Cidades

9 de novembro de 2019 14:03

Reitora da Ufal, Valéria Correia, fala sobre a gestão da Bienal do Livro

Gestora da universidade conversou com a Tribuna para falar sobre como é organizar um dos maiores eventos culturais do Estado

↑ Valéria Correia (Foto: Tribuna Independente)

Acaba neste domingo (10), a Bienal Internacional do Livro de Alagoas que teve como tema: “Livro aberto: leitura, liberdade e autonomia”. O maior evento cultural de Alagoas, este ano, veio atualizado e desafiou a criatividade dos produtores culturais em tempo de crise financeira para as universidades. A Bienal é a única do país a ser realizada por uma universidade pública e foi montada em 18 pontos do bairro de Jaraguá, numa extensão de 1.110 metros durante 10 dias. O evento tem a cara da gestão da reitora Valéria Correia, que não hesitou em propor atividades políticas com teor crítico e social mesmo em tempos de restrições democráticas no Brasil. A professora de serviço social é apegada às artes e faz em sua gestão esforços para organizar os espaços culturais da universidade. Entre essas iniciativas, a Tribuna Independente destaca a criação do novo equipamento cultural da Ufal que nasceu no sertão de Alagoas, o Grupo de Cultura Negra Abí Axé Egbé. Ele foi criado para contribuir com o desenvolvimento humano na direção da democracia, do respeito aos patrimônios, valores culturais, religiosos, antropológicos, políticos e do mundo do trabalho de afro-alagoanos e afro-brasileiros, segundo a pró-reitora de extensão da Ufal, Joelma Albuquerque. Nessa pegada, aproveitamos para bater um papo sobre cultura, política e democracia com a reitora Valéria Correia:

Tribuna Independente – Sabemos que as universidades, este ano, passam por mais dificuldades do que o normal, o que fez você apostar em realizar a Bienal do livro na rua sabendo que iria exigir uma estrutura mais complexa e que poderia, por falta de recurso, não ter dado certo?

Valéria Correia – Primeiro porque eu acredito no trabalho e no talento da nossa equipe que já vem há anos driblando crises. Fizemos essa Bienal pensando no povo alagoano e na ausência de eventos culturais gratuitos no Estado. Me disseram na rua que deveria ter todo mês. Isso reflete a falta que os alagoanos sentem de eventos assim. A rua é o lugar da liberdade e trazemos a leitura, liberdade e autonomia como nossas temas centrais de discussões durante a nossa programação.

Tribuna Independente – A luta por mais mulheres à frente dos processos políticos e de gestão tem sido uma tônica forte nos últimos tempos, como você trata isto dentro da universidade?

Valéria Correia – Nesses quatro anos de gestão, foi visível e reconhecida a capacidade feminina de liderar, decidir, produzir, coordenar projetos. A nossa gestão conta com as pró-reitoras Silvana Medeiros (Proest), Joelma Albuquerque (Proex), Sandra Regina Paz (Prograd), e Carolina Abreu (Progep), além de Regina Santos, como Superintendente do HUPAA, e de várias assessoras, diretoras e coordenadoras. As mulheres são maioria na comunidade universitária, mas ainda é preciso dar grandes passos para que elas tenham igual representatividade nos mais altos níveis de pesquisa, nas representações públicas e na direção administrativa. Essa gestão demonstra o quanto elas são capazes e devem ser reconhecidas. Mulheres precisam ocupar, cada vez mais, os espaços de poder, enfrentar o machismo e todas as formas de opressão.

Tribuna Independente – Temos recebido notícias positivas nos últimos tempos sobre o crescimento da Ufal e a sua expansão para o interior. Em números gerais, quanto a universidade ampliou de área?

Valéria Correia – Em área construída, a Ufal dobrou de tamanho nesses últimos quatro anos. Só o novo Complexo Esportivo ocupa uma área total de quase 48 mil metros quadrados, com pista de atletismo dentro dos padrões olímpicos, campo de grama sintética para futebol com alojamentos (masculino e feminino), quadra de vôlei de praia, quadra de futebol de areia e uma quadra coberta, além da reforma e ampliação da área da piscina, criando um centro de treinamento e reabilitação, e reforma do ginásio. Com a conclusão de 26 novas obras, temos um total de 77 mil metros quadrados em área construída.

Tribuna Independente – Em tempos de ataques diretos à cultura e aos artistas brasileiros, as universidades públicas têm sido o reforço para essa classe. Com a Bienal, ficou evidente que a parte cultural da Ufal é uma das coisas mais fortes da sua gestão. Como vocês construíram esse caminho?

Valéria Correia – Essa parte fica vinculada à Pro-reitoria de Extensão, que conta com o trabalho fantástico da professora Joelma Leite. Pode ser uma composição clássica de Mozart, mundialmente conhecida, ou os vários ritmos tradicionais do continente africano. Pode ser o toré indígena ou o frevo pernambucano. Não há limites nem censura para a arte e a Universidade Federal de Alagoas abraça todas as formas de expressão artística em seus equipamentos culturais. Construímos isso com muito carinho e trabalho por entender que sem autonomia não há produção de conhecimento.

Tribuna Independente – É comum ver posicionamentos políticos bem marcados vindos da Reitoria. Essa é uma característica do seu modo de fazer gestão?

Valéria Correia – Eu assumo posições ao lado do povo alagoano. Nos últimos anos, foi preciso defender os princípios do Estado Democrático de Direito e da autonomia universitária. A Ufal posicionou-se com firmeza, por meio da Reitoria e do Conselho Universitário nas principais questões que pautaram os debates sociais no Brasil. O princípio dessa gestão é ser uma universidade socialmente referenciada. A Ufal é sustentada pelos impostos da sociedade e, portanto, pertence ao povo.

Fonte: Tribuna Indepente

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