Cidades

28 de novembro de 2019 09:12

Aparecimento de sal pode ser mais um indicativo de formação de cratera

Técnicos do Serviço Geológico do Brasil devem ir ao bairro do Bom Parto hoje

↑ Moradores do Bom Parto temem que sal em paredes (detalhe) tenha relação com problema do afundamento (Foto: Reprodução)

O aparecimento de sal nas paredes de imóveis no bairro do Bom Parto em Maceió pode ser um indicativo de formação de sinkhole, ou uma cratera em profundidade. A situação vai ser investigada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), técnicos do serviço devem avaliar hoje (28) o local. A preocupação é que o sal seja proveniente de reações nos vazios do subsolo, isso apontaria para um quadro de agravamento na situação.

No início do mês, a Tribuna Independente publicou material relacionando problemas no bairro do Mutange com a instabilidade do terreno. A possibilidade de colapso vem sendo defendida pela CPRM.

Procurado pela reportagem, o líder comunitário do bairro do Bom Parto, Fernando Lima detalhou o desespero da comunidade. Segundo ele, em alguns imóveis a água já está minando do chão, em outros apesar da retirada do sal nas paredes, a substância volta a aparecer. O problema ocorre em vários pontos da região que margeia a Lagoa Mundaú.

“Era só numa casa, mas agora está se alastrando e a quantidade de sal está aumentando. Ontem [quarta-feira, 27] em reunião, a situação foi discutida. O fenômeno chamado dolina. Esperamos realmente que não seja. O Thalles vai amanhã [hoje] na comunidade para in loco dizer se é ou não é. Mas que a situação está pior, isso está. Além de rachaduras e afundamentos, tem o sal. As pessoas passam a mão, limpam e volta. Em algumas casas a água já tomou e as pessoas estão saindo para casa de parentes. Na verdade, se a gente pegar a situação de rachaduras o Bom Parto está muito ruim, estão todos em situação de calamidade mesmo. As casas estão rachando e aparecendo mais. A gente está rezando para que todos estejam errados. Se uma notícia dessas se confirma a população entra em desespero”, explica o representante da comunidade.

Para o morador é preciso uma solução rápida para o problema. Ele acredita que a possibilidade de colapso na região “está prestes a acontecer”.

“É vergonhoso o que está acontecendo. Adianta fechar uma rua? E quem decide não está nem aí para a gente? Porque fim de semana eles vão para suas casas de praia e a gente é que fica no sofrimento. Não existe sentimento de resolução. Eles estão bancando deuses, escolhendo quem vai viver quem vai morrer. Estamos numa contagem regressiva. Isso pode acontecer amanhã ou daqui um ano, mas está para acontecer. E os indícios todos estão mostrando que está prestes a acontecer. Isso é chamado de colapso, são indícios de colapso. Causa desespero. Imagina chegar para uma comunidade dessas e dizer: A gente está prestes a descer. Isso causa morte de pessoas. As casas estão afundando. E o pior de tudo é que tem reunião, reunião e nada se resolve”, desabafa o morador.

“Isso tem um evento, chamado de dolina que é perigoso demais. E se for realmente dolina há um perigo muito maior do que a gente tem hoje. Na verdade a gente está torcendo que não seja, todos os indícios mostram que são, esperamos estar errados. Não queremos atrapalhar a vida de ninguém, mas alguém precisa tomar pulso para resolver. Eu espero que não se chegue a fazer matéria com corpos, que a próxima notícia não seja a de contar mortes”, enfatiza.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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