Cidades

8 de junho de 2019 11:04

Professor de Arquitetura da Ufal é acusado de racismo

Estudante afirma que universidade já acolheu denúncia e espera que seja tomada alguma iniciativa contra atitude do docente

↑ Centro Acadêmico do curso de Arquitetura da Ufal emitiu nota contra o professor, na qual o acusa de prática de crime de injúria racial (Foto: Site da Ufal / Reprodução)

Uma denúncia de injúria racial na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) veio a público nesta semana e o caso envolve um professor e um aluno, ambos do curso de arquitetura. Segundo nota da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, o caso aconteceu em uma aula da disciplina de Formação do Pensamento Crítico ministrada pelo professor Alexandre Toledo no último dia 14 de maio. De acordo com a nota, o fato originou-se a partir de um debate sobre o livro Os Exilados de Capela, onde a conversa em sala de aula ficou entre o professor e o estudante André da Silva Maia. Segundo a nota da Faculdade, o professor teria dito que indivíduos “mais intelectualmente capazes foram expulsos desse planeta e se estabeleceram ao norte [da Terra], enquanto os racionalmente inferiores ocuparam a África”.

O professor Alexandre Toledo conversou com a reportagem da Tribuna e negou a maneira de como o fato foi noticiado pela nota. Segundo o professor, havia uma equipe de alunos que iria apresentar um seminário voltado para a comparação entre pensamento religioso e científico e que estava com dificuldade de encontrar um tema, e foi aí que surgiu a ideia de falar sobre o livro.

“Falei para os alunos da teoria da evolução das espécies, de Darwin, e do livro, que é como se fosse uma distopia. Uma possibilidade explicando do crescimento de algumas civilizações, sobretudo a egípcia, a mesopotâmica, a asteca, a maia, que se localizaram mais perto do círculo do Equador e se desenvolveram mais do que os povos que estavam ao norte e ao sul do globo. Daí o aluno [André da Silva Maia] quis provocar e perguntou: ‘O senhor está dizendo que a minha raça negra é inferior a outras’. Só que o próprio Egito é composto por um povo negro, se localiza na África. Os povos da América Central também não eram brancos”, afirmou o professor, complementando que essa perspectiva é religiosa e não existe comprovação científica.

Posicionamento político

O professor afirma que tem como posição política o pensamento de direita e que, por isso, é mal visto dentro da universidade e existe uma tentativa de sabotagem de sua candidatura à Reitoria da Ufal. “Eu sou um dos poucos da universidade que fez campanha para o Bolsonaro. Eu sou um alvo fácil do pessoal da esquerda. Essa nota [da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo] é difamatória e tem objetivo claro de me atingir, porque sou candidato a reitor da Ufal. Quem produziu a nota são estudantes do Centro Acadêmico vinculados ao grupo Afronte, que é um grupo nacional que tem como objetivo colocar as pautas de esquerda na ordem do dia. Eles recepcionam o MST quando vai à Ufal. Então é um grupo complicado e com um tipo de ação difamatória clara”, declarou o professor.

“No dia em que aconteceu o incidente, eu falei para o aluno [André da Silva Maia] que ele já estava com 12 faltas na minha disciplina, possivelmente ele se sentiu incomodado”, disse Alexandre, que afirmou que, antes do fato, tinha feito um acordo para o estudante não ser reprovado por falta.

Processo na Ufal

O estudante André da Silva Maia também falou à reportagem e afirmou que o discurso do professor dentro da sala de aula foi racista.

“Ele apontou para mim, que sou negro, e disse que talvez a teoria estivesse errada, porque havia na sala um estudante, André, muito inteligente. Porém ele falou que era importante não esquecer de todo processo de miscigenação que eu passei para estar ali. Indicando que minha capacidade intelectual estava atrelada a pessoas brancas que passaram pela minha família durante toda a história, o que considerei um desrespeito total a minha pessoa”, disse o estudante.

André conta que a Universidade acolheu a denúncia do Centro Acadêmico. “Eles serão forçados a tomar uma iniciativa em relação a isso. As ações estão sendo movidas dentro do ambiente universitário”, afirmou o estudante.

Fonte: Rívison Batista

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