Cidades

20 de junho de 2019 15:56

Ações da Prefeitura de Maceió promovem inclusão social

Casais que viviam nas ruas da capital foram resgatados pelas equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social

↑ Rafaela e Everson foram beneficiados com ações da Prefeitura (Foto: Secom Maceió)

Mariluce Amara dos Santos Silva e Luiz Carlos dos Santos Gomes viviam nas ruas de Maceió à margem de qualquer tipo de violência, até que foram resgatados pelas equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas), equipamento da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) da Prefeitura de Maceió.

Diariamente, as equipes vão às ruas da capital para conscientizar e resgatar pessoas em situação de rua, como foi o caso de Rafaela Cristina Santana de Oliveira, do filho e do marido Everson de Almeida dos Anjos e de Luiz e Marilucia. Pessoas que passaram por ressocialização e demonstram como os equipamentos públicos podem atuar para modificar vidas.

À frente deste processo de ressocialização, dividido em várias etapas, estão os Centros de Referência Especializados para a População em Situação de Rua (Centro POP) e o Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas), que ficam responsáveis por assistir as famílias e oferecer condições para que elas saiam da situação de vulnerabilidade.

De acordo com Janaína Libardi, coordenadora do Centro POP, o trabalho de acolhimento não é fácil. “Estamos diariamente nas ruas e por vezes abordamos as mesmas pessoas, é duro. Mas o trabalho se torna gratificante à medida que as pessoas acolhidas voltam ao convívio social e não retornam mais para as ruas”, explicou.

Após este primeiro contato, as famílias são encaminhadas para a Casa de Passagem Familiar, que consegue atender até 10 grupos familiares, abrigando-as provisoriamente por um período máximo de três meses.

Para ter acesso aos quartos da Casa de Passagem, a família precisa ter crianças ou a mulher precisa estar grávida. Cumprindo esse pré-requisito, qualquer estrutura familiar pode ser abrigada: mães e pais solteiros com seus filhos, grávidas e casais com crianças. As famílias que não atendem ao critério principal da Casa são encaminhadas para outras unidades assistenciais de Maceió.

Durante o tempo em que permanecem no abrigo, as famílias recebem apoio assistencial, participam de atividades ressocializadoras e têm acesso às orientações para a retirada de documentos de identificação (como identidade e CPF), que são necessários para que elas possam fazer a adesão a programas como o Bolsa Família e o Aluguel Social.

Segundo Andreia Gondim, diretora da Casa de Passagem Familiar, na chegada ao local, as famílias recebem as primeiras orientações e regras. “Quando eles chegam recebem todo o nosso apoio psicológico, aprendem as regras e ficam sabendo de todos os serviços que eles podem usufruir como a retirada de documentos, a participação em programas como Bolsa Família, Aluguel Social e até o Minha Casa, Minha Vida”, contou.

Nova fase

Luiz e Marilucia passaram por todas as etapas, foram acolhidos pelas equipes da Semas, levados para a Casa de Passagem Familiar e ficaram três meses alinhando suas vidas. “Nós somos de Pernambuco, mas viemos para cá cuidar de um parente e acabou que ficamos na rua, passamos fome até que nos ensinaram o caminho do abrigo e viemos parar na Casa de Passagem. Nos atenderam muito bem, fizemos documentos novos, meu esposo nesse tempo de três meses conseguiu um trabalho de carteira assinada na Diocese, com isso alugamos uma casa por conta própria, uma vitória. Saímos da Casa de Passagem e deixamos o espaço para outras pessoas que precisavam”, disse Marilucia. “Mudou a minha vida, passamos a progredir com a ajuda que recebemos, todo o apoio das assistentes sociais, todos os conselhos e conversas, somos gratos”, acrescentou.

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Luiz e Marilucia foram acolhidos pelas equipes da Semas e levados para a Casa de Passagem Familiar (Foto: Secom Maceió)

Eles não são os únicos, Rafaela e Everson têm um filho com autismo e uma bebê de quase 1 ano, foram assistidos em 2018 e hoje vivem juntos em uma casa alugada com o benefício do Aluguel Social. “A rua é difícil e a gente perde a esperança. Foi quando eu procurei ajuda e o pessoal me explicou tudo que podia acontecer e todos os benefícios que teríamos. Hoje temos uma moradia para nossos filhos, principalmente para o mais velho e ele recebe todo o apoio e tratamento, que nos encaminharam na casa de passagem e eu acompanho ele em tudo”, disse Everson.

Andreia Gondim explica que esses casos não são raros. “Muitos deles retornam para as ruas, mas nós não desistimos porque os casos de sucesso nos dão toda a força para lutar por essas pessoas. Não temos apenas esses dois casos, existem mais pessoas que foram contempladas com habitação, saíram das ruas e hoje vivem de forma digna. Isso que nos inspira a trabalhar em prol da dignidade social”, destacou.

Na Casa de Passagem Familiar

São 10 quartos com capacidade de atender famílias de até oito pessoas, com banheiros compartilhados e uma cozinha industrial onde as três refeições são preparadas pela equipe da casa de passagem. A disciplina é instrumento base dentro da Unidade, com horários para o café da manhã, almoço, janta e o horário de retorno, às 18h.

Durante o período provisório, os pais e as crianças são encaminhados para serviços de saúde, onde recebem atendimento médico. As gestantes são direcionadas ao pré-natal e as crianças ao pediatra. São realizadas também cirurgias de laqueadura e outros atendimentos médicos. Esta é uma ação de atenção integral à saúde, por meio do Consultório na Rua e por meio das equipes e serviços da Atenção Básica do Município.

O abuso de álcool e drogas também é tratado no Centro de Apoio Psicossocial para Álcool e Drogas (Caps AD). O tratamento é um dos pré-requisitos para a continuação do atendimento na Casa de Passagem Familiar e eles são acompanhados durante todo o período de estadia.

Passados os três meses de atendimento e acompanhamento socioassistencial, as famílias são amparadas por programas assistenciais como Bolsa Família e Aluguel Social ou programas de habitação popular. Com a vida em alinhamento social, eles recebem o apoio e acompanhamento da Prefeitura pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

“A Prefeitura tem buscado levar ações de assistência social para cada vez mais perto dos maceioenses, pois sabemos do impacto destas ações, principalmente nas periferias. Um exemplo disso são as inaugurações e reestruturação dos Cras e eventos como a Feira de Serviços, que leva até os bairros da capital todos os atendimentos assistenciais da Secretaria e conta com a parceria de outros órgãos da Prefeitura” , ressaltou o prefeito Rui Palmeira.

Nos Creas, as famílias participam do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi) e as crianças podem ser encaminhadas para o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) localizados nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras).

“Casos com esses devem ser usados como exemplo e estímulo para toda equipe da Semas. Queremos trabalhar cada dia com mais intensidade para levar dignidade a essas famílias e tirá-las das ruas”, explicou o secretário municipal de Assistência Social e vice-prefeito, Marcelo Palmeira.

Fonte: Ascom Semas

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