fortaleza, que vem passando por um verdadeiro processo de revolução na mobilidade com um avanço significativo da infraestrutura para os transportes não motorizados. A grande questão é que o espaço em Maceió é limitado, as ruas são limitadas e os veículos motorizados ocupam muito espaço. Então se deve pensar em ocupar os espaços de forma eficiente”, frisou.

Arquiteto e urbanista Renan Silva diz que falta mais investimento na mobilidade urbana de Maceió (Foto: Tribuna Hoje / Arquivo)

Em Maceió, conforme Renan Silva, existem algumas políticas públicas no sentido de melhorar a mobilidade urbana, porém são tímidas, citando a faixa azul, para ele importantíssima para melhorar o fluxo dos ônibus que transportam mais pessoas, ocupando de forma mais eficiente os espaços, e que precisam de priorização para o deslocamento. “Essa priorização não beneficia apenas quem usa o ônibus, mas a todos, e essa é uma questão importante que deve ser sempre debatida. Muita gente pensa que, com a faixa azul, quem usa o carro perdeu o espaço no deslocamento. No primeiro momento isso é fato, porém quanto menos gente usar o carro, o transporte individual, mais espaço vai sobrar”, afirmou.

“A partir do momento que o transporte coletivo apresentar mais atrativos e qualidades para as pessoas, considerando todos os aspectos, como preço da tarifa, confiabilidade, segurança, pontualidade, entre outros, haverá uma tendência natural para sua maior utilização no deslocamento”, explicou.

Outro avanço considerável é a integração temporal em Maceió, além das reformas de terminais de transporte que contribuem para o melhor fluxo de passageiros. De acordo com dados expostos pelo urbanista, 70% das pessoas em Maceió se deslocam através de ônibus, a pé ou de bicicleta. Os recursos são desproporcionados, isto é, não respeitam o volume significativo para que haja melhor qualidade nos serviços prestados à população.

“O baixo investimento em transporte público leva a vários impactos, inclusive, na saúde humana. O transporte coletivo está abandonado, o volume de passageiros está diminuindo a cada ano, isso leva à necessidade de se elevar a tarifa e, quando acontece, gera um impacto negativo no sistema, afastando as pessoas. Então, se não for buscado um equilíbrio econômico e atratividade no sentido de mais pessoas utilizarem o transporte coletivo de passageiros, vamos chegar a um momento de ter uma tarifa elevada, por exemplo, de R$ 15, para transportar ninguém”, observou Renan Silva.

Sem assaltos em 2019

De acordo com o Sinturb, durante o ano passado não houve registros de assaltos dentro dos corujões em Maceió. Para o sindicato, operações policiais têm contribuído para uma maior segurança nas madrugadas.

A SMTT reforça que, pelo Disque SMTT, no número 118, o maceioense pode registrar qualquer irregularidade referente aos coletivos de Maceió.

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