Cidades

27 de julho de 2018 20:58

Eclipse lunar fica visível na capital alagoana mesmo com tempo nublado

Fenômeno da oposição de Marte também pôde ser observado

↑ Grupo de astronomia de escola do Jacintinho levou telescópios à orla para observar eclipse lunar (Foto: Adailson Calheiros)

Um céu nublado no final da tarde desta sexta-feira (27) fez com que a população maceioense imaginasse que não conseguiria ver um dos fenômenos celestes mais esperados do ano. O eclipse lunar – junto com a lua de sangue e a proximidade do planeta Marte – pôde ser observado pelo público alagoano, embora algumas nuvens no início da noite tenham tentado esconder o espetáculo.

O médico patologista e astrônomo amador alagoano Romualdo Caldas explicou à reportagem da Tribuna os detalhes do fenômeno. “Às vezes, em lua cheia, pode acontecer o eclipse total. Quando a Terra fica entre a lua e o sol, a lua passa pela sombra da Terra. Se a lua passar totalmente pela sombra que a Terra projeta no espaço, teremos um eclipse total. A questão da lua de sangue é que nossa atmosfera deixa refratar raios solares, principalmente no que diz respeito a ondas vermelhas. Isso faz o astro, durante o eclipse, ter a tonalidade avermelhada”, comenta.

Romualdo – que é presidente do Centro de Estudos Astronômicos de Alagoas – também explicou que, caso ocorra uma atividade vulcânica de grandes proporções antes de um eclipse como esse, provavelmente a lua não ficaria com a cor vermelha. “Pois a fumaça na atmosfera terrestre não refrataria ondas vermelhas para o espaço. Neste caso, a tendência seria a lua ficar escura durante um eclipse”, diz o astrônomo amador.

Marte também teve protagonismo no céu noturno desta sexta. O fenômeno conhecido como grande oposição de Marte deixou o planeta vermelho mais brilhante, bem ao lado da lua eclipsada. “Estamos nos melhores dias para observação telescópica de Marte. Quando esse planeta nasce no horizonte do lado leste, o sol está se pondo no lado oeste. Isto significa que ele será visível a noite toda. Quando o planeta está exatamente oposto ao sol, temos o fenômeno da oposição. Coincidentemente, este alinhamento também acontece nesta sexta-feira”, explica.

Recompensa para quem enfrentou o tempo frio da orla de Maceió nesta sexta: ‘lua de sangue’ surge acima do mar (Foto: Adailson Calheiros) 

Expectativa na orla

Na praia de Jatiúca, exatamente em frente ao Corredor Vera Arruda, dezenas de pessoas se amontoaram no calçadão no final da tarde para apreciar o eclipse e a lua de sangue. Uma iniciativa da Escola Estadual Noel Nutels, localizada no bairro do Jacintinho, levou professores e alunos para a orla.

A escola possui o Grupo de Estudos em Astronomia e Ciências (GEAC), que tem à frente o professor José Cláudio da Silva. No calçadão, estavam três telescópios devidamente posicionados para apreciação do fenômeno. “Podemos observar Marte aparecendo no horizonte. A lua está abaixo dele e logo será visível”, afirmava o professor, enquanto observava o planeta em um dos telescópios por volta das 17h45. Nesta hora, um pequeno ponto se destacava na linha do horizonte, bem acima do mar: o planeta vermelho.

A diretora da escola estadual, Márcia Cerqueira, também estava no local e afirmou à reportagem que a ida à orla foi ideia do GEAC. O tempo nublado e o tempo frio não espantaram quem desejava admirar o raro fenômeno e, as muitas pessoas que permaneceram no local, tiveram sua recompensa. Pouco depois das 18h, entre nuvens, a lua, já eclipsada e com a tonalidade vermelha, surgiu no céu de Maceió.

No calçadão da orla, Ana Rafaela observava o fenômeno juntamente com os três filhos pequenos, que brincavam na areia da praia. O filho mais velho, Pedro Soares, de 10 anos de idade, gosta de ciência e estava empolgado com o fenômeno. “Gosto de astronomia. Hoje, eu queria ver Saturno. Quando crescer, quero ser arquiteto”, disse a criança à reportagem.

Pedro estava certo quanto a Saturno. “Ele está próximo a Marte”, afirmava o professor José Cláudio. Esdras Oliveira é estudante e presidente do GEAC da Escola Noel Nutels. Ele afirmou que o grupo faz visitas a escolas de Maceió. “Levamos planetários e explicamos sobre astronomia aos demais estudantes”, afirma Esdras, que tem 16 anos e diz ser fã de física. “Quero ser astrônomo”, finaliza, enquanto fala para os curiosos no local sobre o eclipse e a proximidade de Marte.

Fonte: Texto: Rívison Batista

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