Cidades

11 de janeiro de 2020 08:12

Já é Carnaval: Folia de rua começa neste domingo (12)

O radialista Edécio Lopes será homenageado, como um dos maiores incentivadores da folia de rua da capital alagoana

↑ (Foto: Edilson Omena)

Nos primeiros anos do aclamado Maceió Fest, o radialista Edécio Lopes juntou um punhado de  amigos e colocou, no meio da avenida, entre os trios elétricos e foliões vestidos de abadás e munidos com mamãe sacode, um bloco que só tocava frevo. O plano mirabolante era mostrar que se a festa tinha como subtítulo “carnaval fora de época”, a música que melhor representa a folia de momo deveria está presente. A empreitada não deu muito certo, o bloco não ganhou muitos adeptos, mas desfilou pela orla da Pajuçara tocando varre-varre vassourinha para quem desejasse ouvir e fazer o passo, deixando o dono da ideia com aquele meio sorriso e quem cumpriu sua missão.

Se a empreitada não foi avante e os entusiastas não repetiram a façanha nas outras edições da festa, a história serve para ilustrar o quanto teimoso, forte e corajoso era Edécio Lopes para defender suas paixões. De baixa estatura, foi um gigante que lutou pela cultura nordestina. Compositor de incontáveis frevos (nem os filhos têm ideais de quantas músicas ele fez), também comandou o programa de rádio “Manhãs Brasileiras”,  por 43 anos ininterruptos com uma seleção musical irretocável,  devotamente regatiano, é dele a música mais famosa em homenagem ao Clube de Regatas Brasil (CRB) e que foi adotada pela torcida como uma espécie de hino oficial.

E por esses e mais tantos feitos realizados por Edécio que já há alguns anos a largada das prévias carnavalescas de Maceió, que este ano acontece no domingo (12), foi escolhida para homenagear o radialista. É o já tradicional “O Carnaval de Edécio Lopes”, que vai ser realizado na Praia da Pajuçara, a partir das 10h. A ideia é manter viva a história do pernambucano mais alagoano de que se tem notícia e deixando sempre viva a luta de um dos maiores defensores da cultura genuinamente fiel às suas raízes.

Na programação muito frevo, samba e desfile de bonecos gigantes inclusive um do homenageado que agora carrega o título de “Embaixador do frevo”. A festa começa com a Banda Vulcão da Polícia Militar, seguida da Orquestra Fogo Pagô, que é do bloco Turma da Rolinha. No final o samba vai invadir a orla com o grupo Samba Lelê. O evento é gratuito e os foliões devem preferencialmente se vestir de verde ou amarelo cujas cores que simbolizaram por 50 anos as cores do seu programa Manhãs Brasileiras cujo slogan era o recado verde e amarelo. Além disso, todos os outros blocos que fazem parte da Liga Carnavalesca de Maceió terão representantes, alegorias, estandartes e bonecos presentes no desfile.

“Tenho muito orgulho de chegar a um lugar e as pessoas dizerem: esse é o filho do Edécio Lopes. E olhe que já se vão 11 anos da morte dele. Meu pai foi o maior incentivador da cultura nordestina e ele tinha um chamego maior pelo carnaval, pelas machinhas, pelo frevo. Todos os eventos de Carnaval de Maceió tiveram a divulgação ou participação de Edécio Lopes. Se hoje temos de volta o carnaval de rua de Maceió, tem o dedo dele, de alguma maneira teve, lá no começo a participação do meu pai. Inclusive, ele compôs frevos para blocos como Filhos da Pauta, Confraria do Rei, Pó de Giz. O hino do Bloco Pecinhas de Maceió também é de autoria dele. Os Bailes de clubes e grandes eventos carnavalescos de Maceió, como o Pinto da Madrugada, foram criados ou incentivados e divulgados no seu programa”, relembra o filho do homenageado, Dinho Lopes, ao lado dos irmãos Evaldo e Edmilson. Os três são verdadeiros herdeiros da paixão do pai pelo carnaval de rua.

Inclusive, é o filho Edvaldo que conta uma história que representa bem a paixão de Edécio por Alagoas. “Quando o pinto da Madrugada saiu pela primeira vez, meu pai já estava meio debilitado, já não aguentava acompanhar o desfile. Então fui com ele para orla, para acompanharmos com calma e assistindo à movimentação, as pessoas fantasiadas, a rua repleta de gente brincando. Ele vendo toda cena, o carro, a alegoria do bloco. Parou, refletiu e disse: morro satisfeito, Maceió já tem seu carnaval de rua de volta”. E teve! Salve, Edécio Lopes.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: João Dionisio - Editor de D&A

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