Cidades

18 de janeiro de 2019 08:28

Auxílio-moradia atenderá todas as famílias evacuadas do bairro do Pinheiro

Situação ainda tem gerado incertezas para alguns moradores afetados pelo fenômeno

↑ Primeira etapa de cadastro das famílias para receber auxílio-moradia teve início no dia 8 e foi concluída nesta quinta-feira (17) (Foto: Secom/Maceió)

Além das famílias inicialmente cadastradas, um total de cem até agora, outras que precisarem  deixar seus imóveis por recomendação da defesa Civil Municipal deverão receber o auxílio moradia do Governo Federal. A informação é da própria Defesa Civil.

Segundo o órgão a decisão foi tomada após reuniões com diversos órgãos. “Conforme alinhado em reuniões realizadas em Brasília, nos ministérios do Governo Federal, todas as famílias que tiverem de deixar seus imóveis por recomendação de evacuação preventiva serão contempladas com a ajuda humanitária. O recurso deve ser disponibilizado pela União, garantindo o auxílio moradia aos proprietários afetados”.

Inicialmente, o valor previsto pela União era de R$ 450,00 por família, mas a Defesa Civil de Maceió explicou que considerando a realidade socioeconômica das famílias do bairro, fez solicitação de R$ 1.000,00. Cabe agora ao Governo Federal confirmar ou não o pedido. Não há previsão de quando os recursos serão liberados.

A primeira etapa de cadastro das famílias foi concluída nesta quinta-feira (17) com o envio das informações para o Ministério do Desenvolvimento Regional, órgão ministerial responsável pela ajuda humanitária. Ainda segundo a Defesa Civil o cadastramento será um processo contínuo e caso novas desocupações sejam necessárias outras famílias receberão o suporte.

“É um processo contínuo. Nós estamos trabalhando segundo as demandas. Outros cadastros devem ser enviados conforme demandas registradas pela equipe da Defesa Civil de Maceió”, disse o órgão.

CADASTRO

A Defesa Civil de Maceió iniciou o cadastramento dos moradores do Pinheiro no último dia 8. A previsão era de que cerca de 60 imóveis desocupados fossem contemplados com o cadastro, mas a programação foi estendida.

O cadastro é uma das ações decorrentes do Decreto de Emergência publicado no dia 5 de dezembro de 2018 e do reconhecimento federal ocorrido no dia 28 do mesmo mês.

“O cadastro é uma recomendação do Governo Federal decorrente do reconhecimento à situação de emergência do bairro Pinheiro para que as famílias possam ter acesso à ajuda humanitária, que prevê o auxílio moradia. Com o decreto, foram solicitados recursos para a continuidade dos estudos – incluindo apoio técnico, operacional e de equipamentos – e para ampliar o monitoramento da região. Todas as solicitações foram encaminhadas ao Governo Federal”, explicou o órgão.

“Eu só faço chorar, é uma dor muito grande”, diz servidora pública

 

A servidora pública Glaucia Maria moradora do bairro há 32 anos vê a situação com incerteza. “Eu vou ter que ir embora e deixar tudo isso para trás. Quem vai me dar uma moradia igual a essa? Quem me garante que esse aluguel vai ser pago ou só vão dar um mês? Será que esse aluguel social é a solução? Para mim não é a solução. Eu não tenho onde morar, por isso eu vou ficar.”

Mesmo com o aviso para desocupar imóvel, Glaucia não sabe para onde ir (Foto: Edilson Omena)

Ela afirma que mesmo com o aviso de que é necessário desocupar seu imóvel, não sabe para onde ir. Sem o dinheiro da fiança ela fala que é praticamente impossível conseguir uma moradia.

“Quando vieram me cadastrar disseram que já era para a gente ter saído daqui. Eu fico me perguntando: Como? Porque tudo bem eu coloco minhas coisas nas caixas e arrumo minha mudança. Mas vou para onde? Não tenho pais ou irmãos, muito menos o dinheiro da fiança, porque para alugar qualquer casa precisa da fiança. E aí? Nem o dinheiro para o caminhão de mudança não tenho. Como vou fazer? Para procurar uma casa eu preciso do dinheiro da fiança. Eu sou funcionária pública e não ganho rios de dinheiro, ainda estou pagando minha reforma”, reclama.

Ela detalha que as rachaduras em seu imóvel, um apartamento no Jardim Acácia, se intensificaram após o tremor. Dois meses depois, ela diz que a situação ficou insustentável, ao ponto de uma rachadura estar tão aberta que era possível ver as pessoas passando pelo lado de fora. Por não saber a motivação do fenômeno, nem que seria preciso alguns meses mais tarde desocupar o local, ela decidiu reformar o apartamento em julho de 2018.

Com a reforma ela conta que gastou R$ 4 mil e afirma que até hoje arca com as parcelas da despesa contraída. Mesmo assim novas rachaduras apareceram depois da reforma. Agora ela se diz indignada e sem esperanças sobre o que ocorrerá daqui para a frente.

“Esse apartamento é tudo o que tenho. Foi o patrimônio que construí na vida. A única coisa que eu fiz. E agora? Eu ainda estou pagando meus móveis, tudo o que está aqui dentro está sendo pago depois da reforma. Eles [Defesa Civil] disseram que se eu me recusar ou não tiver como o Exército faz a mudança. Mas se eu quiser uma mudança digna vou ter que pagar por isso, porque o Exército não vai se preocupar se vai quebrar minhas coisas ou não. Eu já chorei demais por isso, chorei tanto quanto no dia da morte da minha mãe. Eu estou abalada e não sei o que fazer. Eu só faço chorar, é uma dor muito grande”, desabafa.

Morador aguarda posição da Defesa Civil

 

]Alex Fabiano Cerqueira mora no Pinheiro desde 2005. Ele diz que é natural da Bahia e que investiu tudo o que tinha numa casa no bairro. Agora aguarda posicionamento da Defesa Civil para desocupar a casa situada na classificação vermelha de risco.

“Vim morar em Maceió em 2005. Eu sou da Bahia, vendi tudo o que tinha lá por uma oportunidade de trabalho aqui. Comprei um terreno e construí uma casa no Pinheiro. Peguei três empréstimos ao todo para finalizar a construção da casa. Acho que gastei em torno de R$ 50 mil com a construção, fora o terreno. E hoje a minha casa está na linha vermelha e disseram que é preciso desocupar. Minha esposa já falou para a gente alugar uma casa, mas não vamos encontrar nada por menos de R$ 1 mil. E agora não tenho como arcar com essa despesa.”

Embora não tenha condições de sair da casa, ele afirma que tem medo de continuar lá.

“A Defesa Civil disse que eu tenho que sair, mas preciso aguardar, porque existem pessoas com a situação pior que a minha. Que eles vão dar prioridade ao pessoal dos apartamentos e as casas são depois. Mas eu tenho medo, tenho um filho com apenas 20% de visão, eu temo por ele”, revela.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

Comentários

MAIS NO TH