Cidades

16 de janeiro de 2020 08:59

‘Alagoas pode ter surto de dengue’

Ministério da Saúde prevê epidemia em todo Nordeste e nos estados do Rio e Espírito Santo

↑ Alagoas registrou em 2019 aumento no número dos casos de dengue e de outras doenças relacionadas ao mosquito (Foto: Reprodução)

Os estados do Nordeste, assim como Espírito Santo e Rio de Janeiro, poderão ter um surto de dengue a partir de março deste ano segundo afirma o Ministério da Saúde (MS). E para combater o mosquito Aedes aegypti a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) disse que trabalha em permanente parceria com todas as secretarias municipais com capacitação e distribuição de insumos enviados pelo Ministério.

Em Alagoas, de acordo com levantamento da Sesau foram registrados 12.936 casos de dengue em 2019, contra 2.120 em 2018, um aumento superior a 510%.

“Estamos trabalhando em permanente parceria com as Secretarias Municipais de Saúde, mediante cooperação técnica em vigilância e combate ao vetor para evitar a ocorrência de casos de arboviroses (dengue, zika e chikungunya). Para isso, tem sido constante a realização de capacitacão e atualização das equipes de vigilância municipais, do pessoal de campo e de profissionais de saúde sobre o combate sistemático ao mosquito Aedes aegypti, bem como prestada orientação a respeito da notificação dos casos e manejo clínico dos pacientes acometidos por essas doenças’’, diz a secretaria por meio de nota.

Além disso, a Sesau ressalta que também tem mantido a distribuição aos municípios de insumos fornecidos pelo Ministério da Saúde e monitorado o índice de infestação predial, “que é importante sinalizador de risco de epidemia’’. E informou que uma campanha educativa será lançada em fevereiro, como estratégia para conscientizar a população e evidencia que ações de orientação são reforçadas durante os projetos Governo Presente e Vida Nova nas Grotas.

Além da dengue, o estado também registrou aumento nos Casos de zika (134) em 2018 e (505) ano passo e da chikungunya (207) em 2018 e (1.360) em 2019.

O órgão reitera que, em todos os momentos, a ação mais eficaz para evitar o aumento dos casos das três doenças é a eliminação de criadouros, de modo a impedir a proliferação do Aedes aegypti nas residências e em seus arredores. Também salienta que a coleta adequada do lixo e limpeza de terrenos baldios é imprescindível para evitar a proliferação do Aedes aegypti, bem como, a correta proteção dos depósitos de água nos domicílios, evitando também o cultivo de plantas que podem acumular água, como bromélias.

PAÍS

O Brasil registrou 1.544.987 casos de dengue no ano passado, com 782 mortes, segundo dados da pasta, um aumento de 488% em relação a 2018, um ano considerado atípico pelo Ministério. “A dengue é uma doença sazonal e o quadro é dinâmico e pode mudar em pouco tempo, mas, no momento, os nove estados do Nordeste e as regiões do Sudeste com grande contingente populacionais pouco afetadas em 2019 estão no nosso alerta”, disse o porta-voz do Ministério da Saúde, Rodrigo Said aos portais de notícia.

Maceió: índice maior de criadouro na parte baixa

 

Só na capital alagoana em 2019 foram 4.725 casos notificados de dengue. Destes, 4.486 confirmados, 233 descartados e os demais se encontram em investigação. No mesmo período de 2018 foram notificados apenas 456 casos de doença.

AÇÕES

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirma que atua diariamente no sentido de desenvolver ações para o controle do mosquito e conscientização da população. E que as ações acontecem em todos os bairros, especialmente nos que apresentam índices mais elevados de notificações. Neles são feitas inspeções nos imóveis, eliminação de criadouros de mosquitos e promovendo ações educativas junto aos moradores.

De acordo com a assessoria de comunicação da pasta, as atividades vêm sendo executadas nos oito Distritos Sanitários de Maceió, com ênfase em pontos estratégicos, que são os imóveis com quantitativo elevado de criadouros, como ferros-velhos, borracharias (com o recolhimento de pneus) e prédios. Há uma atuação forte também no atendimento das denúncias feitas pela população através do disque denúncia (3312-5495) e em áreas onde é feita a notificação de casos, com o bloqueio da área, para evitar a transmissão da doença.

E informou que até o momento já foram realizadas visitas domiciliares para Levantamento de Índice Rápido de Aedes Aegypti (LIRAa), que avalia o nível de dispersão do mosquito nos bairros. O resultado do 1º LIRAa de 2020 aponta que Ponta Verde e Pajuçara contam com índices mais elevados.

Para o infectologista Fernando Andrade, a melhor forma de evitar a doença é com cuidados preventivos.  “Geralmente, no verão, os casos aumentam, por causa do aumento do calor e das chuvas de verão, que fazem aparecer muitos criadouros em potencial para o Aedes (copos, pneus, garrafas etc)”.

Andrade esclarece ainda que a Dengue tipo 2 é uma preocupação porque esse soro tipo  pode levar a forma  mais grave da doença. “É o que está mais ligado a forma mais grave da doença os chamados dengue hemorrágica ou dengue com complicações. Você olhando para o paciente não tem como identificar porque os sintomas na maioria são semelhantes entre todos os soros tipo. Agora quando o paciente adquiri infecção pelo soro tipo 2 e já por outro sorotipo aumenta as chances de desencadear para uma forma mais grave, por isso a preocupação. Vale ressaltar que mesmo as pessoas que já tiveram a doença pode ter novamente e os cuidado devem redobrados porque têm grandes chances de ter uma outra forma da doença”, explica.

Portanto, o especialista alerta que os cuidados permanecem os mesmos: “não deixar recipientes em locais que possam acumular água da chuva, não acumular lixo em casa, descartar corretamente copos, pneus, garrafas; verificar com frequência locais onde pode haver acúmulo de água, tais como calhas, vasos de plantas, caixa de água. Em caso de suspeita de dengue, hidratar-se bem e procurar um médico”.

Descarte em terreno no bairro Petrópolis é antigo

 

No bairro Petrópolis, parte alta de Maceió, especificamente por trás do Supermercado Makro, é comum passar e encontrar lixo e entulhos em um terreno particular. A equipe de reportagem da Tribuna Independente já mostrou a situação através de denúncias da população por várias vezes. E ontem (15), a equipe flagrou o descarte de entulho neste terreno

Pneus, garrafas, papelão, sofás velhos, carcaças de carros, vaso sanitário entre outros objetos que podem acumular água são os mais comuns encontrados por lá.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura para verificar como anda a situação da limpeza em terrenos públicos e privados da capital. A Superintendência Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Sudes) responsável pela limpeza ressalta que em relação ao terreno situado na Avenida Galba Novaes de Castro, recebe periodicamente – a cada 15 dias – ações de limpeza para o recolhimento de resíduos descartados inadequadamente por moradores do entorno e carroceiros.

E disse ainda que, como alternativa para solucionar o problema na região, a secretaria  entrou em acordo com o proprietário do terreno, que cedeu uma área a menos de dois quilômetros do local e construiu o Ecoponto Santa Lúcia, entregue no ano passado. A partir disso, a Sudes intensificou a fiscalização no terreno e tem emitido notificações e autuações, inclusive com a apreensão de veículos flagrados no momento do descarte. Além disso, o órgão também está em negociação com o proprietário para a construção de um novo Ecoponto, desta vez no mesmo local.

Já em relação aos demais pontos crônicos de lixo, a Sudes informou que tem atuado com fiscalização e discute outras medidas, com o acompanhamento do Ministério Público do Estado, para coibir a prática.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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