Cidades

18 de julho de 2019 09:08

Autorização para transplantes de fígado será solicitada

Estado está em preparação do serviço para iniciar o protocolo de pedido de autorização ao Ministério da Saúde

↑ Secretário diz que transplante deve começar na Santa Casa e depois no Hospital Metropolitano (Foto: Carla Cleto)

A realização de transplantes de fígado em Alagoas deve se tornar uma realidade nos próximos meses. É o que garante o secretário estadual de Saúde, Alexandre Ayres. O Estado está em preparação do serviço para iniciar o protocolo de solicitação da autorização.

“Nós temos uma dificuldade em razão da ausência do transplante de fígado em Alagoas. Então estivemos em conversa com os médicos daqui, com alguns especialistas e encontramos um caminho a ser percorrido e devemos anunciar nos próximos meses a inclusão de Alagoas no hall das cirurgias de transplante de fígado”, aponta Alexandre Ayres.

O secretário explica que inicialmente os transplantes devem começar a ser feitos na Santa Casa de Misericórdia de Maceió. Já a partir de 2020, a previsão é que passem a ser realizados no Hospital Metropolitano.

“A ideia é que o transplante comece a ser feito na Santa Casa de Misericórdia e futuramente,  a proposta é realizar no nosso próprio hospital, no Hospital Metropolitano, que o Governo de Alagoas está construindo e deve ficar pronto para a população no início de 2020”, diz.

Atualmente para receber um fígado, o paciente alagoano precisa se inscrever na lista de espera de outros estados, já que Alagoas faz apenas a captação do órgão, isto é, retira do doador e encaminha ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

“Desde o fim de outubro de 2016 nós fazemos a captação do fígado, ou seja, nós retiramos o fígado e ofertamos para a Central Nacional de Transplantes fazer a distribuição entre os estados. Em 2017, nós captamos 14 fígados, 2018 nós captamos 18. Está existindo um volume e os pacientes acabam tendo que aguardar o transplante em outro local. Há dificuldade porque os pacientes precisam viajar para outro estado. Agora, nós estamos na etapa de organização do serviço para solicitar o credenciamento ao Ministério da Saúde”, explica Daniela Ramos, coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas.

Inclusão gera economia aos cofres públicos e qualidade de vida

Alexandre Ayres avalia que a inclusão de Alagoas deve gerar economia para os cofres públicos e principalmente dar qualidade de vida ao paciente.

“Nós teremos economia porque deixaremos de pagar o transporte, porque há um custo de passagem para o paciente e o acompanhamento. Nós iremos economizar também no transporte de órgão, porque muitas vezes precisamos transportar de helicópteros porque a validade do órgão é pequena e precisamos fazer um trabalho com muita rapidez e eficiência, mas a questão mais importante de tudo que a gente tem olhado é o lado humano, é trazer a possibilidade que esse paciente alagoano, com problema sério de fígado, possa se operar aqui, perto da família, perto dos amigos”, ressalta o secretário.

De acordo com a Daniela Ramos, a mudança deve ser preponderante para o suporte aos pacientes.

“Imagine que você tenha que se inscrever em outro estado, quando se tem a indicação de transplante, você já tem uma saúde prejudicada, então você vai ter que viajar, chega lá ainda depender de exames, pode viajar e com o exame o órgão não dar certo, ou então o paciente vai lá transplanta, não tem parente para ficar, tem que arcar com a despesa, são vários fatores que dificultam que para o paciente não é legal”, destaca Ramos.

Além do transplante de fígado, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) deverá também investir na retomada dos transplantes de rins em Alagoas. O programa de transplante desse órgão já é credenciado no estado, mas foi suspenso. O secretário afirma que uma contrapartida do governo local será dada para que os pacientes voltem a ser transplantados em Alagoas.

“Nós já realizamos transplantes de córnea, coração e agora iremos realizar o de fígado. Além disso iremos fortalecer o transplante de rins, que já existe em Alagoas, mas foi suspenso por um tempo em razão do baixo financiamento por parte do Governo Federal. Nós iremos dar um incentivo para que esse tipo de transplante volte a ser feito no estado”

A suspensão segundo Daniela Ramos se deu pela baixa remuneração ofertada pelo Ministério da Saúde. A tabela de cobrança dos procedimentos tem valores vigentes há cerca de vinte anos.

“A gente está com um gargalo em relação a essa situação porque a tabela SUS, tem mais de 20 anos sem atualização. Nós estamos lidando com uma tabela defasada. Os transplantadores alegam que o dinheiro não dá para os pacientes, então temos diminuído o número de transplantes por conta disso. Mas também com a vontade da gestão e o apoio que ele [secretário] vem dando, haverá um incentivo estadual para que se dê continuidade positivamente”, pontua a coordenadora.

Pacientes que necessitam de transplantes são graves

A hepatologista Marta Mesquita explica que os pacientes que necessitam de um transplante de rim são pacientes de quadro grave, quando ocorre a falência do órgão, isto é, não há mais o funcionamento.

“Existem critérios para transplante de fígado. É quando existe a falência do órgão. Existem doenças específicas. E os critérios são de acordo com a gravidade, determinados pelo Ministério da Saúde”, esclarece a médica.

Ela afirma que do ponto de vista clínico, o ideal é que os pacientes sejam atendidos em centro de referência local.

“Os pacientes tem acesso ao transplante em outros estados. O custo aumenta muito para os gestores públicos. O ideal é ter centro de referência em Alagoas”, resume.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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