Cidades

24 de maio de 2019 08:27

Acidentes de trânsito custam ao SUS mais de R$ 26 mi em Alagoas

Dados CFM foram registrados entre 2008 e 2018; levantamento aponta ainda mais de 6 mil mortes e 21 mil internações em 8 anos

↑ Levantamento aponta que 2016 registrou uma média de duas mortes relacionadas ao trânsito por dia (Foto: Adailson Calheiros)

Entre os anos de 2008 e 2018 os acidentes de trânsito em Alagoas já custaram mais de R$ 26 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). O número foi divulgado esta quinta-feira (23) em relatório nacional produzido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para alertar sobre a importância de conscientização no trânsito.

O levantamento aponta que em 2016 ocorreram 730 mortes relacionadas a acidentes, o que dá uma média de dois alagoanos mortos por dia. Apenas no ano passado, os acidentes de trânsito tiveram um custo para o SUS de R$ 2,2 milhões.

Ainda de acordo com o levantamento do CFM, entre os anos de 2008 e 2016, o estado registrou um total de 6.763 mortes relacionadas a acidentes de trânsito. Já o número de internações no período chegou a 21.212.

De acordo com o estudo, a cada 60 minutos, cinco pessoas morrem vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Os valores estimados de gastos giram em torno de R$ 3 bilhões na última década.

“Segundo a análise do CFM, a cada hora, em média, cerca de 20 pessoas dão entrada em um hospital da rede pública de saúde com ferimento grave decorrente de acidente de transporte terrestre. Ao avaliar o volume total de vítimas graves do tráfego nos últimos dez anos (1.636.878), é possível verificar que 60% desses casos envolveram vítimas com idade entre 15 e 39 anos, sendo menor a frequência nas faixas etárias que vão de zero a 14 anos (8,2%) e em maiores de 60 anos (8,4%). Outra constatação: quase 80% das vítimas eram do sexo masculino”, aponta o relatório.

A análise do CFM chama a atenção ainda para o impacto dos acidentes na rede de atendimento pública, que gera sobrecarga.

“Se por um lado as tragédias no trânsito trazem dor e sofrimentos aos pacientes e seus familiares, por outros elas também estendem suas consequências para o bolso dos brasileiros. Na última década, as internações hospitalares decorrentes de acidentes de trânsito consumiram cerca de R$ 2,9 bilhões do SUS, em valores atualizados pela inflação do período”, disse o CFM.

Na publicação o Conselho destaca a necessidade de priorização de “uma série de fatores de prevenção, reforço na fiscalização e sinalização”. Além de investimentos em infraestrutura e aprimoramento dos itens de segurança dos veículos. “Neste contexto, os médicos desempenham papel fundamental nas discussões sobre direção veicular segura. O impacto desses acidentes nos serviços de saúde é alto. Leitos são ocupados, hospitais e médicos se dividem no atendimento entre os acidentados e os que procuram assistência médica para patologias que não poderiam prevenir, diferentemente dos acidentes de trânsito, que podem ser reduzidos e prevenidos”, afirma o presidente do CFM, Carlos Vital.

“São danos irreparáveis para a vida toda”, diz presidente

 

O presidente do Conselho Regional de Medicina em Alagoas (Cremal), Fernando Pedrosa, destaca que os acidentes de trânsito causam prejuízos que vão além dos números.

Pedrosa destaca que acidente é evitável e recursos poderiam estar sendo destinados para situações não evitáveis (Foto: Adailson Calheiros/arquivo)

“O acidente é uma situação evitável. Os grandes prejuízos são a retirada de recursos que poderiam estar atendendo outras pessoas. Isso não quer dizer que as pessoas não podem ser atendidas, de forma alguma, mas que acaba comprometendo os recursos que poderiam estar sendo destinado para situações não evitáveis, para aliviar o sofrimento de doentes, aumentar a vida. E a principal são as sequelas, porque não só a letalidade preocupa, mas a quantidade de pessoas com sequelas desses acidentes. São danos irreparáveis para a vida toda”, esclarece.

Para o médico, a redução de acidentes está diretamente relacionada a investimentos em políticas públicas.

SOBRECARGA

“A sobrecarga ocorre até mesmo nos hospitais, no HGE [Hospital Geral do Estado], por exemplo, há o atendimento também da parte clínica, mas a parte de trauma consome muito disso [atendimento]. Precisamos de políticas públicas. Quando o Código de Trânsito foi aprovado pensava-se que ia reduzir, mas houve o contrário. Não é simplesmente mexer na lei, a questão do trânsito deve ser encarado também de outra forma, seja em campanha de educação, começando em casa”, destaca o médico.

Pedrosa enfatiza a importância de campanhas de conscientização e de educação para os motoristas. “Se faz campanha para tanta coisa, para vender tanta coisa. Por que não podemos vender vida? Incentivar as pessoas, preparar as pessoas? Vemos todos os dias adultos despreparados para o trânsito”, opina.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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