Cidades

25 de março de 2019 18:36

Assassinato de jovens da Pestalozzi completa três anos sem desfecho

PM acusado aguarda julgamento e tenta não ir a júri popular. Ele está preso desde 2017

↑ Tribunal de Justiça (Foto: Dicom/TJAL)

Três anos sem solução. Nesta segunda-feira (25), Alagoas relembra o emblemático crime contra dois irmãos portadores de necessidades especiais e um pedreiro, ocorrido em 2016.

Ainda sem julgamento, o caso causou comoção popular na época. Em novembro de 2018, o Triunal de Justiça determinou que deveria ir a júri popular, mas a defesa recorreu, e o recurso só será julgado em abril, ainda sem data definida.

Portadores de necessidades especiais, Josivaldo Ferreira Aleixo, de 18 anos, e Josenildo Ferreira Aleixo, de 16 anos foram assassinados em uma abordagem policial. Segundo relatos de testemunhas, os jovens obedeceram as ordens do agente da PM, Johnerson Simões Marcelino, mas mesmo assim foram agredidos e entraram em conflito.

Apesar de não estarem armados e sofrerem de deficiência mental, foram brutalmente assassinados por Johnerson, que acabou tirando a vida também do pedreiro Reinaldo da Silva Ferreira. A ação chegou a atingir até alguns dos membros da guarnição policial com tiros de raspão.

Atualmente o acusado encontra-se preso. Após o inquérito, o Ministério Público apresentou a denúncia, que foi aceita pela pelo juiz Geraldo Cavalcante Amorim em fevereiro de 2017.

A defesa entrou com pedido de Habeas Corpus, que foi negado em três instâncias diferentes. Agora ele aguarda o julgamento do recurso sobre o júri, e deverá ser mantido preso até o encerramento do caso.

O advogado Pedro Montenegro, membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA Zumbi dos Palmares), está atuando no caso como assistente de acusação. Ele considera inevitável o júri popular “É o previsto na legislação penal para crime de homicídio”, afirmou.

Entenda o caso

De acordo com a denúncia, o cabo Johnerson Simões teria recebido uma ligação informando que dois homens portando uma bolsa transitavam armados pelas ruas do bairro Village Campestre II. Ao avistarem os irmãos Josenildo e Josivaldo indo em direção ao ponto de ônibus, os policiais desceram da viatura determinando que as vítimas parassem viradas para a parede, com as mãos na cabeça e que entregassem a bolsa.

Apesar de os irmãos terem obedecido, segundo o depoimento das testemunhas, os dois soldados iniciaram agressivamente as revistas, o que motivou a vítima mais velha, Josenildo, ao ver que seu irmão também estava sendo agredido, a se defender da abordagem policial com tapas, mas sem se utilizar de nenhum armamento.

Neste momento, o cabo Johnerson, que estava junto à viatura enquanto os policiais faziam a revista, teria conscientemente disparado sua pistola Taurus, inicialmente em direção às vítimas Josivaldo e Josenildo, que estavam, naquele momento, se defendendo da agressiva abordagem dos policiais militares.

A ação do cabo, segundo a denúncia, foi tão desmedida que ao disparar na direção das vítimas, além de atingir Josenildo com dois e Josivaldo com três projeteis, ainda lesionou com “tiros de raspão” os PMs que estavam fazendo a revista e expôs a riscos outras pessoas que estavam próximas.

As vítimas Reinaldo da Silva Ferreira (fatal) e Micivan Pereira da Silva (lesão), que estavam a cerca de 20 metros de distância, no lado oposto da rua, sentadas em um banco de cimento de onde assistiam tudo com outras pessoas, foram atingidas, quando se preparavam para fugir do local, conforme atestou laudo pericial.

Após o ocorrido, Johnerson Simões teria ligado para outra guarnição, que estava por perto, e mandado que socorressem os policiais feridos. Ainda conforme a denúncia, Johnerson e o motorista de sua guarnição, Jailson Stallaiken, ficaram para socorrer as vítimas e, momentos depois, implantaram armamentos e munições em seus pertences.

Uma das perícias realizadas apontou que a viatura utilizada por Johnerson e Jailson Stallaiken para, supostamente, socorrer os irmãos até o Hospital Geral do Estado (HGE) foi pelo caminho mais longo. Além disso, ficou demonstrada que a viatura parou por cinco minutos em um local não mencionado por nenhum dos denunciados nas declarações prestadas, para, somente então, seguir até o HGE.

Após chegar ao hospital, a viatura fez uma parada de oito minutos e, em seguida, se deslocou até o Pontal da Barra, onde fez mais uma parada de três minutos para poder retornar até o Hospital para depois seguir até o Centro de Apoio à Polícia Militar.

Fonte: Tribuna Hoje / Emanuelle Vanderlei com informações do TJ

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