Saúde

14 de setembro de 2018 09:51

Pediatra alerta sobre aplicação das 2 doses contra HPV

Andreia Rose explica que apenas uma injeção não garante a eficácia da vacina em meninos e meninas

↑ Vacinação deve ocorrer em meninas entre os 9 e 14 anos e meninos entre os 11 e 14 anos para evitar doença (Foto: Ascom Sesau)

O Ministério da Saúde fez um alerta esta semana sobre a necessidade de aplicação das duas doses da vacina contra o HPV em meninas entres os 9 e 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos. Sobre o assunto, a pediatra Andreia Rose explicou que tomar apenas uma dose não garante a eficácia da vacina.

“A importância de fazer a segunda dose é porque você começa aumentando o anticorpo com a primeira dose, mas só se consolida a quantidade de anticorpo para combater com a aplicação da segunda dose. Nas meninas a vacina serve para evitar um possível futuro câncer de colo de útero e para os meninos para não propagarem o vírus. Essa é a preocupação maior para fazer a segunda dose”, destaca.

Segundo a pediatra, a imunização só fica completa após completar o ciclo da imunização que é da primeira dose, e após seis meses a segunda dose, conforme a orientação do Ministério da Saúde.

“Não adianta fazer apenas a primeira dose. Fica uma cobertura parcial. Se o adolescente tiver contato com o vírus, o organismo não vai ter a quantidade de anticorpos suficiente para combater a entrada do vírus. Se for uma quantidade grande, provavelmente vai ser como se não tivesse tomado a vacina. Por isso, a importância da segunda dose. Todas as vacinas que têm duas doses, três doses, a preocupação é justamente estimular uma determinada quantidade de anticorpo, que é re-estimulada com as outras doses. Para ficar realmente o organismo bloqueado contra o vírus. Não se faz várias doses de vacina porque se acha bonito, mas é porque realmente tem função imunológica no organismo”, esclarece.

A médica aponta que diversas informações falsas circulam a respeito da imunização. No entanto, não há evidências científicas que contestem sua eficácia.

“Apesar de muitos pais não quererem fazer a vacina, principalmente os pais de meninas, que acham que pode ter consequências, gerar outros tipos de doença, que pode aumentar a predisposição da criança, mas isso é especulativo. Isso é informação falsa, alguém jogou na mídia e as mães que tudo leem, tudo se informam, acreditaram, mas não há nenhum fundo científico. O que é preconizado pelo Ministério da  Saúde é o que as pesquisas apontam”.

Sesau ainda não possui dados sobre 2ª dose

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que não possui dados a respeito do quantitativo de crianças que tiveram acesso à segunda dose da vacina. Em relação à primeira dose este ano 11,14% dos meninos de 11 anos foram imunizados, 40,75% com 12; 54,67 dos meninos com 13 anos; e 42,79 de 14 anos.

Já entre as meninas os percentuais estão em 19,41% para as meninas de 9 anos; 62,22% com 10; 66,44% com 11 anos; 117,68 do público alvo com 12 anos; 99,61% das meninas com 13; e 81,45% das meninas com 14 anos.

Em todo o país, no ano passado, 79,2% das meninas, quase a meta do ministério, tomaram a dose inicial. Considerando a segunda etapa, o total não chegou a 50%.

VACINAÇÃO

Mirian da Silveira Monte é mãe de Theresa de 11 anos, ela conta que a filha foi imunizada com a vacina e faz o alerta para a que os pais estejam atentos à aplicação das duas doses.

“Ela tomou a vacina com dez anos, as duas doses. Isso foi ano passado. Quando ela foi tomar, o pai dela foi levar porque eu estava trabalhando. Lá informaram da imprescindibilidade da aplicação da segunda dose, porque comprometeria substancialmente o efeito da vacina. Então, ela tomou na data exata a segunda dose”.

Para a mãe, a importância vai além de cumprir a obrigação, passa pela garantia de bem estar das crianças no futuro.

“Eu não abro mão que ela tenha a cobertura vacinal de tudo que for necessário, para que ela tenha uma excelente qualidade de vida. Evitar um futuro câncer do útero ou uma doença é o que toda mãe deve desejar a um filho. Se depender de mim,  minha filha vai tomar todas as vacinas e vamos estar fora dessas estatísticas. Ela tomou e não teve nenhuma reação. Graças a Deus essa etapa foi superada”, conta a mãe.’’

Mas segundo Mirian, em sua rotina, é comum encontrar pais que sentem receio de vacinar seus filhos por medo ou desinformação.

“Muitas vezes por desinformação os pais ficam com receio de dar a vacina e acontece o que estamos vendo aí, batendo às nossas portas doenças que foram erradicadas, voltando à tona no cenário da nossa sociedade. É uma coisa lamentável. Não sei se alguém deixou de vacinar, mas é comum, em encontros de pais encontrarmos quem sente receio”, pontua.

É o caso de Aline, mãe de Alejandro de 10 anos. Ela afirma não se sentir segura ainda com a vacina.

“Acho muito experimental, ainda têm muitas crianças que têm reações. Entendo a urgência do governo em lançar uma vacina dessas, mas tenho lido muitas crianças adoecendo após tomar essa vacina. E como meu filho ainda deve demorar o início da vida sexual estou aguardando um pouco mais até sentir segurança na vacina”, diz a mãe.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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