Cidades

2 de julho de 2019 09:45

Em Penedo, tecnologia reduz 66% das internações no SUS

Startup é criada para diminuir atendimentos

↑ Tecnologia alagoana ajuda a diminuir internações de doentes crônicos no SUS monitorando a saúde dessas pessoas rotineiramente (Foto: Arthur Melo)

“Parar de esperar que doentes crônicos tenham uma crise – e precisem de atendimento de urgência – e passar a monitorar a saúde dessas pessoas rotineiramente. Essa é a proposta da startup penedense PGS Medical para reduzir em até 90% o atendimento em prontos-socorros do SUS (Sistema Único de Saúde) e 66% das internações de pessoas diagnosticadas com doenças como obesidade, hipertensão, diabetes e Alzheimer.

Os diretores da startup, Gustavo Menezes, Marcos Maggi, e a coordenadora técnica na Área de Saúde da PGS, Karini Omena, detalharam como funciona a plataforma ao TH Entrevista dessa semana.

A solução parece óbvia para quem é partidário da atenção básica e conhece o trabalho das equipes da Saúde da Família, por exemplo. Prevenir é sempre melhor do que remediar. Mas para os fundadores da empresa de parceria público-privada, o que falta nesta equação lógica é algo tão básico quanto: tecnologia.

De acordo com eles, é por isso que a startup dedicou-se a desenvolver um sistema que envolve desde triagem desses pacientes com prioridade em realização de exames, até organização de agenda de atendimentos e uso de Inteligência Artificial IA para determinar protocolos de cuidados personalizados, inclusive em caráter domiciliar.

“O Brasil tem 40 mil equipes da Saúde da Família com esse propósito [prevenção]. São profissionais que quando muito, trabalham com planilhas virtuais para acompanhar os pacientes crônicos, uma ferramenta que nem de longe é adequada para desenvolver uma linha de cuidados”, lembraram.

“Com a tecnologia aplicada conseguimos aumentar não só a produtividade desses profissionais, como baixamos as internações e liberamos as unidades de emergência para outros tipos de atendimento, com melhor qualidade”.

“Conseguimos quebrar o círculo vicioso de muitos pacientes crônicos que desenvolvem uma rotina de internações e tem dificuldade de aderir a um tratamento”, ressaltaram.

O valor, pode chegar a ser até 11 vezes menor do que o custo que um doente crônico proporciona ao SUS durante o mesmo período, sendo atendido de forma precária.

De acordo com a PGS, que há uma década já oferecia esse sistema em escala menor para unidades de saúde privadas, o mesmo protocolo de atendimento e acompanhamento personalizado pode ser implantado a outros grupos de atenção especializada, como gestantes de alto risco por exemplo.

Em Alagoas, sistema reduziu espera em UPA

 

A tecnologia está sendo colocada a prova em Penedo, interior de Alagoas. Há um ano a startup iniciou os trabalhos por lá, aproveitando o novo marco de Ciência, Tecnologia e Inovação, para firmar parceria com a prefeitura do município.

Testada inicialmente em um grupo de 30 pacientes, hoje o sistema da PGS já atende 600 crônicos, graças aos números surpreendentes do programa.

“Hoje eu não tenho mais estrangulamento no atendimento básico”, garante o prefeito da cidade Marcius Beltrão (PDT).

“A espera média nas unidades para pulseira verde (pouco urgente) é de no máximo 40 minutos. Não é apenas o município que economiza, mas também o Estado e o governo federal, porque os atendimentos de alta complexidade são reduzidos quando há esse acompanhamento”, pontua.

“Além da redução de internações em quase 70%, também consegui aumentar em 30% o número de pacientes com câncer que atendemos, porque fazemos diagnósticos mais rápidos e aumentamos as chances de cura”, finaliza.

Assista à entrevista na íntegra:

 

Fonte: Tribuna Independente

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