Cidades

14 de setembro de 2019 09:18

“Bienal será mais integrada com a sociedade”

Jaraguá será palco desta 9ª edição, que terá formato descentralizado e sustentável, segundo coordenadora-geral do evento

↑ Valéria Correia diz que Ufal é a única universidade brasileira a realizar um evento desta dimensão (Foto: Adailson Calheiros)

O bairro histórico de Jaraguá será o palco para a 9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas que acontecerá de 1º a 10 de novembro deste ano. O tema escolhido foi ‘’Livro Aberto: Leitura, Liberdade e Autonomia’’. O evento que é consolidado como o maior evento literário, cultural e social do estado vai além dos “muros” da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) para promover a acessibilidade à leitura e à cultura com o intuito de estar mais perto da sociedade. A palavra de ordem para esta edição, segundo os organizadores, é a interação.

“O caráter público da Bienal é agregar os mais diversos segmentos e pessoas de classes sociais diferentes, garantindo que todos tenham experiências ricas de troca de vivências a partir da literatura, reunindo valores sociais e culturais possibilitando que os dez dias ocorram com muita alegria, arte e cultura”, destaca a coordenadora-geral da 9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas e diretora da Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), Elvira Simões Barretto.

SUSTENTABILIDADE

Elvira destaca que a Bienal será um livro aberto escrito em várias mãos e com um, formato sustentável. “Ou seja, é a interação não só do público, como também dos nossos patrocinadores e colaboradores. O projeto é completo. Fizemos um estudo bem complexo para a realização desta Bienal que além de ir até a sociedade, visa à sustentabilidade. Pois iremos discutir a necessidade de sermos sustentáveis’’.

A ideia segundo os organizadores é minimizar todos os efeitos poluentes através de atitudes simples e eficazes. Seja Eliminando as sacolas plásticas das editoras, trocando por sacolas de papel e ecobags e até a separação dos lixos nos estandes, por exemplo. 

A praça de alimentação trabalhará apenas com copos, pratos, embalagens e canudos de papel. Uso de papel semente para crachás, cartões e selos que deverão ser entregues a todos que comprarem livros para que plantem e pratique o respeito ao meio ambiente, segundo consta no projeto desta edição.

Evento vai ocupar espaços públicos e prédios históricos

A coordenadora conta que a 9ª Bienal irá ocupar vários espaços do bairro com feira de livros, com lançamentos de novos títulos, oficinas e palestras, rodas de conversa, espetáculos de música, dança, teatro e outras expressões artísticas. Além de contação de histórias, espaços de convivência e alimentação.

70 estandes serão montados em Jaraguá para a 9ª Bienal do Livro de Alagoas, que acontece de 1º a 10 de novembro (Foto: Adailson Calheiros)

 “Durante os dias de evento, iremos interagir com autores e livreiros, professores alunos de rede pública e privada de ensino da educação infantil ao nível superior. E claro, com nosso objetivo que é promover uma reflexão sobre nossos processos de formação histórica, autonomia, construção de identidade local e nacional’’, ressalta Barretto.

Além disso, Elvira destaca que a Bienal é um evento que pretender debater assuntos relevantes para a população. “O trajeto inicia no arquivo público, e vamos utilizar os espaços públicos e prédios históricos, todos com atividades, inclusive um local todo com o principio de sustentabilidade, locais especiais para receber também as crianças. Iremos abrir os agendamentos para as escolas em breve. A ideia é receber 1.500 alunos das escolas públicas e privadas”.

“Mesmo com cortes nos recursos, Bienal está consolidada’’

Em tempos como este, de tantos cortes nos orçamentos das universidades e da pesquisa,  a reitora da Ufal, Valéria Correia afirma que apesar de ser um desafio, a Bienal está consolidada por ser um evento esperado por toda Alagoas.

“Destaco que temos uma equipe forte – no empoderamento feminino, buscamos a criatividade, a solidariedade e a determinação que são caraterísticas das mulheres no espaço de poder. E, neste sentido, eu e Elvira Barretto, diretora da Edufal, e uma equipe competente estamos buscando alternativas. Compreendemos a dimensão deste evento, somos a única universidade brasileira a realizar. Já é um evento esperado. Estamos buscando as parcerias que já vêm de outras bienais. Porém desta vez com maior participação. São parceiros de iniciativas públicas e privadas, e tudo isso colabora que mesmo com poucos recursos, mas com muitas parcerias consigamos realizar um evento brilhante’’, explica Correia.

Valéria lembra e comemora um fato importante para a academia. “Ressalto que hoje [quinta-feira, 12], é um dia importante para a universidade, o resultado foi ontem [quarta-feira, 11], mas agora é que estamos nos comunicando mais e apreciando mais o resultado que coloca a Ufal entre as mil melhores do mundo. Estamos no Ranking Mundial das Universidades (World University Rankings), que existe há 15 anos”, e relembra que anterior a este, a Ufal estava entre as 170 melhores da América Latina.

“E agora com este espirito de otimismo iremos realizar a Bienal mais integrada com a sociedade. São 18 anos de existência, já que este é o nono ano. É um diferencial. Mesmo em uma época de crise, a Bienal despertou o interesse nacional de vir e participar deste formato”, comemora a reitora.

LANÇAMENTOS

Novas 25 obras todas voltadas para assuntos ligados à diversidade e minorias serão lançados durante a Bienal. “O edital que lançamos com um tema proposital vai levar ao mercado novos títulos com temas da visibilidade religiosa, oriental sexual, étnico racial e outras. Nos tempos de intolerância é significativo que a universidade cumpra esse papel social. As caraterísticas da Bienal e do tema escolhido vêm fortes. A leitura, liberdade e autonomia, é o que Alagoas precisa, o Brasil e o povo precisam. Liberdade de conhecer tudo, todas as áreas vêm sendo negado ao povo. E o evento vai levar isso à tona com os saberes populares que irão compor também nosso cenário’’, diz Valéria Correia.

Além dessas obras já confirmadas, outras de editais específicos serão lançadas durante todo o evento, incluindo os autores “alternativos’’ que lançaram novos títulos na “Praça de Autógrafos’’.

PÚBLICO

A expectativa dos organizadores é de mais de 250 mil visitantes durante os dez dias de eventos que vai devolver ao bairro histórico do Jaraguá, o seu protagonismo cultural reintegrando o bairro e seus significados para a população. Consolida o Estado na vanguarda dos eventos culturais nacionais e também como um destino eficiente para o turismo de negócios no país.

Comparando com a Bienal de São Paulo 2018, que teve um custo da ordem de R$ 32 milhões, contou com 197 empresas e um público total da ordem de 650 mil pessoas, sendo 100 mil alunos, durante o período de 10 dias da sua realização, o custo-benefício para a Bienal Internacional do Livro de Alagoas está estimado  em R$ 3 milhões e contará com 143 empresas e um público estimado em 250 mil pessoas, sendo 50 mil alunos, por igual período de realização. ‘’Assim, temos proporcionalmente uma excelente relação de custo-benefício para um evento de tal porte’’, avalia os organizadores.

Evento contará com 71 estandes e cerca de 60 editoras

Segundo Elvira Barretto, a programação está sendo construída. Serão 71 estandes montados no bairro, e cerca de 60 editoras e livrarias irão comercializar obras durante os dias de evento.

Além disso, as tradicionais palestras e bate papos, oficinas e lançamentos de livros. Estarão presentes autores e escritores de nomes nacionais e internacionais. A coordenadora ressalta a presença dos autores alagoanos também. Entre os nomes que já confirmados estão Gustavo Lacombe, Mara Moira, Angélica Rizzi e Heron Cordeiro. “Os demais a gente vai divulgar no lançamento oficial desta edição. Mas teremos grandes nomes’’, acrescenta a coordenadora.

“A equipe da Edufal já está trabalhando para receber o público, alunos, visitantes e toda a sociedade. Queremos valorizar também nossos autores, nossos artistas, pois este espaço também foi feito para eles. A proposta é oferecer uma homenagem à população. A ida para o bairro não é apenas um desejo antigo, não é apenas inspirado na Bienal de Paraty, no Rio de Janeiro, mas sim mostrar que a universidade tem este papel de interagir, de levar informação que é o perfil desta gestão. Essa proposta é coerente, somos facilitadores de um processo. As iniciativas da universidade durante o ano inteiro na maioria das vezes são pontuais. E, agora, com o festival literário e cultural que é o perfil desta edição vamos juntar talentos da literatura, cultura e arte e incentivar o pertencimento ao bairro, a nossa história, inclusive com homenagem a Moçambique, a Zumbi dos Palmares e outros”, antecipa Elvira Barreto.

Para a reitora da Ufal, Valéria Correia, a ida da Bienal para o ‘’coração de Maceió’’, que é o famoso bairro histórico de Jaraguá, é consolidar o pertencimento da universidade com toda Alagoas.

“É uma forma simbólica, do ponto de vista que a universidade já está dentro da sociedade através dos grupos de pesquisas, extensão, e nesse sentido, estarmos dentro do bairro histórico da capital. Significa que a Ufal se abraça e se consolida a este laço forte universidade/sociedade – junta vários fatores como a história da cidade, a história do estado e a gente se integra a isso”, comenta a reitora.

Fonte: Lucas França / Tribuna Independente

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