Cidades

Mais de 1.300 famílias serão retiradas do Mutange e Pinheiro

Liberação dos imóveis do Minha Casa Minha Vida deve ocorrer em dez dias, mas planejamento para remoção exige mais tempo

Por Evellyn Pimentel com Tribuna Independente 10/10/2019 09h06
Mais de 1.300 famílias serão retiradas do Mutange e Pinheiro
Reprodução - Foto: Assessoria
Um total de 1.331 famílias das encostas do Mutange e Jardim Alagoas devem ser transferidas para outras áreas da capital. Como a Tribuna Independente já havia adiantado, 740 famílias irão para unidades habitacionais no Benedito Bentes e Rio Novo. As demais, 591, receberão aluguel social até que outras unidades estejam concluídas. De acordo com a Secretaria Municipal de Governo (SMG), todos os cadastros e documentações já foram inseridos na plataforma do Governo Federal que trata sobre situações de calamidade. Agora, a Prefeitura aguarda o retorno da Caixa Econômica Federal (CEF) que deve ocorrer no prazo de dez dias para então iniciar o Plano de Ação. “A gente está preenchendo todas as informações, por se tratar de calamidade. Já foi dada toda a documentação, entregues todos os relatórios, inclusive a documentação e todos que serão beneficiados pelo Minha casa Minha Vida. Mandamos todos os 1.331 que foram cadastrados no aluguel social. Como falei, 740 irão para os imóveis e a diferença receberá aluguel social. E em dezembro/janeiro receberão o Minha Casa Minha Vida. O protocolo já foi preenchido, com o reconhecimento da calamidade e autorização a Caixa Econômica, a gente acredita que no prazo mais célere, em dez dias, teremos a autorização. O aluguel social já foi todo cadastrado, estão abrindo as contas e separando por lotes para liberar os recursos, mas só se fará de forma conjunta, não adianta dar o imóvel e não pagar o aluguel social, há um sincronismo aí. As tratativas estão acontecendo”, esclarece o secretário Eduardo Canuto. A Prefeitura ainda não tem uma data exata para conclusão desses trabalhos.  Mesmo com a autorização para liberação dos imóveis, a remoção das famílias não ocorrerá de forma “imediata” segundo o secretário. É que questões como preferência de moradores, logística, transporte e interdição dos imóveis antigos também estão envolvidas e deve levar um pouco mais de tempo. “Com as concessões do Minha Casa Minha Vida a gente tem que priorizar,  através de georreferenciamento ver quais são essas residências com pessoas com enfermidades, idoso, deficientes físicos, enfim, porque a opção pela habitação foi aleatória. Numa rua tem uma pessoa que vai para o Minha casa, Minha Vida e dois que vão para o aluguel social. Há uma necessidade de um melhor entendimento. Imagine evacua 1.331 famílias, tem que haver planejamento do trânsito, da linha ferroviária. Evidente que essas casas serão tornadas inabitadas. São vários procedimentos, mudança, caminhão... Estamos trabalhando minunciosamente cada item com o segmento das pastas. Não é algo simples se for analisado de forma fria”, pontua. “Não é só a liberação da casa e todo mundo vai embora”, diz secretário   Eduardo Canuto destaca ainda que diversos órgãos públicos estão atuando em conjunto. “Estamos trabalhando a Secretaria de Segurança Comunitária, Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, serviços essenciais como água e luz. Enfim, é uma coisa bem complexa, não é só a liberação da casa e todo mundo vai embora. Tem outro aspecto. A maioria quer ir para o Benedito Bentes, apenas 90 querem ir para o Rio Novo. Tudo isso está sendo administrado, não é fácil. Mas a gente está trabalhando diuturnamente. Ainda não temos uma finalização de todas as nossas preocupações”, detalha. RELEMBRE O CASO Em setembro deste ano, Prefeitura de Maceió publicou decreto que renova a situação de calamidade pública nos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange. Os bairros foram setorizados por áreas de menor e maior grau de risco por conta de instabilidades e afundamento de solo. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a causa do afundamento é a mineração de sal-gema realizada pela empresa Braskem S/A. A empresa, por sua vez nega a responsabilidade e afirma que tem realizado estudos que apontam outras possíveis causas para o processo. Enquanto isso, mais de 40 mil moradores afetados nos três bairros aguardam definição de imbróglio judicial para reparações.