Cidades

11 de setembro de 2018 12:44

OAB pede apuração sobre invasão

Segundo SSP, polícia tinha mandado de busca e apreensão emitido pela 17ª Vara; uma reunião hoje pode esclarecer caso

↑ Paula Lopes e o marido tiveram residência revirada durante feriado e afirmam desconhecer motivação do ocorrido (Fotos: Edilson Omena)

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL), Ricardo Moraes, afirmou à reportagem da Tribuna Independente que busca esclarecimentos sobre a suposta invasão à residência da advogada Paula Simony Lopes, ocorrida na última sexta-feira (7).

“A gente vai buscar evidências de que essa ação possa ter sido ação policial. Vamos tentar buscar provas, depoimentos. Nós temos a informação de que foi ação policial, tentando com a SSP, inclusive o secretário quer uma reunião conosco. Tenho certeza que a cúpula nem o comando se coaduna com ações deste tipo. Estamos tentando imagens com vizinhos, depoimentos. A gente sabe que foi uma ação policial, a gente alega, mas temos que provar.  Precisamos desses elementos e comprovando esse abuso vamos lutar pela responsabilização. Se de fato foi ação policial ela fugiu do controle”, destaca Ricardo Moraes.

SSP

Sobre o fato, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) emitiu nota na noite de ontem informando que a Polícia Militar de Alagoas, através da Assessoria de Comunicação, entrou em contato com a 5ª Companhia de Polícia Militar/Independente (5ª CPM/I) para averiguar a denúncia de uma suposta invasão a domicílio por parte da guarnição local ocorrida na última sexta-feira.

“Conforme consta no Boletim da Ocorrência não houve invasão a domicílio, mas sim o cumprimento de um mandado de busca e apreensão emitido pela 17ª Vara após solicitação do MP/Gaeco em uma  residência situada na Rua Guaiamun.

A corporação informa que qualquer informação sobre a expedição do mandando deve ser solicitada a 17ª Vara, e se a pessoa ofendida tiver alguma queixa do procedimento policial deverá procurar a Corregedoria para que sejam tomadas as devidas providências legais”, diz a nota.

ADVOGADA

A advogada e ativista de Direitos Humanos utilizou as redes sociais para denunciar uma invasão à sua residência. Segundo ela, os vizinhos informaram que  a ação teria sido supostamente praticada por forças policiais. À reportagem, ela detalhou que foi com o marido, Igor Araújo e os filhos de 4 e 6 anos ao desfile da Independência na última sexta-feira. Ao  voltar para casa, Igor foi surpreendido com o portão entreaberto e o imóvel revirado.

“O portão estava encostado, as luzes acesas e tudo havia sido tirado do lugar. Aparentemente nada havia sido levado. Mas fizeram várias escavações no quintal, tiraram tudo do guarda-roupa, pisotearam o cultivo dele [Igor], quebraram os brinquedos das crianças. Pisaram a casa toda, mexeram em tudo, no quarto das crianças, no guarda-roupa. Ficou tudo revirado. Está de um jeito horrível, muito sujo. Tudo estava fora do lugar”, conta a advogada.

Segundo Igor Araújo, sem saber o que havia acontecido e como já era noite, ele resolveu voltar no outro dia.

“Por volta de umas 19h eu voltei para casa e me deparei com isso. O portão estava diferente, todas as luzes acesas, coisas reviradas. De imediato pensei que era assalto, mas fui percebendo que nada havia sido levado. Fiquei com medo e saí. Voltei depois para entender melhor o que tinha acontecido. Aí vi que tinham estragado minhas experiências agroecológicas, como macaxeira, banana, quiabo, enfim, isso foi destruído. Os vizinhos relataram mais de uma viatura policial”.

O casal afirma não entender a motivação do ocorrido. “Não sabemos o que aconteceu. Não temos inimizades. Mantemos uma boa relação com os vizinhos. Não tivemos nenhuma informação do que se tratava, não deixaram nada com os vizinhos, nenhuma notificação, nada”, diz Igor.

Depois da constatação, a família está abrigada em outro local. Segundo Paula, eles temem voltar à residência por não saber exatamente o que houve ou qual a motivação do ocorrido.

“A gente tem medo de voltar, não tem como ficarmos lá. A gente não sabe quem foi, quem fez isso ou porque fez isso. Afinal a polícia desse estado tem fama de ser violenta. Eu nunca tive nada contra polícia, pelo contrário, sempre defendi. Mas por surpresa nossa, quem entrou na nossa casa não foi bandido, não foi assalto, e sim policial que era quem deveria garantir nossa segurança”, diz a advogada e ativista.

ESCLARECIMENTOS

A advogada registrou Boletim de Ocorrência (BO), mas em contato com a assessoria de comunicação da Polícia Civil, o órgão informou que ainda não tinha sido comunicado do fato.

Uma reunião entre representantes da SSP e a advogada está prevista para ocorrer hoje (11).

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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