Cidades

1 de novembro de 2019 08:48

Pescadores e marisqueiras já sentem efeitos do óleo

Colônias e associações começam a ter prejuízos com vendas

↑ No povoado de São Bento, em Maragogi, marisqueira encontrou na quarta centenas de mariscos nas areias da praia (Foto: Alisson David/Cortesia)

As colônias de pescadores do Litoral Norte e algumas associações de marisqueiras já começam a sentir os efeitos negativos na venda de pescado e crustáceos provocados pelo aparecimento das manchas de petróleo cru nas praias da região. Os primeiros a sentirem os problemas foram membros da Associação Mariostra, em Porto de Pedras, que denunciaram semana passada a chegada do óleo no Rio Manguaba e uma perda de 70% na produção de ostras. Agora são as marisqueiras do povoado de São Bento, em Maragogi, que estão convivendo com o problema.

É que nos últimos dois dias resíduos do óleo que atinge o litoral nordestino desde setembro continuam a chegar às areias, tornando uma simples caminhada missão quase impossível de não se sujar os pés. As tradicionais marisqueiras do povoado de São Bento, que encontraram na manhã de quarta-feira (30) centenas de mariscos nas areias da praia estão preocupadas.

É na maré baixa, propícia para se pegar marisco, que se podem ver centenas de marisqueiras de cócoras ou sentadas na areia molhada catando o delicioso crustáceo servido em bares e restaurantes da cidade. Nos últimos três dias isso mudou, já que as pessoas estão deixando de comprar o marisco.

O povoado de São Bento, lugar dos deliciosos bolos de goma, e também o mar dos mariscos, onde até tem um festival em homenagem ao pequeno crustáceo, é a região de Maragogi que mais tem sofrido as consequências das manchas de óleo. Os pescadores do povoado também não estão indo ao mar, consequência direta do problema

Em frente ao restaurante do Mano, em São Bento, dona Hilda, antiga catadora de marisco, se queixa em silêncio, esperando que tudo acabe logo. “Não estou vendendo mais nada, pois ninguém quer mais comprar e nem na feira livre. Os donos  de restaurantes também pararam de comprar.”

Como dona Hilda, outras dezenas de marisqueiras convivem com o mesmo dilema. Para piorar, a maioria delas são casadas com pescadores, que não têm ido para a maré.

Segundo a Colônia de Pescadores Z-15, Maragogi tem 685 marisqueiras cadastradas, sendo que a grande maioria vive quase que exclusivamente do ganho da venda do marisco. O presidente da colônia, Ronaldo Fernandes, afirmou que a venda de pescados caiu bastante nos últimos dias. “Não há como negar. Os turistas, por exemplo, não têm comprado como antes por causa da repercussão do derramamento de óleo na mídia.”

Ronaldo Fernandes explica, no entanto, que ninguém precisa se preocupar, pois a maioria dos peixes que a colônia vende é pescado no alto-mar, onde não há vestígio do óleo.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

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