Cidades

17 de outubro de 2019 08:26

‘Braskem precisa ser indiciada’, diz vereador

Francisco Sales entregou relatório à Polícia Federal e Polícia Civil; Braskem discorda do indiciamento

↑ Vereador Francisco Sales também cobrou o indiciamento de representantes da Agência Nacional de Mineração (Foto: Edilson Omena/arquivo)

O vereador Francisco Sales voltou a cobrar o indiciamento de representantes da Braskem e Agência Nacional de Mineração (ANM) pelo processo de afundamento nos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange. Nesta quarta-feira (16), o presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Maceió, que apura a situação, esteve nas sedes das Polícias Federal e Civil para entrega do relatório.

“A gente pede o indiciamento, tanto dos diretores da Braskem, quanto do atual presidente da Agência Nacional de Mineração, quanto dos ex-presidentes. A gente pede indiciamento. A Braskem precisa ser indiciada. E hoje [quarta, 16] nossa ida a Polícia Federal foi para pedir esse indiciamento e que seja feito da melhor forma possível”, disse.

Na semana passada, o relatório já havia sido entregue à Bancada Federal Alagoana. Além de protocolado no Senado e Presidência da República.

“Nós entregamos na Polícia Federal e também na Polícia Civil pedindo que eles entrem na investigação. Até porque nós sabemos o papel tanto da Polícia Federal, quanto da Polícia Civil e realmente a gente precisa que eles entrem com as investigações para que a gente possa responsabilizar verdadeiramente os culpados. Também entregamos à Comissão Externa da Câmara Federal, entregamos ao MPE e ao MPF, entregamos também no Senado e protocolamos na Presidência da República”, afirmou o vereador.

A possibilidade de indiciamento é contestada pela Braskem. Em nota, a empresa afirma que discorda do posicionamento da Comissão.

“A Braskem discorda da sugestão de indiciamento de seus executivos que consta no relatório da CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Câmara dos Vereadores do Município de Maceió e reafirma o seu comprometimento e sua atuação responsável com as pessoas de Alagoas, onde atua há mais de 40 anos”, pontuou.

A empresa disse ainda que contribuiu com informações para a CEI e que “segue empenhada” para a solução da problemática.

“A Braskem reitera que sempre colaborou com as apurações sobre a situação dos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro, participou de todas audiências agendadas e forneceu todas as informações solicitadas pelas autoridades. A empresa segue empenhada em contribuir na identificação das causas e soluções para os eventos que afetam os bairros e tem cooperado com a adoção das medidas emergenciais necessárias, definidas em Termo de Cooperação com os Ministérios Públicos Estadual e Federal, Município de Maceió e Crea-AL”, explicou em nota.

Não há informações sobre prazos de atuação das polícias

 

Apesar da entrega do documento, não há informações quanto aos prazos para que a atuação das Polícias comece. A Superintendência da Polícia Federal em Alagoas foi procurada pela reportagem, mas até o fechamento da edição a assessoria não conseguiu obter as informações.

A Polícia Civil de Alagoas (PC/AL) também foi questionada e informou que a delegada-adjunta Kátia Manuele está coletando informações sobre o caso. “Ela ainda está analisando para definir o que será feito”, explicou a assessoria.

Segundo Francisco Sales, a delegada-adjunta recebeu o relatório e vai acompanhar o caso.

“A delegada adjunta, Dra. Kátia Manuele se comprometeu com a CEI a entrar em contato com outras entidades, como MPE e MPF, para que pudesse se inteirar e ao mesmo tempo participar ativamente desse processo de investigação”, detalhou Sales.

A necessidade de respostas por parte dos poderes tem sido uma constante cobrança das lideranças comunitárias dos bairros.

Para o vereador, a cobrança é legítima. “Ninguém quer mais conversa. As pessoas querem atitudes, ações. As pessoas estão certas em cobrar. Infelizmente nós sabemos como é o trâmite da Justiça. E o que as pessoas querem são os resultados. Eu posso me comprometer pela Câmara e pela CEI que a gente vai continuar buscando, cobrando. Mas infelizmente não podemos dar prazo.”

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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