Cidades

20 de outubro de 2018 10:07

Voo de parapente coloca cidades alagoanas no circuito do turismo de aventura

Jequiá da Praia, Pindoba, Palmeira, União, Tanque d’Arca, São Miguel dos Campos e Piaçabuçu estão entre elas

↑ Velocidade do vento e paraquedas de reserva estão entre os pré-requisitos exigidos para um voo seguro (Foto: Edilson Omena)

As belezas das praias de mar azul cristalino e vastos coqueirais espalhados pela costa alagoana chamam atenção de turistas de várias partes do Brasil e do Mundo. A capital alagoana, por exemplo, é o destino do país que mais cresceu no interesse do brasileiro no primeiro trimestre de 2018 segundo um levantamento realizado pela agência online de viagens líder nacional Hotel Urbano, que registrou um aumento de 40% na procura por destinos nacionais em comparação ao mesmo período de 2017.

A capital do ‘’Sol e Mar’’ ocupa a primeira posição no ranking dos destinos que mais se destacaram na busca da plataforma, ultrapassando outros já consolidados e de grande procura como Fernando de Noronha (PE), Foz do Iguaçu (PR), Balneário Camboriú (MG) e Cabo Frio (RJ). Mas não é só a capital que oferece alternativas para os turistas. Muitas cidades do interior do estado também têm muitos atrativos para quem quer passear em terras alagoanas.

Os visitantes e os próprios nativos que gostam de adrenalina, de aventura e do contato direto com a natureza têm várias opções no turismo de aventura que pode ser realizado em diversas partes do estado. E uma das opções que, de início pode até dá um friozinho na barriga, mas depois pode levar o praticante às alturas, é o voo de parapente que coloca várias cidades do interior, como Jequiá da Praia, Pindoba, Palmeira dos Índios, União dos Palmares, Tanque d’Arca, São Miguel dos Campos, Piaçabuçu e outras no circuito do turismo de aventura.

Em Jequiá da Praia, a natureza criou uma rampa de decolagem perfeita para o voo de parapente e foi para este paraíso que o instrutor Emerson Miranda levou a equipe de reportagem da Tribuna Independente. Emerson é do Grupo Voo Livre Alagoas e instrutor de parapente há 14 anos. Instrutor experiente, Miranda já viajou para vários lugares onde praticou a modalidade.

De acordo com ele, o parapente faz parte da modalidade esportiva dentro do voo livre e em Alagoas tem uma procura razoável principalmente por turistas. “Temos vários públicos. Geralmente é turista, maioria absoluta são mulheres. Em Alagoas, como temos condição climática favorável, direção e intensidade do vento, e pouca chuva, podemos voar praticamente todos os dias do ano. Eu trabalho com agendamento, clientes me procuram via mídia social, e se deslocam para Jequiá da Praia, ou ofereço o translado”, comenta.

Miranda destaca que o turista que chega ao estado procura por esse tipo de atrativo porque além de ter o contato direto com a natureza. “Tem muita gente fazendo e agregando maior valor para esse tipo de aventura. A prática deixa o ‘cliente’ com contato único com a natureza. Aqui em Jequiá, eles têm a oportunidade de sobrevoar as falésias que é uma atração à parte”.

O instrutor disse que também têm muitos alagoanos fazendo esse tipo de turismo. “A grande maioria das pessoas que curtem essa prática em Alagoas é pessoas que têm o perfil voltado para o gosto de viajar e geralmente na faixa etária de 25 a 65 anos de idade. Já fiz o voo duplo com pessoas de mais de 65 anos. A idade varia muito. Só não podemos voar com menores de 16 anos, mesmo sendo liberados pelos responsáveis”, ressalta.

SEDETUR

De acordo com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas (Sedetur), não há o número oficial de empresas ou pessoas que trabalham com a modalidade no estado. No entanto, o órgão garante que faz a divulgação dos lugares que oferece o turismo de aventura, em suas mais diversas modalidades.  “Sempre que vamos divulgar um roteiro turístico na imprensa ou em eventos ligados ao segmento, falamos dos atrativos que o mesmo oferece ao turista, mas sem nenhum vínculo específico com essas empresas que realizam a prática do esporte. Nas divulgações do destino, a Sedetur sempre fala da opção de voos de parapente que algumas empresas oferecem”.

Parapentistas devem cumprir algumas normas

Na prática do parapente, todos os parapentistas devem ter o máximo de respeito pelo cumprimento de normas e regras de segurança e estar o melhor preparados para decolar, seja sozinho ou em voo duplo.

Emerson Miranda explica alguns pré-requisitos e equipamentos necessários para se iniciar no parapente. “Para que o voar do parapente nunca fique comprometido, é fundamental que cada praticante reúna todo o tipo de equipamento necessário e obedeçam as condições climáticas como a intensidade do vento e a sua direção. O vento tem que estar de 18 a 25 quilômetros por hora na decolagem e em voo, nessa faixa. Aqui em Alagoas, o vento do leste ou do sudeste é que nos permite voar. Na verdade, tudo que voa precisa decolar e pousar com a ajuda do vento”, comenta.

Além disso, o instrutor realiza uma “espécie” de briefing antes da decolagem para explicar aos participantes como vai funcionar o voo. “Isso é de fundamental importância para que o praticante entenda como vai funcionar tanto a decolagem quanto o voo e o pouso”.

EQUIPAMENTOS

Entre os equipamentos exigidos estão o velame que é um dos acessórios mais importantes no parapente, pois é o principal responsável pela manutenção de um paraquedas no ar e, como tal, deve ser criteriosamente escolhido. O velame é feito de materiais como o nylon e o poliéster que não são porosos e impermeabilizados para que o ar que entra não saia descontroladamente através do tecido, mantendo assim a pressão interna e o velame inflado.

O paraquedas de reserva também é um acessório de utilização obrigatória para a máxima segurança de um piloto e de um voo. Este é um tipo de paraquedas que é utilizado em caso de emergência, como em caso de colisão, falha de sistema, linhas entrelaçadas e em todas as situações que conduzem à perda irreversível de altitude. O tamanho do paraquedas de reserva varia de acordo com o peso a ser sustentado.

O arnês é uma das peças mais importantes na prática do parapente, também não pode faltar, pois é o equipamento responsável pelo conforto de um piloto. O capacete é outra peça de segurança essencial a ser utilizada no parapente, uma vez que protege a cabeça de um piloto em qualquer tipo de situação. Já o altímetro tem a função de indicar a altura que um parapentista se encontra em relação ao solo, mas também mostra a taxa ascendente ou descendente a que ele se desloca. A maioria dos altímetros tem apontamentos diferentes, dependendo se um praticante estiver a ganhar ou a perder altura. Este é um instrumento que também é muito utilizado na asa delta e no skysurf.

Outro equipamento é o rádio, acessório obrigatório num voo de parapente, principalmente se a viagem for longa ou se estiver perto do raio de ação de outras aeronaves. Muitos pilotos têm um rádio UHF para comunicar entre si e VHF para contatar os serviços de voo. Por outro lado, o GPS também assume uma enorme importância no parapente atual, pois ajuda a planear detalhadamente um voo, sem nunca perder as principais referências. Outros equipamentos como luvas, óculos de sol e faca são essenciais durante a prática.

Praticantes revelam sensação de voar

A empresária Tatiane Brasil foi convidada por Emerson para participar de um voo especial feito justamente para a reportagem da Tribuna Independente e de cara ela aceitou. De acordo com ela, este foi o segundo voo que fez.

“Já havia feito um. Este é o meu segundo voo. A sensação de voar é a melhor possível. Observo a natureza, o som do vento. Nos traz uma paz. É muito diferente contemplar a natureza pelo ar”, comenta a empresária.

Quem também já teve a oportunidade de contemplar a natureza a partir do voo de parapente foi o empresário Daniel Brasil que tem uma empresa de turismo de aventura. Ele afirma já ter feito o voo algumas vezes e ter recordado sonho de infância.

“Me remete a uma sensação ‘retrô’ de infância mesmo quando tinha o sonho de querer voar – todo garoto tinha esse sonho.  No voo livre, nos sentimos como um pássaro. A conexão com a natureza é incrível, pois o que nos leva é o vento”, disse o empresário que desde 2012 trabalha com turismo de aventura. De acordo com ele, proporciona as pessoas novas experiências em locais de belezas naturais e culturais do estado.

Entre os passeios propostos por Daniel está o voo de parapente. “Eu conheço o Emerson e sempre indico os passeios. Como trabalho para proporcionar novas experiências, vejo que está uma boa. Onde não havia turismo a gente leva. Já realizei 3.400 passeios em seis anos, entre trilhas, voos, viagens para tribos indígenas etc.”, conta.

Emerson Miranda e Daniel disse que a sensação de fazer o voo de parapente é totalmente diferente do paramotor. “No paramotor estamos sendo conduzido por equipamentos criados pelo homem. Não existe a sensação de liberdade. Não é o vento que nos leva. Mas só quem já voou sabe como é ter a sensação’’.

Miranda disse que quem voa de parapente sabe por que os pássaros cantam. Mas ele ressalta que as pessoas devem procurar uma agência ou instrutor qualificado. “É preciso fazer uma pesquisa e contratar um instrutor com experiência no mercado”.

Quem deseja fazer o voo duplo panorâmico terá que desembolsar a quantia de R$ 250 para o voo que tem duração aproximada de 20 a 25 minutos dependendo da condição climática.

Parece um valor alto, mas de acordo com o instrutor o preço agrega além da experiência de voar, outros passeios, já que os locais são referência em belezas naturais.

Todas as fotos: Edilson Omena

Fonte: Lucas França / Tribuna Independente

Comentários

MAIS NO TH