Cidades

5 de junho de 2019 08:37

Moradores do Pinheiro, Mutange e Bebedouro cobram agilidade em ações

Para eles, reuniões não chegam a um cronograma operacional nos bairros

↑ Representantes dos moradores do Pinheiro, Mutange e Bebedouro se reuniram ontem com a Defesa Civil Municipal, na sede da Prefeitura (Foto: Secom/Maceió)

Moradores dos bairros atingidos pelas rachaduras continuam cobrando agilidade na divulgação do novo mapa. Representantes dos bairros querem conhecer os locais mais afetados pela extração de sal-gema e que querem também um cronograma mais concreto e rápido para recuperação das áreas. Nesta terça-feira (4), eles se reuniram com a Defesa Civil Municipal, representantes do Governo e da Prefeitura de Maceió.

Para Geraldo Vasconcelos, um dos representantes da SOS Pinheiro, a reunião não chegou a nenhuma consistência.

“O mapa está para ser entregue na sexta-feira [7], mas para a gente este material não vai dizer nada. Este material sem um plano de operação não vai dizer nada. Possivelmente ele pode ser o mesmo que está no site da CPRM [Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais]. O que queremos é um plano operacional em cima do mapa – ou seja, quem vai sair definitivamente, quem vai sair provisoriamente, quem não vai precisar sair, em que data se fará essa evacuação. Nada disso tem cronograma, a Prefeitura é mestre em não dá cronograma. Essas reuniões estão sem conclusões”, questiona Vasconcelos.

Vasconcelos disse ainda que para os moradores as reuniões de agora por diante têm que ser com interatividade. “De outra forma ficam improdutivas. Reunião deve ser com Prefeitura, Governo e União – ou seja, Defesa Civil Nacional e os moradores. Porque vamos cobrar da Prefeitura e informam que a responsabilidade é do estado e vice-versa. Então as reuniões têm que funcionar como um gabinete de gestão de crises”, avalia.

“Cobramos a participação do Estado nos processos e mais auxílio por parte de todos no desenrolar dos problemas enfrentados pelos bairros. Foi passada as solicitações de recursos, profissionais e equipamentos para que se tenha suporte às operações, ações que precisam ser executadas nos bairros. A Prefeitura e a Defesa Civil Municipal estarão providenciando um senso de toda a região para futuras ações”, explica Joelinton Gois do Movimento Pinheiro Alerta.

Além do Pinheiro, residências dos bairros do Mutange e Bebedouro também estão com rachaduras. A constatação amplia a complexidade do problema e joga mais questionamentos relacionados à extração de sal-gema pela Braskem na área lagunar dos dois bairros.

“Cobramos a divulgação do novo mapa. Ele deve nos orientar quais os locais com maior risco. A maioria dos informes passados na reunião já era de conhecimento da população e da imprensa, como a data de divulgação que já havia sido recomenda desde a última sexta-feira [31]”, conta Arnaldo Manoel, presidente da associação dos moradores do Mutange  acrescentando que não houve avanço. “O que sabemos é que a Prefeitura solicitou uma expansão do aluguel social”, finaliza.

O secretário-adjunto de Defesa Civil, Dinário Lemos, disse para os moradores que até a sexta-feira (7), o mapa será divulgado apontando os locais críticos. Além disso, que com o mapa será possível saber a quantidade de famílias que precisarão deixar suas casas. Até o momento, cerca de duas mil famílias já saíram de suas residências e estão recebendo o aluguel social. A maioria é do Conjunto Divaldo Suruagy, no Pinheiro, local mais crítico onde além das rachaduras nas paredes houve afundamento do solo.

Em relação ao plano de recuperação das áreas, Lemos ressaltou que a Braskem, já está adiantando a reestruturação das vias mais afetadas do Pinheiro, porém informou que não há calendário definido para a manutenção dos imóveis.

Prefeitura espera divulgar mapa operacional na sexta

 

A prefeitura esclarece que a reunião foi a primeira do Comitê de Acompanhamento das Ações nos bairros Pinheiro, Bebedouro e Mutange – formado por representantes da gestão municipal e das comunidades.

E explica que o Comitê foi criado para aproximar as comunidades dos três bairros das ações desenvolvidas pela Prefeitura de Maceió.

Além disso, informa que espera divulgar o Mapa de Risco até a próxima sexta-feira (7), mas a divulgação depende da entrega do documento por parte da Defesa Civil Nacional – que ainda está finalizando o material.

Segundo o órgão, na reunião já havia pauta pré-definida, onde foram esclarecidos pontos questionados na reunião da semana passada, a exemplo de respostas sobre o Plano Operacional, além de atualizadas informações sobre as solicitações feitas pela Prefeitura ao Governo do Estado e Governo Federal.

A Prefeitura de Maceió ressalta que o mapa de feição foi atualizado e divulgado pela CPRM. Ele identifica e classifica o bairro do Pinheiro em três cores (vermelha, amarela e laranja) com relação a trincas e rachaduras em imóveis e vias públicas.

“O que está sendo aguardado é o mapa operacional, que está sendo elaborado pela Defesa Civil Nacional através dos estudos realizados pela CPRM, onde vai apontar quais as áreas de risco (Mapa de Risco) e o plano de ações diante dos riscos identificados (Plano de Ação Integrado para Maceió)”.

Vale lembrar que na semana passada o Ministério Público Federal (MPF) recomendou que novo mapa fosse divulgado com urgência, dando um prazo de cinco dias úteis.

O prefeito Rui Palmeira disse que vai atender a recomendação do MPF, assim que o documento for concluído, mesmo sem a conclusão das ações do Plano de Ação Integrado. “A Defesa Civil Municipal aguarda a finalização do Mapa para definir quais as ações devem ser ampliadas e implantadas nos três bairros afetados pela instabilidade de solo”.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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