Cidades

10 de julho de 2018 08:23

Resistência dos trabalhadores não cairá no ostracismo

Com salários em atraso, jornalistas e gráficos decidiram iniciar manifestos que culminaram com a cooperativa

↑ Jornalistas e gráficos ocuparam a frente da antiga Tribuna em protesto pelos salários atrasados (Foto: Adailson Calheiros/arquivo)

O jornal Tribuna Independente, produto veiculado pela Cooperativa de Jornalistas e Gráficos de Alagoas (Jorgraf), completa nesta terça-feira (10), onze anos no mercado de Jornalismo no estado. Para celebrar esta conquista anual, as dificuldades e conquistas durante este período jamais podem cair no ostracismo.

Tudo começou quando os funcionários da antiga Tribuna de Alagoas estavam com dois meses de salários atrasados e das desculpas sem fundamento de seus patrões anteriores. Diante do impasse, jornalistas, gráficos e área administrativa do jornal resolveram cruzar os braços e passaram a se concentrar numa vigília em frente à empresa, no dia 16 de janeiro de 2007, no intuito de aguardar o pagamento dos salários.

O protesto teve o apoio dos Sindicatos dos Jornalistas e dos Gráficos, que deram o suporte político e logístico para as reivindicações dos trabalhadores. A mobilização teve início numa sexta-feira. À época, o diretor de jornalismo tentava o tempo todo convencer os trabalhadores que deveriam voltar aos postos de trabalho, pois o pagamento dos salários estava a caminho, coisa que não aconteceu. Era uma forma de ganhar tempo e embromar os jornalistas, gráficos e demais funcionários.

Diante daquela situação calamitosa, as lideranças dos sindicatos convocaram uma assembleia. Os trabalhadores definiram que ninguém voltaria ao trabalho até que os salários fossem pagos. A luta iria continuar. O horário para o fechamento do jornal foi se expirando e com o passar das horas todos começaram a perceber que aquela batalha estava apenas começando.

No fim da noite foi feita uma consulta e decidido o piquete para o dia seguinte. Com o passar dos dias, o movimento foi se fortalecendo em busca de saídas para aquela greve e foi nascendo a necessidade de colocar para a sociedade o que estava acontecendo com os trabalhadores da empresa.

Foram dias e noites de vigília, os turnos eram revezados na grama em frente ao prédio, com receio de que os empresários não dilapidassem o patrimônio do jornal.

As entidades de classe colocaram faixas e carro de som para denunciar aquele calote e o que foi feito com a empresa e com os 140 trabalhadores. Todos os dias havia reunião e assembleia de avaliação do movimento, à noite ou no fim da tarde. Muitas foram as tentativas de negociação e de se chegar a um consenso para toda aquela situação constrangedora. A crise da Tribuna de Alagoas estava exposta.

Os débitos que a empresa tinha contraído com seus fornecedores, os gastos excessivos dos diretores com farras, viagens de lazer para a Europa e uso de cartão institucional sem limite foram os fatores que levaram à falência da empresa, na fase administrada pelos últimos patrões. A Tribuna de Alagoas foi à bancarrota.

Em uma assembleia decisiva e diante daquela crise instaurada, os jornalistas e gráficos decidiram ocupar o prédio. Como consequência, iriam fazer edições semanais para que fossem distribuídas nos atos, piquetes e mobilizações que fossem feitas na rua e nos sinais de trânsito, colocando para a sociedade alagoana toda aquela situação constrangedora que estavam passando.

A determinação foi aproveitar o material humano e o papel que ainda tinha na empresa e todo domingo passaram a finalizar as edições, com apoio da sociedade civil alagoana, de políticos e dos movimentos sociais que foram prestar solidariedade àqueles trabalhadores e familiares.

Fonte: Tribuna Independente

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