Cidades

21 de setembro de 2019 09:24

Gestores não avaliam estudos da Braskem

Prefeitos e vereadores do Litoral Norte acham cedo para comentar pesquisas para exploração de sal-gema na região

↑ Presidente da Câmara Municipal da Barra de Santo Antônio, José Flávio dos Santos: “questão deve ser tratada com muita cautela” (Foto: Edilson Omena)

A possível exploração de sal-gema pela Braskem em municípios como Maceió, Paripueira e Barra de Santo Antônio tem sido motivo de muita especulação. Mas para as prefeituras dos municípios ainda é cedo para avaliar a situação.

A falta de informações oficiais impede, segundo os gestores, uma discussão em torno da possibilidade.

“A princípio essa possibilidade não passa de especulação e oficialmente nenhum dos dois municípios, Barra de Santo Antônio e Paripueira, foram informados ou procurados para discutir a questão. Só após a concretização do fato, se por acaso houver, as gestões dos referidos municípios se pronunciarão” informaram as prefeituras em nota conjunta.

De acordo com o presidente da Câmara de Vereadores da Barra de Santo Antônio, José Flávio dos Santos, o assunto deve ser tratado com muita cautela.

“Na verdade é uma coisa que não sabemos ainda. Não chegou nada para a cidade. Se especula, mas não temos conhecimento ainda, estamos aguardando essa posição para avaliar… É o que temos que fazer: avaliar. Estudar muito, principalmente sobre a segurança. Se é viável para o município ou não. Porque se for algo benéfico para o município, como geração de empregos renda. Mas temos que pensar também na questão da segurança. Nossa maior prioridade é a segurança dos nossos munícipes. Não chegou nada oficial e até porque se chegar precisamos avaliar, ter muita cautela, muito cuidado”, avalia o vereador.

Entre os moradores da Barra de Santo Antônio pouco se comenta sobre o assunto.

Já no município de Paripueira, o tema tem sido mais abordado. É o que afirma o aposentado Joel Osório.  Morador de Paripueira “desde o nascimento” ele afirma que a possibilidade de operações no município é positiva.

“Dizem que vai colocar e vai cair, por mim pode cair [risos] desde que traga progresso e trabalho para o povo. As pessoas comentam. Eu moro aqui desde que nasci, não vejo problema. Pelo menos traz alguma coisa né?”, avalia.

O comerciante Cláudio Silvestre comenta que muitos dos seus clientes falam sobre o assunto. No entanto não há, segundo ele, consenso entre as opiniões. “a gente está sabendo… Ouviu falar… É um negócio meio escabroso. Porque o que está acontecendo lá embaixo [Maceió] vir para cá. Mas o pessoal diz que não vai passar aqui. Mas a gente não sabe. Amanhã ou depois acontecer algo aqui. As pessoas comentam, tem gente aqui que já trabalha por lá. Enfim muita gente fala né, mas, quando vai perguntar o que acham ninguém quer se comprometer por causa desse negócio de política, diz o comerciante.

Para o também morador de Paripueira, Pedro Gomes há rumores na cidade, mas nenhuma informação concreta.

“Eu já ouvi falar, não sei ao certo. Parece que a Braskem vem para cá. Para mim se for melhorar o trabalho dos outros e dar emprego para a população é bom. Vamos ver o que vai acontecer. Eu estou falando aqui mas não sei onde vai ser. Ouvi falar que ia ser em Riacho Doce. O povo fala que aqui tem muita sal-gema, vamos ver”, comenta.

Empresa pediu autorização para pesquisar

A Braskem S/A solicitou à Agência Nacional de Mineração (ANM) sete autorizações para pesquisa no Litoral Norte de Alagoas.

O objetivo seria identificar jazidas viáveis à exploração de sal-gema.  A área a ser pesquisada tem cerca de 13.800 hectares e fica situada em área rurais dos municípios de Maceió, Paripueira e Barra de Santo Antônio.

Os requerimentos foram solicitados entre os dias 31 de julho e 1º de agosto deste ano.

De acordo com o protocolo padrão da Agência Nacional de Mineração, cada pedido leva de dois a quatro meses para ser oficializado. No entanto, não há oficialmente prazos em relação a estes requerimentos. Já as pesquisas podem durar de dois a três anos.

A quantidade de áreas solicitadas – sete – pode ser explicada pelo limite máximo de cada área de pesquisa: dois mil hectares.

A Braskem já havia informado que não deve voltar a explorar sal-gema nos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange, no entanto, não disponibilizou informações acerca dos requerimentos de estudo.

Fonte: Tribuna Independente

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