Cidades

14 de maio de 2019 10:08

“Celular mata mais que a combinação de álcool e direção”

No entanto, segundo coordenadora de educação de trânsito, faltam estatísticas que comprovem relação do uso e acidentes

↑ Normande: estatísticas não são fieis porque condutor não assume que estava ao celular no momento do acidente (Foto: Secom Maceió)

A combinação de celular e direção – apesar de passível de multa no valor de R$ 283,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH)-, tem sido mais comum e mais perigosa que beber e dirigir. Essa é a avaliação da diretora de Educação para o Trânsito da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Maceió (SMTT), Juliana Normande, responsável pela campanha Maio Amarelo. Segundo Juliana, o celular atualmente é considerado o grande vilão do trânsito. No entanto, faltam estatísticas que demonstrem a gravidade do problema que já é a segunda causa de acidentes em todo o país.

Tribuna Independente – No Brasil, o número de acidentes de trânsito envolvendo o uso de celular é uma preocupação. Essa tendência é observada também na capital alagoana?

Juliana Normande – O celular tem sido um dos motivos principais de acidentes de trânsito. Nós estamos colocando ênfase muito grande nisso, principalmente nas palestras. Durante o Maio Amarelo realizamos muitas palestras em escolas, empresas e faculdades e o foco tem sido justamente esse porque hoje em dia o celular mata mais que a combinação de álcool e direção. É muito grave, gravíssimo, mais grave atualmente que álcool e direção.

Tribuna Independente – Há dificuldade em traduzir em estatísticas o que é visto diariamente no trânsito?

Juliana Normande – As estatísticas não são fieis, porque você nunca vai dizer que houve uma colisão porque estava ao celular. Que bateu ou atropelou porque estava no celular, as pessoas não assumem. E não tem como fazer uma estatística fidedigna como é feita com álcool e direção porque no caso do celular as pessoas não assumem que na hora do acidente estava ao celular, ou seja, com desvio de atenção. Mas é sabido pelos órgãos de trânsito que o celular é o grande vilão do trânsito. Pecamos ainda pela falta de estatísticas, ainda estamos caminhando neste sentido.

Tribuna Independente – Você explicou que há um processo de naturalização do uso de celular ao dirigir. Diante disso, o que é possível fazer para coibir o uso?

Juliana Normande – Por mais incrível que pareça, para o condutor o uso de celular não é ruim para o trânsito, já faz parte do cotidiano. Um exemplo: Quando nós andamos na viatura de educação de trânsito, quando estamos na rua e paramos ao lado de um carro que o condutor está teclando, ligamos a sirene, acionamos a sirene, mas eles não levantam a cabeça. Sabe por quê? Porque não imaginam que é com eles. É preciso fiscalização e é preciso rigor. Também há em curso uma reavaliação sobre os valores aplicados, está sendo estudada a possibilidade de as infrações de uso de celular serem equiparadas ao de uso de álcool e direção. Até agora não foi aprovada nenhuma lei, mas já há essa discussão.

Tribuna Independente – O uso de celular afeta também outros atores do trânsito como pedestres?

Juliana Normande – As pessoas estão teclando e levam um susto quando o pedestre atravessa, quando o sinal fica vermelho. Todos tomam susto quando estão no celular. Um dia esse susto deixa de ser susto e se torna realidade, uma tragédia. É isso que nos preocupa. E não é só com o condutor, é com o pedestre que atravessa a faixa com fones ou teclando, é o motociclista que coloca o celular dentro do capacete para falar.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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