Cidades

20 de setembro de 2019 16:20

Ave extinta na natureza retorna para as matas de Alagoas

Mutum-de-alagoas é um animal raro que será reintroduzido em seu habitat natural dentro de cinco dias

↑ Preparação de um dos mutuns para a viagem para Alagoas (Foto: Ascom IMA/AL)

Dentro de cinco dias, Alagoas será o primeiro Estado brasileiro a reintroduzir à natureza uma ave extinta em seu habitat natural. Após 30 anos, três casais de Mutum-de-alagoas voltarão ao habitat natural através de uma ação coordenada pelo chamado Plano de Ação Estadual (PAE), composto por entidades do poder público, da sociedade civil e da iniciativa privada.

O PAE é formado pelo Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA/AL), Instituto de Proteção a Mata Atlântica (IPMA), Ministério Público Estadual (MPE), Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Sindicato do Açúcar e do Alcool (Sindaçucar) e Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA).

Contando, ainda, com a colaboração da Universidade de São Paulo (USP), Museu de Zoologia da USP (MZUSP) e Universidade Federal de São Carlo (Ufscar).

“O mutum é uma espécie de extrema importância, mas a proteção dele vai beneficiar dezenas, talvez centenas de outros animais”, disse Epitácio Correia, gerente de Fauna, Flora e Unidades de Conservação do IMA/AL, sobre a importância da ação batizada com o nome de “vamos trazer esse alagoano de volta”.

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Roberto Azeredo, do Crax, Alberto Fonseca, do MPE, e Eppitácio Correia, do IMA, na organização para levar os animais de Minas para Alagoas (Foto: Ascom IMA/AL)

O Instituto é o órgão responsável pela gestão da fauna silvestre de Alagoas e tem acompanhado de perto todo o processo, colaborando com a regularização e licenciamento do viveiro de aclimatação, manejo do animal e as ações de identificação e proteção da área onde haverá a soltura na natureza, com o apoio e ação direta do BPA.

Mutum em Alagoas

O Mutum-de-alagoas é uma espécie endêmica que foi extinta na natureza, há cerca de 30 anos, principalmente por causa da ação dos caçadores e do desmatamento das áreas de mata atlântica para a expansão da cultura da cana-de-açúcar. Os dois primeiros animais que retornaram ao Estado foram inseridos em um viveiro especialmente construído para eles, com o nome de Pedro Nardelli, em terras da Usina Utinga, em Rio Largo.

O nome do viveiro foi escolhido em homenagem ao homem homônimo que, há mais de 40 anos, percebendo a diminuição do animal em seu habitat, conseguiu capturar três indivíduos e levar para um viveiro autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No local foi feita a reprodução para manutenção da espécie.

O primeiro casal tem seis anos de idade, chegou ao Estado no dia 19 de setembro de 2017 e foi apresentado como ave símbolo de Alagoas, pelo governador Renan Filho, durante uma solenidade especialmente organizada, no dia 22 de setembro daquele ano.

A reintrodução na natureza acontece exatos dois anos depois da chegada do primeiro casal. Para a ação, foram buscados outros três casais em um dos principais locais de estudo e reprodução dessa e de outras espécies de mutuns, a Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre (CRAX).

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Sinalização da área próxima ao local de soltura dos animais (Foto: Ascom IMA/AL)

Segundo Gustavo Lopes, diretor-presidente do IMA, espera-se que os animais consigam se readaptar na natureza e se reproduzir. Ele explica que os dois primeiros continuarão no viveiro e os outros seis animais serão levados para uma mata existente dentro de uma reserva.

“Temos feito um trabalho muito interessante para a criação de Unidades de Conservação, principalmente com as Reservas Particulares de Patrimônio Natural que tem um caráter de perpetuidade e amplia nossas áreas preservadas. E a gente sabe que mata em pé significa biodiversidade garantida, fauna preservada. É para um lugar desses que o mutum será levado”, comentou Gustavo.

Ele disse, ainda, que o local foi devidamente sinalizado e será constantemente vistoriado, não apenas para verificar a adaptação do animal, mas também por causa dos riscos. Isso porque, segundo Epitácio Correia, gerente de Fauna, Flora e Unidades de Conservação do IMA, a “maior ameaça para esse programa e para os animais continua sendo a caça”.

O gerente alerta que as fiscalizações serão rotineiras e que pessoas que sejam flagradas, principalmente caçando, sofrerão sanções pecuniárias e responderão a processos administrativos e criminais, com sérios agravantes por causa da importância da ação.

Os representantes do Instituto alertam ainda que qualquer pessoa que souber de infrações dessa natureza pode denunciar através do aplicativo IMA Denuncie, do 0800 082 1523 e do WhatsApp 988339397.

Fonte: Ascom IMA/AL

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