Cidades

20 de Abril de 2018 08:21

Geotécnicos iniciam estudo no bairro do Pinheiro

Equipe da UFRN fez visita em ruas e residências do bairro afetadas pelas rachaduras que surgiram em fevereiro

↑ Técnicos chegaram ontem a Maceió e já visitaram área afetada pelas fissuras; nos próximos dias, equipe irá realizar diligências em todo o Pinheiro (Foto: Adailson Calheiros)

Os estudos sobre os fenômenos geológicos que aconteceram no bairro do Pinheiro em Maceió nos últimos meses não param. Nesta quinta-feira (19), uma equipe de geólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) chegou à capital e foi direto fazer uma inspeção no bairro e nas residências afetadas com as rachaduras que começaram a aparecer no dia 15 de fevereiro deste ano. A equipe também vai tentar esclarecer o tremor de terra ocorrido na tarde do dia 3 de março.

Os especialistas chegaram a Maceió com objetivo de responder qual ou quais os fenômenos que estão ocorrendo no bairro. De início, Francisco Pinheiro, doutor em Geologia Sedimentar, que lidera a equipe que está em Maceió disse que não tem como dar um parecer sobre o ocorrido.

“Seria muito precoce falar algo agora. O estudo exige tempo para que todo o processo de investigação seja realizado pelo grupo com base nos estudos que já foram iniciados pelo Serviço Geológico do Brasil e com as informações que a Defesa Civil Municipal nos passou. A partir disso, iremos monitorar o local e usar os equipamentos apropriados para o estudo geofísico e montar um cronograma. O estudo ou analise é como se fosse de uma investigação criminal. Estamos aqui há uns 15 minutos, não teria como apontar as causas do tremor ou destas fissuras apenas com o olhar visual. O trabalho precisar avançar. Existe uma série de hipóteses e isso leva um pouco de tempo. No final, esclarecer as causas e os motivos que possam ter ocasionado o fenômeno”, explica o especialista, pontuando que nos próximos dias a equipe irá realizar diligências em todo o bairro.

Francisco Pinheiro, explicou que a visita ao local junto a Defesa Civil é importante para eles terem uma noção do que aconteceu e pontuou que o laudo feito anteriormente pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) apontou quatro hipóteses distintas e que vão ser analisadas.

“Entre as hipóteses estão à questão das chuvas que caíram na região e as camadas inconsolidadas do solo. Todas elas serão consideradas e nós vamos buscar elementos para chegar a esclarecer exatamente como está ocorrendo”, explica.

Sobre o equipamento que será usado, o geólogo disse que será importante para averiguação de uma das hipóteses apontadas anteriormente. “O GPR vai fazer uma investigação rasa, superficial. Vamos trabalhar com o equipamento com base em uma das hipóteses apontadas. Além do GPR, vamos usar outros equipamentos, porque o estudo que iremos fazer vai envolver várias abordagens e por isso equipamentos e ferramentas diferentes”, conclui.

Especialistas se reúnem para montar cronograma de estudo

Nesta sexta-feira (20) pela manhã a Defesa Civil vai realizar uma reunião com funcionários da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea/AL), da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Braskem entre outros órgãos, onde será realizada uma mesa redonda para que os especialistas do solo em Alagoas entendam o que os geotécnicos da UFRN têm a dizer sobre os fenômenos geológicos em Maceió.

O coordenador da Defesa Civil Municipal pontua que o órgão sempre vem recebendo chamado sobre novas rachaduras no Pinheiro. “Hoje [quinta-feira] mesmo tivemos cinco chamados novos. Estamos catalogando tudo para passar para os especialistas. À proporção que forem sendo feitas as averiguações nesses novos locais e for apresentado risco iminente aos moradores solicitaremos a evacuação”, ressalta.

Sobre as rachaduras Lemos disse que onde as réguas foram colocadas para monitorar o avanço não foram apresentadas evolução no tamanho. No entanto, em uma das residências a fissura cresceu consideravelmente. “Acredito que onde a água da chuva entrou pode ter ficado mais larga”, disse.

TREMOR

Dinário Lemos, disse que o órgão ainda não chegou a uma causa concreta também sobre o tremor de terra que aconteceu em Maceió no dia 3 de março. Apesar do fenômeno ter sido sentido em diversos bairros, o prejuízo maior foi no bairro do Pinheiro, onde moradores tiveram que desocupar as residências que foram interditadas.

“Nossos técnicos acreditam que um fenômeno está entrelaçado ao outro. Então vamos reunir os especialistas daqui [de Maceió] com a equipe que chegou para, assim, dar um norte ao nosso trabalho sobre isso”, comenta Lemos acrescentando que o foco principal do trabalho dos geotécnicos são as rachaduras em ruas e avenidas no Pinheiro. Porém, no relatório enviado para a UFRN também foi relatado o tremor de terra que assustou os moradores de diversos bairros em Maceió.

Além dos moradores que pedem uma resposta sobre o ocorrido, o Ministério Público Estadual e a Câmara de Vereadores também estão querendo respostas da Prefeitura de Maceió em relação a esses fenômenos.

CASO

As fissuras apareceram em várias ruas no bairro do Pinheiro, na parta alta de Maceió, no dia 15 de fevereiro deste ano após fortes chuvas. Umas das ruas, a Alameda Acre, chegou a ser totalmente interditada pela Defesa Civil e parte da Rua Professor Mário Marroquim, nas proximidades da Igreja Matriz do Menino Jesus de Praga, também sofreu interdição.

Já o tremor de terra em Maceió aconteceu na tarde de 3 de março deste ano. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o tremor foi sentido nos bairros do Pinheiro, Serraria, Farol, Bebedouro, Jatiúca e Cruz das Almas.

Algumas casas no bairro do Pinheiro (onde o tremor foi sentido com mais força), que já apresentavam rachaduras, tiveram que ser evacuadas, pois as fissuram pioraram após o abalo.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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