Cidades

21 de setembro de 2018 08:26

Em cinco anos, 10 autoescolas fecham em Alagoas

Campanha de Sindicato faz alerta para centros de formação que oferecem serviços com valores fantasiosos e práticas indevidas

↑ Cetran destaca autoescolas que acompanham o candidato até o fim do processo para tirar a habilitação: “É impressionante o percentual de êxito desses alunos”, avalia presidente do conselho Antônio Tenório Neto (Foto: Assessoria)

Em cinco anos, dez centros de formação de condutores foram fechados devido a cobranças inadequadas de valores em Alagoas. A informação é do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Alagoas (SindCFC-AL) que aproveita a Semana Nacional de Trânsito para fazer o lançamento da campanha “O barato sai caro”.

“Nos últimos cinco anos o sindicato contabiliza que dez empresas do setor fecharam as portas e a motivação é sempre a mesma: a cobrança indevida de valores que não condizem com o valor referente a prestação do serviço. O caso mais recente ocorreu numa auto escola no Farol que ficou sem condições de atender os clientes, gerou um grande transtorno, mais de 200 alunos ficaram sem aulas. Tivemos no começo do ano um grupo em Arapiraca, que expandiu para Delmiro Gouveia, Taquarana e também gerou problema”, destaca o presidente da entidade João Batista Neto.

Segundo João Batista, alguns centros de formação trabalham com serviços baseados em valores fantasiosos, que não correspondem com a realidade do mercado. Ainda de acordo com o presidente, uma cartilha com informações aos futuros condutores foi elaborada no sentido de esclarecer as condutas adequadas por parte dos centros de formação.

Categoria D

“Em 2015 fizemos um levantamento com o Sebrae relativo aos custos de prestação adequada do serviço. Para se ter uma ideia, neste estudo uma carteira de categoria D não poderia ser comercializada por menos de R$ 1.260. E hoje três anos depois com todos os acréscimos que já aconteceram, de serviços, combustível, por exemplo, tem local oferecendo por R$ 700,00, a metade de um valor estipulado em 2015, que obviamente já está defasado.”

João Batista explica que este tipo de conduta prejudica a formação dos condutores de diversas formas. Entre elas, impedindo que aulas e o suporte sejam oferecidos de maneira adequada.

“A nossa preocupação é com a sobrevivência do setor, com a saúde econômica das empresas e ao mesmo tempo a preocupação se estende à formação desses condutores. Que formação esses condutores estão tendo em alagoas, com empresas que não têm a condição de manter uma estrutura adequada de veículos, instrutores capacitados? Porque se você cobra um valor que não condiz com um serviço de qualidade, é óbvio que você não vai oferecer um serviço de qualidade ao cliente”, diz

CAMPANHAS

Se não há formação adequada, o risco é que os futuros condutores recebam cada vez menos as informações necessárias para um trânsito seguro. O que vai na “contramão” das campanhas educativas que visam a diminuição dos índices de acidentes, como a Semana Nacional de Trânsito.

“O que preocupa o sindicato é que esse cliente é um futuro condutor que vai ser introduzido nas vias do estado, em um país que perde 50 mil pessoas por ano em acidentes de trânsito. Isso se mostra um problema ainda mais profundo, porque tem o lado social, a questão do trânsito que mata muita gente”, reforça.

Formação deve ter acompanhamento até os testes, diz Cetran

O presidente do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), Antônio Tenório Neto, avalia que a formação dos condutores tem sido severamente prejudicada por práticas inadequadas.

“Uma das coisas muito importante de ressaltar é que o Cetran acompanha a junta avaliadora dos exames práticos e é impressionante quando você vê uma autoescola que acompanha o condutor, que vai até o fim, que se preocupa com o resultado, é impressionante o percentual de êxito desses alunos. Em contrapartida você vê autoescolas que não vão nem lá, que não acompanham e é impressionante como eles [alunos] não têm tanto êxito. Isto reafirma que a autoescola comprometida cobra o valor justo. Infelizmente as autoescolas são desunidas e acabam prejudicando a cadeia”, ressalta.

Os centros que fazem a cobrança de valores muito abaixo do mercado ou não oferecem o serviço completo ao cliente podem sofrer diversas punições, inclusive o fechamento, esclarece Antônio Tenório Neto.

INVESTIGAÇÃO

“Tem um caso específico de uma autoescola que  cobrava entre as taxas do Detran e o curso por um valor totalmente fora do padrão. Totalmente absurdo eu digo porque se fosse pagar todas as taxas ao Detran e pagar o curso não sobraria nem R$ 100 para o curso, praticamente impossível de trabalho com esse valor. Então, foi aberto um processo administrativo, foi feito Boletim de Ocorrência, tem inquérito tramitando e a gente conseguiu suspender a atuação dessa auto escola. Esse caso ocorreu em julho deste ano. Mas também houve uns quatro casos recentes como este”, aponta.

Antônio Tenório explica ainda que o Cetran tem acompanhado a atuação dos centros. “Em nível de Conselho a gente tem se preocupado muito. Inclusive a gente faz o acompanhamento dos Pad’s (Processos Administrativos Disciplinares) contra as autoescolas. O Cetran tem tido papel essencial na investigação. A gente faz visitas rotineiras nas autoescolas, sem avisar. Algumas ficam até com raiva porque não avisamos, mas fazemos porque é nosso papel”.

A orientação para os futuros condutores é avaliar as informações passadas pelas autoescolas e confirmar a veracidade delas por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AL), além disso, promoções fantasiosas devem despertar sempre a desconfiança.

“O importante é que o consumidor avalie, vá nas autoescolas, visite as instalações, veja quem são os instrutores, se tem formação, se estão cadastrados no Detran. Porque hoje você investe R$ 1.200 para um habilitação e para a maioria dos alagoanos, num estado pobre,  fazer um investimento destes hoje e jogar fora é complicado”, alerta o presidente do Cetran.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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