Cidades

10 de julho de 2019 09:07

Formas de indenização dividem moradores de bairros afetados por rachaduras

Diversas reuniões são realizadas para se chegar a um consenso nos bairros sobre receber imóvel, dinheiro ou carta de crédito

↑ Moradores do Pinheiro, um dos bairros atingidos, debatem junto com os demais, formas de indenização (Foto: Divulgação)

Líderes comunitários dos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange seguem em tratativas com a Prefeitura de Maceió e Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) para definir como se dará o processo de ressarcimento dos danos materiais e morais causados pelo afundamento como efeito da atividade mineradora. Segundo moradores, a opção de receber um imóvel como indenização é “inviável”, a expectativa deles é de que as indenizações ocorram em dinheiro ou como carta de crédito imobiliário.

Para o morador do bairro do Pinheiro, Gabriel Tenório, a mudança de moradores para a parte alta da capital – local onde estão sendo construídos os novos residenciais -, prejudica as famílias.

“Vamos discutir em defesa da indenização em dinheiro, é a expectativa dos moradores. O imóvel é muito distante para a realidade de vida dos moradores. Muito distante, os meios de vida das pessoas são aqui, na lagoa e no mercado da produção, é inviável”, pontua o morador.

Antônio Manoel, um dos líderes comunitários do bairro do Mutange avalia que é preciso que as famílias afetadas decidam qual a melhor opção.

“A comunidade é que vai e tem que decidir se vai receber em dinheiro, imóvel ou em carta de crédito. Não tem nada definido ainda. Vai ser marcado novo encontro, porque vamos procurar saber o que os moradores querem”, diz.

Já o morador Maurício Mendes do bairro do Pinheiro, acredita que receber um imóvel deve ser a opção para os moradores do Mutange e Bebedouro, embora afirme que para o Pinheiro a saída seja outra.

“Pelo que tenho acompanhado nas reuniões, essa opção vai ser aceita, principalmente pelas comunidades do Mutange, que já era uma área de risco, percebo que eles veem com bons olhos. Pelo que a gente tem participado das reuniões, essas unidades habitacionais seriam destinadas as pessoas do Mutange, o pessoal do Pinheiro seria para outro momento”, afirma o morador.

O presidente do TJ/AL, Tutmés Airan se manifestou de forma contrária a indenização em dinheiro para os moradores afetados. Para ele, pode desencadear.

“Na minha avaliação a melhor opção é o imóvel ou a carta de crédito. Meu medo é eles receberem o dinheiro e gastarem com outra coisa. E depois vão morar onde?”, disse Tutmés durante reunião com os representantes dos moradores.

De acordo com a Prefeitura de Maceió, três residenciais em fase de construção aguardam liberação do Governo Federal para que sejam destinados às famílias que serão retiradas dos bairros do Mutange e Bebedouro.

“Os Residenciais Vale Bentes I e II, e Vale do Parnaíba aguardam autorização do Governo Federal para que as unidades sejam destinadas a estas famílias”, informou a Secretaria Municipal de Comunicação. No entanto, de acordo com a Prefeitura de Maceió, três residenciais em fase de construção aguardam liberação do Governo Federal para que sejam destinados às famílias que serão retiradas dos bairros do Mutange e Bebedouro.

“Os Residenciais Vale Bentes I e II, e Vale do Parnaíba aguardam autorização do Governo Federal para que as unidades sejam destinadas a estas famílias”, informou a Secretaria Municipal de Comunicação.

Há opção de entregar imóveis, diz vice-prefeito

 

Conforme adiantou a Tribuna Independente na edição desta segunda-feira (9), o vice-prefeito e secretário Municipal de Assistência Social, Marcelo Palmeira confirmou que há intenção de indenizar parte das famílias com os imóveis, entretanto, essa seria uma “segunda etapa”.

“Existe uma tendência para isso [entrega de imóveis], mas como conversamos com o presidente [Tutmés Airan], nós só vamos definir isso quando as famílias já estiverem retiradas da área, já estiverem com aluguel social, esta será uma segunda etapa, de ver como será feita essa indenização”, afirmou Marcelo Palmeira.

CADASTRO

Durante a tarde desta segunda, uma nova reunião entre representante dos moradores e Prefeitura ocorreu para detalhar como ocorrerá o cadastramento para as áreas.

Nesta fase, mais de 2 mil famílias serão registradas segundo a Prefeitura. Ao fim do cadastro, elas deverão aguardar os valores correspondentes ao aluguel social para então deixar as moradias.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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