Cidades

18 de junho de 2019 08:52

Professor do Ifal que questionou cortes de verbas sofre ameaças

Wanderlan Porto relata que postagens insinuam surra e ameaças de morte

↑ Professor Wanderlan Porto recebe ameaças após discurso contra cortes de verbas nas universidades (Foto: Jonathan Canuto)

Depois de ter um vídeo onde aparece convocando os alunos do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) para uma das manifestações contra os cortes na educação e reforma da previdência, o professor Wanderlan Porto passou a receber ameaças. Em entrevista ao TH Entrevista, no canal Portal Tribuna no YouTube, o professor conversou sobre a situação que tem vivido.

“A primeira e grande ameaça veio do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Quando divulgaram o vídeo e me chamaram de criminoso, o ministro se referiu a mim como ‘elemento’, usando um jargão policialesco. Ele me ameaçou de exoneração, afirmando que seria apenas o tempo de um processo administrativo para que eu fosse demitido do meu cargo”, relatou.

Nas redes sociais de Wanderlan Porto, as ameaças são constantes. “Eles começaram a me ameaçar de agressão. De me deixar em coma e me fazer engolir os dentes. Um deputado do PSL escreveu em seu Twitter que se eu fosse professor do filho dele, ele me colocaria ‘para dormir’. Já sofri inclusive ameaças de morte. Pessoas afirmando que se eu continuasse discutindo com os alunos sobre os cortes na educação, eu não sobreviveria”.

Wanderlan Porto defende que os professores de universidades e institutos federais devem dialogar com os alunos sobre as condições das instituições diante dos cortes. “O vídeo traz um relato pessoal meu, que sou filho de ex-aluno de instituto federal. Que sou ex-aluno de instituto federal. Diante das ameaças de fechamento dos institutos com os cortes, precisamos esclarecer a situação para os estudantes”, opinou.

O professor afirma que o termo “contingenciamento” é usado para confundir. “É um conflito de narrativas. O governo federal fala em contingenciamento como se o dinheiro pudesse voltar a qualquer momento, o que não é verdade. Esses cortes estão relacionados ao custeio das instituições, pagamentos de terceirizados, compra de materiais e já estamos apontando os cortes de bolsas de pesquisa. Tem um corte acontecendo”, explicou.

Balbúrdia

Quando escuta o termo “balbúrdia” se referindo às atividades realizadas dentro das universidades e institutos federais, o professor Wanderlan Porto sente como se houvesse total desconhecimento das pessoas sobre o que é realizado dentro dessas instituições.

“O que é feito é ciência, muitas vezes com falta de recursos. Nós continuamos a fazer extensões mesmo sem receber mais por isso, sem material suficiente, em laboratórios defasados. Basta fazer um passeio dentro de qualquer universidade ou instituto federal que é possível entender o que acontece lá dentro”, disse.

Pública
Docente diz que mantém defesa da educação

“Mesmo com todas as dificuldades, continuamos fazendo pesquisa de qualidade. Não somos super-heróis, somos trabalhadores da educação que enxergamos na nossa instituição a possibilidade de transformação social. Nós vamos continuar defendendo essa transformação de vidas, continuar defendendo a educação publica, gratuita, laica e de qualidade”, continuou.

Wanderlan Porto fala ainda do discurso de meritocracia adotado por muitas pessoas no cenário atual do país. “Talvez em uma sociedade onde todos tenham acesso à educação, moradia digna, saúde e transporte de qualidade, poderíamos falar sobre meritocracia. Mas em um cenário onde alunos chegam na sala de aula sem ter nem o que comer, onde há riscos no caminho de casa até a universidade, fica complicado falar sobre meritocracia dentro de uma sociedade tão desigual”, opinou.

Fonte: Tribuna Independente / Thayanne Magalhães

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