Cidades

16 de janeiro de 2019 20:15

Pinheiro: pesquisadores detalham ações e estudos no bairro de Maceió

Pesquisador fez histórico da atuação da equipe, que conta com especialistas de todo Brasil

↑ Encontro Técnico com moradores do Pinheiro - Foto: Secom Maceió

Após meses de trabalho para viabilizar a identificação do fenômeno causador de fissuras em vias públicas e imóveis do bairro Pinheiro, os pesquisadores designados pelo Governo Federal para os estudos na região estiveram reunidos, nesta quarta-feira (16), com a população e demais instituições envolvidas no caso. Durante encontro técnico realizado na sede da Prefeitura de Maceió, em Jaraguá, foram divulgados os detalhes das etapas já realizadas e o que vem sendo programado para os próximos meses. Além das apresentações, os representantes do bairro também puderam esclarecer dúvidas e fizeram solicitações aos órgãos presentes.

Coordenando a mesa técnica, o vice-prefeito Marcelo Palmeira acompanhou as apresentações e, em fala à população, reiterou todo o empenho da secretarias e demais órgãos da Prefeitura de Maceió no trabalho no bairro. O gestor reforçou que, conforme seja de competência do Município, o que for necessário vai ser viabilizado não somente para a conclusão dos estudos, mas, sobretudo, para preservar a segurança dos moradores.

“Este é um trabalho complexo, iniciado há quase um ano, que conta com o envolvimento de técnicos da Prefeitura em apoio aos pesquisadores do Governo Federal. Entendemos o anseio da população por respostas e é isto que estamos buscando. A situação do Pinheiro é algo incomum no Brasil, segundo atestaram os técnicos, e estamos recorrendo a todos os meios necessários para encontrar esclarecimentos e soluções. O prefeito Rui Palmeira garantiu o apoio do Governo Federal, segundo determinou o presidente Jair Bolsonaro, e assim seguiremos até que tudo seja resolvido”, afirmou o vice-prefeito.

O secretário de Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos, reiterou o apoio do Governo Federal à situação e enalteceu o trabalho realizado pela Defesa Civil Nacional, Serviço Geológico do Brasil e Agência Nacional de Mineração, que estão envolvidos nos estudos e na elaboração do Plano de Contingência. “Desde fevereiro, quando as fissuras causaram danos, iniciamos uma luta para trazer a Maceió os maiores especialistas do país. O processo é complexo devido à raridade deste fenômeno, até então jamais visto no Brasil, mas temos a certeza que, com o empenho das equipes, logo vamos esclarecer o que tem acontecido”, disse.

Com a exposição de dados técnicos, o geólogo Jorge Pimentel, do Serviço Geológico do Brasil, esclareceu todos os estudos já realizados até hoje, desde a utilização do equipamento GPR aos levantamentos de interfometria, batimetria e eletroresistividade, que estão em andamento. Segundo disse o profissional, estudos de alta precisão e alcance em profundidade serão iniciados nas próximas semanas, visto que há uma dificuldade em decorrência da existência de rochas nas profundezas. Pimentel disse, ainda, que uma Sala de Monitoramento deve ser montada em Maceió por meio do Governo Federal e em parceria com a Defesa Civil Municipal e Estadual.

Complementando a fala do geólogo, o pesquisador Thales Sampaio, também do Serviço Geológico do Brasil, fez um breve histórico da atuação da equipe em Maceió, contando com o envolvimento de 53 especialistas de diversas partes do Brasil. Ele destacou, ainda, a determinação do Governo Federal para atenção prioritária do órgão à situação. Sobre os estudos, Sampaio enfatizou que todas as etapas são fundamentais e complementares, visto que há a necessidade de levantamento de dados em diversas áreas da Geologia e da Geofísica.

“Iniciamos o trabalho ainda em Maceió do ano passado e intensificamos em junho. Agora, com a determinação publicada na sexta-feira (11) pelo presidente da República, o Serviço Geológico do Brasil passou a ter o caso como maior prioridade. Não nos faltarão recursos humanos, técnicos e tecnológicos para esclarecer este fenômeno. Temos dados e estudos sobre a parte superficial e agora avançamos para uma nova etapa, com levantamentos em profundidade, podendo alcançar até 1200 metros do solo. Temos a eletroresistividade, que vai interpretar o subsolo, e a interfometria, que vai qualificar e quantificar a movimentação do bairro Pinheiro. As imagens já foram coletadas por radar via satélite e estão em fase final de processamento”, explicou o pesquisador.

Diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Tasso Mendonça esclareceu o papel da instituição no trabalho referente ao Pinheiro. “A nossa atuação é focada na fiscalização da concessionária Braskem de forma ampla e intensificada. Solicitamos levantamentos de alta definição para identificar se existe, ainda que superficialmente, qualquer relação da atividade da multinacional com a situação. Atuamos com total transparência e vamos compartilhar com os órgãos competentes e a população todos os dados e relatórios solicitados”, ressaltou.

O analista de infraestrutura da Defesa Civil Nacional, Rafael Mendonça, fez abordagens sobre o Plano de Contingência e destacou o apoio do órgão no sentido de ofertar condições à continuidade dos estudos. Mendonça afirmou que o papel da Defesa é dar suporte ao Município na elaboração do plano, o que já vem sendo feito, e também disponibilizar recursos que porventura não possam ser arcados pela Prefeitura de Maceió ou Governo do Estado, que tem também responsabilidades na execução.

“A Defesa Civil Nacional está apta a apoiar a contratação de qualquer estudo complementar necessário, incluindo o envolvimento de serviços geológicos de outros países. Estamos viabilizando os canais jurídicos para isto e os recursos emergenciais que possam vir a ser solicitados pelas instituições envolvidas na execução do Plano de Contingência”, explicou Mendonça.

A reunião contou, ainda, com intervenções importantes do procurador de Justiça Antiógenes Lira, que foi designado pelo Ministério Público Estadual para acompanhar o caso. Ele enfatizou, sobretudo, a necessidade da população buscar informações oficiais para evitar boatos e informações falsas, bem como a disseminação de boatos a fim de causar pânico.

“Pega-se a informação verídica e se transforma em inverídica. Pega-se uma parte de um mapa, divulga sem qualquer informação oficial e causa pânico. É necessário que a população pare de se basear e acreditar em tudo que é enviado por redes sociais. É necessário se informar em canais oficiais, seja do Governo Federal, da Prefeitura ou do Governo do Estado ou demais órgãos que têm responsabilidade. Caso alguém esteja emitindo laudos ou informações inverídicas, o Ministério Público deve ser comunicado para que esta pessoa seja responsabilizada judicialmente”, disse o procurador.

A mesa da reunião técnica foi composta, também, por representantes da Defesa Civil Estadual, geólogos e pesquisadores de Alagoas, representantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), da Defensoria Pública do Estado, além do deputado estadual Léo Loureiro, dos deputados estaduais eleitos Davi Maia, Cabo Bebeto, a deputada federal eleita Tereza Nelma, e os vereadores Francisco Holanda Filho, Francisco Sales e Dudu Ronalsa. O encontro contou, ainda, com a participação de 24 representantes do Núcleo de Defesa Civil Comunitária do Pinheiro (Nudec), 34 representantes da comunidade – entre seis associações do bairro, e 04 representantes do movimento SOS Pinheiro.

A reunião foi transmitida pelas redes sociais da Prefeitura de Maceió e a ata, bem como as apresentações técnicas, serão disponibilizadas na página da Defesa Civil de Maceió, no endereço www.maceio.al.gov.br/defesacivil.

Fonte: Assessoria

Comentários

MAIS NO TH