Cidades

29 de janeiro de 2019 08:39

Governador vai ao bairro Pinheiro e anuncia ações emergenciais

Sobre atividade da Braskem, apontada como uma das possíveis causas, Renan Filho não descarta suspender mais licenças

↑ Governador Renan Filho diz que ações emergenciais terão o objetivo de coibir avanço das fissuras (Foto: Edilson Omena)

Depois das fortes chuvas registradas desde a madrugada desta segunda-feira (28) e durante todo o dia, o governador Renan Filho (MDB) esteve no bairro do Pinheiro, em Maceió. Renan Filho afirmou que irá realizar ações emergenciais para coibir o avanço das fissuras.

“Com relação à drenagem é muito importante. Aqui tem que juntar todos os projetos de drenagem existentes, o cadastro da drenagem já executada no bairro, observar se ela está funcionando, fazer um projeto em caráter emergencial, e eu queria colocar o Estado à inteira disposição desse trabalho junto à Prefeitura, junto ao Governo Federal para a gente fazer um projeto rapidamente, do ponto de vista emergencial e a gente executar as obras inclusive colocando à disposição recursos orçamentários do Governo de Alagoas também. Apesar de não ser atribuição do Estado realizar obras de drenagem pluvial, mas num momento como esse temos de estar juntos, colaborar”, garantiu o governador.

Na última sexta-feira (25), Renan filho divulgou pelas redes sociais que atendeu o pedido do Ministério Público Estadual (MPE) para suspender as licenças de operação da Braskem no Pinheiro. Ontem, no bairro, o governador não descartou a possibilidade de suspender as demais licenças da empresa.

“Tanto nós já tomamos medidas preventivas, como solicitação da suspensão da licença da Braskem para operar no Pinheiro. Se for necessário faremos em outras localidades para que a gente freie o que ocorre aqui e o que ocorre em outras localidades”, pontuou o governador, lembrando que a atividade da empresa é apontada como uma das prováveis causas para a situação no bairro.

“Resumidamente nós temos que trabalhar em duas vertentes… se houve movimentação seja por exploração da Braskem, por conta de outro motivo qualquer, falha geológica… Isso deve ser estudado pela CPRM e eles já estão fazendo. Entregarão em março um estudo preliminar que já vai apontar para as conclusões definitivas, que serão apresentadas um pouquinho adiante. Esse estudo será feito por camada de até 300 metros, 600, 900, 1.200 e até 1.500 metros de profundidade. Ou seja, será o estudo mais completo feito em solo alagoano. Mas enquanto isso, na superfície temos que avaliar se tudo que é preciso está sendo feito. Por isso essa visita hoje”.

GRUPO DE TRABALHO

O coordenador da Defesa Civil Estadual, tenente-coronel Moisés Melo, explicou que o grupo de trabalho criado pelo governo estadual visa dar soluções ao bairro.

“É um grupo de trabalho para tentar buscar soluções para o bairro, principalmente fazer a drenagem pluvial. A água acumula é um dos passos para que tenhamos os tremores de solo e que seja um gatilho que gere isso [rachaduras]. O maior cuidado hoje da população é com o período chuvoso que vem se iniciando”, destacou Melo.

“Vou cobrar presencialmente a antecipação dos estudos”, diz Renan Filho

 

O aparecimento de novas crateras nos arredores da Paróquia Menino Jesus de Praga e a evacuação de imóveis nas imediações motivaram a visita do governador ao bairro. Desde o ano passado, quando o tremor foi registrado e as fissuras se intensificaram, nenhum representante do poder executivo esteve no local.

Renan Filho esteva acompanhado de uma equipe de engenheiros, autoridades e representantes da Defesa Civil Estadual e Corpo de Bombeiros. A proposta, segundo o governador, é iniciar estudos emergenciais em áreas mais próximas da superfície na tentativa de conter o avanço das rachaduras em vias e imóveis.

“Vim olhar com meus próprios olhos aquilo que a gente já vem acompanhando ao longo dos últimos dias. Porque, a meu ver, os estudos no Pinheiro têm que ser feitos em duas vertentes, uma o estudo profundo, do solo, que vem sendo conduzido pela CPRM que é quem mais tem capacidade técnica no Brasil para identificar porque no bairro tem movimentos. Por outro lado, eu defendi há pouco e por isso estou aqui com uma equipe de engenheiros, que precisamos colocar a superfície do bairro no manual da engenharia. Naquilo que diz a norma para escoar água, garantir coleta responsável pelo esgoto para que a gente não veja um fato contribuindo com o outro. Há problemas no bairro e a gente identifica, sobretudo quando chove porque as águas não estão sendo ordenadas de maneira adequada”, pontuou.

A proposta, segundo ele, é trabalhar de forma conjunta com os órgãos envolvidos. “Para tanto eu me coloquei à disposição para colaborar com todo mundo. Vou ligar, depois dessa visita, para o prefeito da capital. Já falamos na semana passada para solicitar uma audiência conjunta ao presidente da República para comunicar o que estamos fazendo, o que está ocorrendo no bairro, sinalizar para a população que estamos trabalhando integradamente, inclusive com o Governo Federal. O próprio presidente da República já se posicionou em relação ao bairro do Pinheiro, para que a gente encontre uma solução definitiva para quem aqui reside.”

Além disso, o chefe do executivo estadual disse à imprensa que irá cobrar celeridade na conclusão dos estudos desenvolvidos pelo Serviço Geólogico do Brasil (CPRM). “Vou estar com o Ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto. Já cobrei por telefone e vou cobrar presencialmente a antecipação dos estudos.”

Clima de insegurança marca mais uma evacuação no bairro

Moradores de dois blocos do Jardim Acácia passaram por cadastramento durante todo o dia de ontem (28). Eles precisaram ser evacuados às pressas, após diversas crateras surgirem na via de acesso.  De acordo com a equipe de cadastro da Defesa Civil Municipal, os blocos não estavam em risco iminente de desabamento, mas após o aparecimento das crateras, a Defesa Civil optou pela evacuação de forma cautelar.

Dois blocos do Jardim Acácia foram evacuados após crateras na via de acesso (Foto: Edilson Omena)

No local, o sentimento era de medo e incerteza. Alguns moradores que estavam ainda em suas residências não quiseram conversar com a reportagem.

INSEGURANÇA

Além do medo com a possibilidade de chuvas, moradores relataram a ameaça de invasões às residências. É que com a evacuação diária, muitos blocos já estão completamente desocupados.

Em reunião de emergência dos órgãos que gerenciam o Plano de Contingência do bairro, o Ministério Público Estadual (MPE) solicitou o reforço nas rondas policiais na região. Conforme o MPE,  há um clima de insegurança. “Esse reforço visa evitar assaltos e depredações no bairro, uma vez que as famílias estão bastante fragilizadas e sem condições psicológicas até de se defenderem e buscarem ajuda e, claro, para resguardar os patrimônios público e privado”, explicou o órgão.

IPTU

Ainda ontem, o Diário Oficial do Município trouxe o decreto que suspende o envio dos carnês do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) 2019 e das taxas de serviços urbanos para os imóveis do Pinheiro. A estimativa é de que mais de 2 mil famílias sejam beneficiadas.  No entanto, cabe ressaltar que a suspensão é válida até a conclusão dos estudos na região.

Aluguel social deve ser liberado até sexta (1º)

 

De acordo com o coordenador da Defesa Civil Estadual, tenente-coronel Moisés Melo, a previsão é de que até o fim da semana os valores repassados pelo Governo Federal sejam liberados para auxílio-moradia da população afetada.

“Essa é uma competência da Defesa Civil Municipal. Eles estão fortemente organizando esse cadastramento da população. E acredito que o mais breve possível, até sexta-feira essa população esteja recebendo esse auxílio-moradia. E aquele que tiver condições de se deslocar, nós recomendamos que saia”, ressaltou.

A recomendação segundo o governador Renan Filho continua a de evacuação das áreas consideradas mais críticas. “O Estado se coloca a disposição para dar apoio. O Governo federal inclusive já libou recurso para a Prefeitura de Maceió para garantir aluguel social para essas famílias. Mas é importante que quem reside em área vermelha deixe a residência. Porque o pior não é o dano material. O pior é perda de vidas. A gente está observando isso em Brumadinho agora. O sentimento é brutal que vive o brasileiro. O mundo inteiro comovido. De maneira que quem reside em área vermelha tem que deixar sua residência. O Governo Federal já liberou recurso. O Governo do Estado está a disposição para garantir aluguel social para essas famílias.”

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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