Cidades

19 de fevereiro de 2019 09:31

“Segurança nas edificações está sendo colocada em xeque”, diz engenheiro

Ao TH Entrevista, Fernando Régis diz que inspeção predial deve ser rotineira para evitar tragédias

↑ Engenheiro Fernando Régis (foto: Arthur melo)

Com os acontecimentos recentes envolvendo tragédias e a falta de segurança em edificações, a exemplo do incêndio no alojamento do CT do Flamengo no Rio de Janeiro e o rompimento da barragem da Mineradora Vale, em Brumadinho (MG), o TH Entrevista desta semana recebeu o engenheiro civil, especialista em Gerenciamento de Construção Civil e Gestão Ambiental, Fernando Régis, para comentar a importância de inspeções que garantam a segurança nos espaços construídos.

Fernando Régis, que é também coordenador do Núcleo de Inspeção e Manutenção Predial no Estado de Alagoas, foi categórico em afirmar que a segurança dos usuários tem sido “colocada em xeque”.

“Realmente nós estamos nos deparando com situações totalmente inaceitáveis, situações onde a segurança dos usuários está sendo colocada em xeque, infelizmente. A inspeção predial de forma rotineira, que se antecipe a essas situações extremas é de importância vital para que este tipo de situação não ocorra da forma que vem ocorrendo inclusive vitimando pessoas”, disse.

Ainda segundo o engenheiro embora hajam dispositivos e responsabilidades legais em torno da segurança nas edificações, de uma forma geral há precariedade na saúde destes espaços no estado.

“É bastante difícil a situação das edificações no estado de Alagoas. Nós temos desde 2012, uma lei municipal. No caso só vigora em Maceió. No entanto essa lei via de regra não vem sendo cumprida pelos proprietários e administradores das edificações. O que ocorre: nós temos que entender, a população, os órgãos que a manutenção e inspeção predial estão diretamente ligadas com as questões relacionadas à saúde da edificação. Saúde do ponto de vista de ter segurança, preservação do patrimônio. Porque na verdade os imóveis muitas vezes correspondem ao patrimônio de uma vida inteira”, completa.

Engenheiro: Há negligência no cumprimento da lei

A fiscalização e manutenção periódica são previstas pela Lei Municipal Nº 6.145 de 1º de junho de 2012 e é de competência da Prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Comunitária e Convívio Social (SEMSCS). No entanto, segundo o engenheiro civil, há negligência tanto dos proprietários públicos, quanto privados no cumprimento da lei.

“Existe certa negligência em relação a isso. Nós que somos da área da engenharia diagnóstica, defendemos a bandeira que é preciso estar atento a este tipo de situação. Onde que locais aparentemente seguros não o são. É preciso que se tenha um suporte técnico de um profissional que possa ter um olhar clínico nessas situações e possam se antecipar a essas situações”, aponta.

Considerando a realidade do estado, casos recentes como o desgaste da ponte próximo ao Gunga e a situação de prédios abandonados da capital reforçam a necessidade da atenção com as edificações.

“É um contrassenso, na verdade todas as edificações, sejam elas privadas, públicas. Sejam pontes, viadutos, passarelas… Estão obrigadas a fazer manutenção, fazer revisões periódicas. É verdade que nos deparamos em situações como estas que o primeiro ente a não cumprir é o ente público. Existem locais em Maceió que nos causa preocupação e até certa estranheza, temos aquele prédio do TCU  na Praia do Sobral, o prédio está se desmanchando numa clara evidência de total descaso com a coisa pública. Aquele mesmo prédio é um patrimônio do ponto de vista arquitetônico… É inconcebível que a população tenha que se deparar com situações desse porte”, opina.

PINHEIRO

Sobre a situação dos imóveis no bairro do Pinheiro, Fernando Régis avalia que os imóveis da região têm respondido de forma diferenciada, daí a necessidade, segundo ele, de uma avaliação individual.

“No caso específico do bairro do Pinheiro, que é uma situação em evidência na mídia, existem ações que estão sendo desenvolvidas do ponto de vista geológico. O que eu, particularmente, como profissional da engenharia diagnóstica, acredito é que haja uma lacuna do envolvimento da engenharia diagnóstica nas repercussões desses fenômenos nas edificações. Não dá para generalizar. Numa situação onde se tem uma quantidade considerável de edificações com tipologias construtivas diferentes, idade diferentes, histórico de manutenção diferentes, então não podem ser tratadas da mesma forma, isso é claro e evidente. Há edificações que estão respondendo com patologias mais evidentes, enquanto outras sequer apresentam patologias. O que inicialmente podemos deduzir é que há edificações sentindo mais o fenômeno que outras. A abordagem, no meu entendimento técnico, é de que deveria ser mais individualizado, para aí sim se ter um retrato, um complemento do mapeamento do que está acontecendo nas edificações e cruzando dados…Isso minimizaria alguns pânicos”, afirma.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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