Cidades

18 de novembro de 2019 18:28

Pescadores e marisqueiras estão sofrendo com os efeitos do óleo no litoral nordestino

De acordo com pesquisador da Ufal, comercialização da pesca artesanal é a mais atingida

↑ Professor Igor Oliveira, da Unidade de Penedo da Ufal, durante atividades de extensão com pescadores (Foto: Ascom Ufal)

O professor Igor Oliveira, pesquisador do curso de Engenharia de Pesca da Unidade de Penedo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), desenvolve atividades de extensão com os pescadores de várias comunidades do litoral alagoano. Embora ainda não haja nenhuma comprovação da contaminação de mariscos e peixes por conta da mancha de óleo no mar do Nordeste, Igor relata que a comercialização da pesca artesanal já sente os efeitos do acidente.

Os pesquisadores da Força-Tarefa da Ufal estão coletando amostras de água e de animais marinhos em todo o litoral e levando para os laboratórios da Universidade, onde estão sendo realizados testes para detectar a presença de metais pesados e outras substâncias tóxicas. “Os laudos ainda serão divulgados. Embora seja preocupante, não há resultados definitivos sobre contaminação da cadeia alimentar, mas as pessoas, por precaução, estão deixando de comprar peixe e mariscos do pescador artesanal”, observa Igor.

Segundo o professor, o impacto para as marisqueiras é maior, porque elas não têm direito ao seguro – defeso, concedido de forma extraordinária pelo Governo Federal para os pescadores artesanais atingidos pelos impactos do óleo. “Em Feliz Deserto, por exemplo, houve uma grande mortandade de massunim, que é um marisco muito consumido em pratos típicos da região. As marisqueiras estão sem renda nenhuma”, preocupa-se o pesquisador.

Ele informa que ainda será necessário fazer o levantamento dos aspectos socioeconômicos desse grave derramamento de óleo no litoral nordestino. “Mas, pelo que podemos perceber, ainda superficialmente, a venda de pescado e mariscos nos hotéis e restaurantes não foi muito atingida. Como esses empresários compram o pescado que vem de outras regiões, as pessoas se sentem mais confiantes em consumi-lo. Mas para o pescador artesanal, que pesca perto da nossa costa, a queda na comercialização foi acentuada”, destaca Igor.

Fonte: Ascom Ufal / Texto: Lenilda Luna

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