Cidades

27 de janeiro de 2018 15:44

Encontro LGBT no Estádio Rei Pelé debate homofobia e apoia candidatura de Lula

Evento debate discriminação, políticas públicas LGBT no Brasil e defesa dos direitos

↑ Ramon Motta e Júnior Florentino comentam pautas do encontro nacional no Estádio Rei Pelé (Foto: Adailson Calheiros)

O Estádio Rei Pelé, no bairro do Trapiche, em Maceió, é palco do V Encontro Nacional de Jovens Gays e Bissexuais. O evento começou na sexta-feira (26) e vai até o domingo (28). Durante o encontro, serão debatidos temas como combate à discriminação ao público LGBT (sigla para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), políticas públicas LGBT no Brasil e defesa dos direitos da população LGBT. O evento também tem um viés político, abordando temas como ‘movimento estudantil e sua luta contra os retrocessos do governo ilegítimo’, além do lançamento do ‘Comitê Nacional LGBT em Defesa da Democracia e do Direito de Lula ser Candidato’.

O evento conta com a produção da Articulação Brasileira de Jovens Gays e Bissexuais (ArtGay Jovem). De acordo com Tanino Silva, vice-coordenador da ArtGay Jovem e coordenador geral do evento, o objetivo do encontro é “organizar a juventude gay do Brasil em questões como prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e desenvolver debates para discutir sobre a retirada de direitos que está atingindo a população LGBT”, além de ter debates sobre homofobia.

“Só conseguimos combater a homofobia com a educação. Por isso é importante a inserção do movimento estudantil nas escolas, pois conseguimos, dessa forma, educar crianças e adolescentes”, afirmou Tanino Silva. Segundo o coordenador geral do evento, Alagoas é constantemente lembrado como um dos estados mais violentos do país para a população LGBT. “A cada ano, cobramos do poder público em Alagoas questões mínimas de segurança, mas nem sequer a notificação como ‘crime homofóbico’ o governo consegue reconhecer. Com o passar do tempo, só vai aumentando o número de mortes de pessoas LGBT no estado”, disse.

O diretor LGBT da União Nacional dos Estudantes (UNE), Junior Florentino, também está à frente no evento e comentou que, nos últimos três anos, apesar de haver políticas públicas voltadas à juventude, ainda não há uma política firme fazendo intersecções com questões das sexualidades.

“Hoje, os estudantes estão muito mais empoderados tanto para falar sobre sua orientação sexual como também para fazer o debate político dentro da família. O Brasil sempre foi um país conservador, mas como a luta LGBT e a luta por direitos e políticas públicas avançou, grupos conservadores acabam se organizando para até impedir tais avanços. Recentemente, tivemos a questão do nome social para a população LGBT, que grupos conservadores fizeram uma grande resistência para barrar, mas acabou que, até por pressão dos estudantes, a resolução foi autorizada”, comentou o diretor LGBT da UNE.

Candidatura de Lula

O vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Ramon Motta, enalteceu o comitê em defesa da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Em diversas mobilizações pelo país, percebemos que os trabalhadores e a juventude não estão satisfeitos com o governo atual. Primeiro porque esse governo não foi eleito, é totalmente ilegítimo. Atualmente, temos provas concretas de que a presidenta Dilma Rousseff não cometeu crimes de responsabilidade. Foi um golpe político”, afirmou.

De acordo com o vice-presidente da Ubes, a direita brasileira sabe que o Lula é a principal alternativa à classe trabalhadora, para os pobres e para a população LGBT, então os políticos de direita veem isso como uma ameaça. “Nessa quinta-feira (25), o PT lançou oficialmente a candidatura do ex-presidente Lula. Estamos aqui também para enaltecer mais ainda este debate”, afirmou Motta.

Junior Florentino afirma que os ataques feitos ao ex-presidente Lula “também são ataques contra a população LGBT, pois o projeto do Lula criou políticas públicas e mecanismos de vigilância e acolhimento que empoderaram milhares de LGBTs pelo país”.

“Aí, quando você vê a Justiça e os setores conservadores que atacam as pautas LGBTs, você percebe que eles veem no Lula um reflexo de empoderamento das minorias e das diversidades. Nós, petistas, já tínhamos a certeza dessa condenação e o próprio Lula também disse que não estava se iludindo com o julgamento [do TRF-4 na quarta-feira (24)]”, disse Florentino.

O diretor LGBT da UNE também comentou o caso da apreensão do passaporte de Lula, classificando a ação da Justiça como “vexatória”. Segundo Florentino, muitos participantes do encontro no Rei Pelé não são petistas, porém “todos entendem a importância do projeto que o Lula faz parte e defendem a democracia”.

De acordo com o vice-presidente da Ubes, lutar pela democracia é dever de todos. “Hoje é o Lula, amanhã pode ser qualquer outro candidato impedido pela Justiça. É um ataque gravíssimo à Constituição Brasileira”, afirmou.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Rívison Batista

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