Cidades

24 de maio de 2019 08:35

De janeiro a abril 634 tartarugas marinhas encalharam no litoral alagoano

Apenas duas foram resgatadas com vida e foram encaminhadas à sede do Ibama

↑ Segundo o Biota, maioria dos encalhes está relacionada à ação humana (Foto: Instituto Biota/cortesia)

De acordo com Instituto Biota de Conservação, de janeiro a abril deste ano, 634 tartarugas marinhas encalharam no litoral alagoano. E, infelizmente, deste total, apenas duas foram resgatadas com vida.

Os animais sobreviventes foram encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Ceta) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

E parece coincidência, esta quinta-feira (23) foi comemorado o Dia Mundial da Tartaruga – evento promovido anualmente desde 2000 pela American Tortoise Rescue. A data tem o objetivo de trazer a atenção e aumentar o conhecimento e o respeito por tartarugas e cágados e difundindo o conceito de ajudá-los a sobreviver e se desenvolver.

Mas na maioria das vezes não é assim que acontece. Para os membros do Biota, os encalhes estão em sua maioria relacionados a ação humana que biológicas.

De qualquer forma, as equipes comemoram quando conseguem resgatar com vida e devolver o animal para seu habitat.

“Este ano conseguimos devolver uma tartaruga ao mar. Ela estava em reabilitação conosco desde ano passado. Foi uma da espécie Oliva, que passou 70 dias em reabilitação”, conta Luciana Medeiros, veterinária e diretora executiva do Instituto Biota.

Luciana conta que, a partir deste ano, os animais resgatados com vida estão sendo encaminhados ao Ibama.

Apesar dos encalhes, Biota comemora soltura de filhotes

 

Este ano, a veterinária diz que já foram realizadas três solturas. “Realizamos solturas com a população de tartarugas que nasceram. Um total de 416 filhotes que foram soltas pelo Biota com a participação da população”.

Este ano, foram realizadas solturas de 416 filhotes de tartarugas no mar com participação da população (Foto: Instituto Biota/cortesia)

Além disso, Luciana ressalta que o trabalho do instituto é constante.

“Monitoramos vários ninhos. Tivemos um alto índice de nascimento. E vários filhotes foram sozinhos para o mar, além dos 416 que soltamos”, conta a veterinária.

LEI

A captura de tartarugas é proibida por lei federal, mas existe uma alternativa visando protegê-las da pesca ilegal. Trata-se do TED (Turtle Excluder Device), que significa dispositivo de exclusão de tartaruga, regulamentado pela Portaria nº 5/1997, do Ibama.

Ele é exigido nas embarcações e permite que as tartarugas sejam conduzidas para fora antes de chegarem ao fundo das redes de arrasto de camarão. O dispositivo tem o formato de uma grade circular de metal implantada na rede que permite às tartarugas marinhas escaparem. O camarão pescado nessas condições inclusive é comercializado com o certificado Turtle Safe (Tartaruga Salva) e se valoriza no mercado.

No entanto, pela quantidade de tartaruga que encalham muitas vezes com ferimentos, no litoral alagoano, mostra que a lei não vem sendo cumprida e que muita dessas embarcações de pesca está sem este dispositivo.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas Frença

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