Cidades

7 de dezembro de 2019 11:40

Transporte é difícil para pessoas com mobilidade reduzida

↑ Professora Adriana Soares conta que dificuldade de transporte a fez ganhar autonomia e começar a dirigir (Foto: Edilson Omena)

Em Maceió, 24% da população têm a mobilidade reduzida. A informação é do presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal), João Ferreira. Para essas pessoas, se locomover entre dois pontos da cidade em alguns momentos é um desafio.

Na avaliação de João Ferreira, a mobilidade é limitada. “Os ônibus não são 100% adaptados, então a pessoa não pode pegar qualquer um, tem que esperar. Os pontos e terminais não são adaptados também, têm dificuldades. Táxi é inacessível, tem o custo muito alto”.

Mesmo nos casos em que a pessoa pode pagar pelo táxi, enfrenta problemas. “Muitas vezes o veículo não atende quando sabe que é cadeirante, porque se a pessoa está sozinha é preciso contar com a ajuda do motorista, ou o carro não cabe a cadeira”, relata o representante da Adefal.

João cita o Estatuto da Pessoa Com Deficiência ao afirmar que 100% da frota deveria ser adaptada, e que essa é uma luta da associação. Segundo ele, a lei é de 2015, mas demora para ser cumprida.

“Vamos fazer uma conferência em 2020 com o tema ‘por um Brasil mais acessível’. Mas enquanto a realidade é essa, tem sido necessário o jogo de cintura, andar no que se tem”.

A professora Adriana Correia Soares convive com isso há anos. Por conta de uma poliomielite na infância, precisou andar de muletas por anos. Na fase adulta, durante a gravidez, sofreu uma queda que afetou a perna que dava apoio. “Passei minha gravidez com a perna imobilizada, porque optei por não fazer a cirurgia, já que a cirurgia trazia o risco de eu perder o bebê. Quando tirei o gesso meu filho [João Paulo] já tinha 2 meses, fiz fisioterapia. Voltei a andar, mas levei algumas quedas, e o medo foi maior.”

Na condição de cadeirante, ela percebe que a mobilidade em Maceió é complicada. A escola que trabalha é classificada como acessível, mas na verdade as rampas são muito íngremes, exigem esforço para subir.

Os transportes também não facilitavam. “Táxi chegava e dizia que não cabia a carreira, por conta do cilindro do gás”. Ela chegou a fazer amizade com um taxista que sempre tem boa vontade e sempre chama ele. Mas com o tempo decidiu ganhar autonomia, começou a dirigir.

“Foi pela dificuldade de transporte. Táxi demorava muito, foi o jeito”. Confessando que não gosta de dirigir, ela lembra que levou um ano para tirar carteira de motorista. “Mas foi necessário e hoje me ajuda muito, o fato de eu dirigir meu próprio carro”.

Hoje ela é a responsável não apenas pela própria locomoção, como também leva e busca o filho em seus compromissos.

Empresa oferece conforto no deslocamento de cadeirantes
Pensando nessa realidade, dois amigos criaram um serviço diferente para atender melhor a quem está passando temporária ou permanentemente por uma situação de mobilidade reduzida. A empresa Disloq é de Aracaju e chegou a Maceió há três meses prometendo um atendimento humanizado e diferenciado.

Carro é adaptado para que cliente não precise sair da cadeira de rodas (Foto: Cortesia)

Márcio Barros, um dos idealizadores, explica o início do trabalho. “A ideia surgiu do Emerson Pereira, meu sócio, que por anos viu as dificuldades do pai dele que utilizou uma cadeira de rodas por 10 anos por problemas de saúde”.

Então eles trabalharam em um conceito diferente, desde a adaptação do carro ao treinamento especial para os motoristas. A pessoa não precisa sair da cadeira para entrar no carro, o que muitas vezes é um incômodo. O motorista vai preparado para conduzir a pessoa na cadeira e acomodá-la no veículo, conduzir o veículo com uma velocidade segura (máxima de 45km/h), e tratar de forma diferenciada o tempo inteiro.

“Nossos condutores de Aracaju são cuidadores de idosos, já que nossos maiores clientes são idosos. O cuidador já tem uma forma de lidar com idosos, que são mais frágeis”.

Para contratar o serviço, é preciso agendar um horário com antecedência de 40 minutos. “O nosso veículo vai até a origem do translado para pegar o cliente e levá-lo ao destino. Seja da residência ao médico, ao passeio na orla, ao shopping. O translado pode ser de ida e volta como só de ida. E também o cliente pode solicitar o translado com espera. E além da pessoa na cadeira, podem ir mais dois acompanhantes além do condutor do veículo”.

Mesmo com pouco tempo, a receptividade tem sido boa em Maceió. Já foram 8 clientes com mais 20 traslados. “Muitos clientes relataram que o transporte foi muito porque, quando você vai tirar o idoso da cadeira para acomodar no carro comum, acaba machucando”.

A jornalista Laíse Teixeira relata as dificuldades enfrentadas pela família por conta de um problema temporário que sua avó está vivendo.

“Ela já teve anteriormente uma fratura de fêmur e utilizava o andador, mas há dois meses teve uma queda que fraturou o punho e por isso ficou sem poder apoiar o andador com a mão. Então estamos utilizando o serviço deles, que tem sido bom e com preço acessível. A gente tem dificuldade pra colocar ela no carro, e a Disloq facilita muito. O carro é todo adaptado, tem rampa de acesso, prende a cadeira de forma segura e pode ir até duas pessoas da família. É um conforto e uma facilidade muito grande”.

Os preços são um pouco mais altos do que os serviços de transporte comuns. Laíse conta que em um trajeto de ida e volta entre a sua casa e o médico, que pelo Uber (em momento de tarifa dinâmica) custa em torno de R$ 40, a Disloq cobrou R$ 106.

Fonte: Emanuelle Vanderlei / Colaboradora

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