Cidades

23 de maio de 2019 08:51

Íntegra de estudo da CPRM aponta para ‘área crítica’ em Bebedouro

Relatório disponibilizado nesta quarta não é o mapa de risco aguardado pela população

↑ Íntegra dos estudos realizados pela CPRM classifica áreas críticas e aponta afundamento do solo em 40cm em Bebedouro (Imagem: Reprodução/CPRM)

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou nesta quarta-feira (22) a íntegra dos estudos realizados no Pinheiro e adjacências. O “Mapa de Integração dos Processos de Instabilidade do Terreno” traz, em detalhes, tudo que foi apresentado em audiência pública realizada no início deste mês. O relatório aponta para uma zona crítica na região de Bebedouro com afundamentos de 40cm. A região fica por trás do Casarão Colonial, onde funcionava a casa de Saúde José Lopes. Ainda como consequência dos afundamentos, o Hospital Miguel Couto sofreu uma inundação parcial de 20cm de água da lagoa.

“Os dados interpretados em março de 2019 mostram que houve subsidência contínua e em aceleração até o fim do período amostrado; é possível observar deformação radial se espalhando do centro da área, onde atinge 40cm de subsidência (afundamento) a partir das cavidades de extração de sal-gema localizadas à margem da Lagoa Mundaú”, diz o relatório.

A área classificada como crítica é circundada por minas de extração de sal-gema. Três destas minas, a M07, M18 e M19 se fundiram, segundo o relatório. As minas M20 e M21 também viraram uma só. Ainda de acordo com o CPRM, o processo está ativo e as deformações “mais significativas” atingem partes dos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Levada.

“Em comparação ao mapeamento realizado em setembro de 2018, foram observadas novas áreas com sinais de instabilidade do terreno (deformações em imóveis); a deformação mais significativa atingiu os seguintes bairros: Pinheiro, Mutante, Bebedouro, Bom Parto e Levada. Entretanto, a origem do processo é distinta entre as zonas A (parte do bairro Bebedouro), B (parte do bairro Levada e Bom Parto) e C (bairro Pinheiro, Mutange e Bebedouro); no núcleo central da zona C foram observados no terreno afundamentos expressivos, como é o caso do Hospital Psiquiátrico Miguel Couto, localizado no bairro do Bebedouro, e cujo terreno foi parcialmente invadido pela água da lagoa (atualmente coberto por uma lâmina d’água de mais de 20cm)”, aponta.

Afundamento do solo em Bebedouro causou inundação parcial no Hospital Miguel Couto (Foto: CPRM)

 

Outra região apontada pelo CPRM como de “alto risco” em caso de chuvas é a área de encosta do Mutange. O órgão alerta para a necessidade de monitoramento pelo risco de deslizamentos e erosão.

“Áreas íngremes classificadas como de risco alto para processos de deslizamentos e erosão, impactando aproximadamente 1.800 pessoas em 450 moradias. Remoção temporária ou permanente dos moradores na possível ocorrência de chuvas intensas ou prolongadas (…) Monitoramento constante da área do Mutange com relação ao processo de subsidência identificado na interferometria uma vez que, os estudos demostraram importantes indícios de movimentação e deformação do terreno”, conforme o relatório.

Mapa de risco segue em elaboração

 

Cabe ressaltar que o relatório disponibilizado nesta quarta não é o mapa de risco aguardado pela população, que determinará as ações a serem implantadas. O mapa de risco das Defesas Civis ainda está em fase de execução.

“Importante destacar que não se trata de um mapa de risco e nem um documento voltado para a análise da condição estrutural das residências. O mapa [relatório] tem o intuito de embasar a continuidade dos estudos que busquem a identificação das causas desse fenômeno e também de nortear os trabalhos de Defesa Civil, tais como campanhas de esclarecimento, monitoramento e até interdições. Objetiva ainda apontar as áreas prioritárias para avaliação da equipe de engenharia sobre as condições estruturais das edificações”, explica O CPRM.

Procurada pela reportagem da Tribuna Independente, a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) informou que as Defesas Civis Nacional, Estadual e Municipal continuam elaborando o mapa de risco, ainda sem data definida para divulgação.

“A Defesa Civil de Maceió informa que o mapa de ação ainda está sendo elaborado pelos técnicos do órgão, em conjunto com técnicos da Defesa Civil Estadual e Nacional. Os órgãos também estão definindo as ações prioritárias que deverão ser realizadas a partir dos estudos apresentados pela CPRM. No entanto, os planos de contingência e evacuação já divulgados continuam válidos, incluindo os pontos de encontro e o abrigo provisório, no Ginásio do Sesi”, informou a Secom em nota.

CONTINUIDADE

O Serviço Geológico do Brasil pontua também a necessidade de continuidade nos estudos. Segundo o órgão federal, será preciso um mapeamento interferométrico nos próximos dois anos. Outras soluções apontadas são o acompanhamento sismográfico e a implantação de ações em engenharia para estabilização do terreno.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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