Cidades

17 de janeiro de 2019 09:13

Estudos no Pinheiro devem ser ampliados para outras áreas

Segundo especialista do CPRM, fenômeno no bairro continua ativo e não descarta agravamento em áreas de baixo risco

↑ Mais de 50 profissionais estão atuando no bairro do Pinheiro; estudos devem prosseguir até junho (Foto: Sandro Lima)

O geólogo Jorge Pimentel, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), explicou à Tribuna Independente que os estudos que vêm sendo realizados desde o ano passado no bairro do Pinheiro devem ser ampliados para outras áreas de Maceió. Além disso, novas técnicas devem ser adotadas, como uma análise histórica da ocupação populacional na tentativa de determinar o que tem provocado o fenômeno.

“O primeiro estudo está situado no bairro do Pinheiro porque foi onde foram registradas intercorrências. Nós também visitamos o município de Coqueiro Seco, do outro lado, fora do bairro, e não encontramos evidências de rachaduras e trincas em outros bairros, mas se faz necessário sim ampliar a área de estudo porque se o processo ainda não se estabilizou, com o tempo pode ocorrer continuidade. Esses mapas são dinâmicos é preciso periodicamente fazê-los. Uma das técnicas que nós temos usado é a de imagens de radar, onde o satélite consegue medir mudanças muito sutis de deformações em prédios, casas que o nosso olho não percebe, por exemplo. Quando esse trabalho ficar pronto nós poderemos então enxergar o bairro do Pinheiro, e outras áreas que talvez não tenhamos essa percepção para fazer um trabalho preventivo”, garante.

O especialista realizou uma apresentação nesta quarta-feira (16) durante reunião entre CPRM, Defesas Civis Nacional, Estadual e Municipal, Agência Nacional de Mineração (ANM) , políticos e moradores do bairro.  Segundo Pimentel, a expectativa é que até junho informações mais conclusivas sejam reunidas.

“Apresentamos hoje [quarta-feira] trabalhos já realizados e um conjunto de investigações que ainda vamos fazer. Como a gente tem que entender o substrato em profundida, nós vamos fazer estudos geofísicos, sísmica, métodos elétricos… Para que a gente possa integrar esses dados com o trabalho que a Braskem também vem fazendo, porque a Braskem também vem fazendo estudos para saber se há relação com os processos que ocorrem no Pinheiro. A gente espera que entre abril, maio e junho, possamos ter um bom entendimento do que está provocando essas rachaduras”.

O geólogo faz parte de um grupo de mais 50 profissionais que estão atuando nos estudos no bairro do Pinheiro. Desde a semana passada diversas ações têm sido realizadas no bairro para complementar os estudos iniciados no ano passado.

“A partir de março de 2018 o Serviço Geológico mandou equipes a Maceió para investigar a ocorrência do sismo de 2,4 pontos na Escala Richter e a gente identificou que realmente era uma questão bastante problemática do ponto de vista geológico. A partir daquela época nós ficamos no trabalho de mapeamento dos setores de maior intensidade. A gente percebeu que as rachaduras tinham um padrão que do ponto de vista geológico têm direção e mergulho, isto é, não é uma rachadura casuística, ela tem um padrão. E que essas rachaduras estavam aumentado, tendo continuidade, que tem sido um processo contínuo”, destaca o geólogo.

Preliminarmente, o Serviço Geológico do Brasil trabalha com três hipóteses, duas delas, envolvem a exploração mineral.

“Como é uma região bastante complexa com diversas variáveis os processos devem estar relacionados a falhas geológicas, retirada de água do solo para abastecimento urbano e para a mineração e a questão da mineração de sal a 1.000m de profundidade, são vários fatores que precisam ser investigados. O Serviço Geológico iniciou as investigações, já fizemos o mapeamento das áreas de principal risco, que é o mapa que está norteando a Defesa Civil na elaboração do Plano de Contingência”, diz Jorge Pimentel.

Ainda de acordo com o geólogo é possível que dois ou mais fatores estejam atuando para a situação.

“É muito comum em áreas urbanas que vários fatores atuem para que determinado fator ocorra. Às vezes é um só. Mas na maioria das vezes você tem fraturas, chuvas, por isso é necessário fazer um estudo integrado em diversas áreas que o serviço Geológico domina para que se possa então tentar esclarecer, isso se conseguir, porque muitas vezes não se tem o acesso direto. Porque quando se olha o Pinheiro só se vê o que ocorre em superfície e precisamos entender o que ocorre na rocha, no solo, em profundidade”, aponta.

Até junho, diversas etapas de estudos devem ser desenvolvidas pelas equipes como perfuração de poços, instalação de estações de monitoramento sismográfico. Atualmente o trabalho de interferometria está em execução.

Cerca de 500 imóveis da área vermelha devem ser desocupados

 

A Defesa Civil Municipal informou durante a reunião que cerca de 500 imóveis, da área vermelha, devem ser desocupados. Segundo Dinário Lemos, a metade deles já foi esvaziado. Para tanto, o órgão tem feito um cadastro com a população para viabilizar o aluguel social.

A situação de emergência do bairro decretada no início de dezembro do ano passado pela Prefeitura de Maceió e reconhecida pelo Governo Federal no fim do ano deve viabilizar suporte da União para a assistência da população. Para tanto, dois técnicos da Defesa Civil Nacional estão em Alagoas acompanhando as atividades.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional,  ao fim do cadastro os dados serão inseridos no sistema e a análise da solicitação deve ser feita em caráter de urgência.

Além disso, a desocupação das áreas de risco vermelho devem ocorrer antes da quadra chuvosa para evitar que a situação se agrave com moradores ainda nas residências.

“O mapa mostra áreas mais afetadas e fica evidente o processo continuado. Então nessas áreas já ocorre um risco efetivo, não de afundamento, isso  não deve acontecer, mas sim de ruptura das estruturas dos prédios, uma parede pode tombar, um teto, uma calçada. Se estivesse estabilizado a gente poderia garantir, mas como não está estabilizado pode sim ocorrer o tombamento de uma dessas estruturas, por isso é necessária a remoção dos moradores, como deve ter sido feito. Se o processo continuar, aquelas áreas amarelas e laranjas podem avançar a um grau maior, podem se tornar vermelhas, se o processo não parar. Porque o mapa foi feito em junho e atualizado em setembro, e no próximo mês vamos mostrar como essa evolução vem se dando”, destaca o geólogo Jorge Pimentel.

A apresentação do Plano de Contingência está prevista para ocorrer amanhã (18) no Palácio República dos Palmares pelas Defesas Civis. O plano trará, entre outras informações, como os órgãos devem proceder em caso de um agravamento abrupto e/ou resistência de moradores para deixar o local.

 

 

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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