Cidades

5 de dezembro de 2017 08:05

Alagoas tem 1.965 cirurgias eletivas na fila de espera

Levantamento do CFM traz balanço de 2011 a 2017 em 16 estados e 10 capitais; no Estado, Arapiraca lidera ranking de pendências

↑ Cirurgia (Foto: Agência Alagoas / Ilustração)

De acordo com um estudo feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em Alagoas há 1.965 cirurgias eletivas (não urgentes) na fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo foi realizado pela primeira vez pelo CFM e faz um balanço de 2011 a 2017. Segundo o CFM, neste ano, a fila de espera para cirurgias eletivas chegou a aproximadamente 904 mil procedimentos em todo o país.

Os números foram repassados por Secretarias de Saúde de 16 estados e 10 capitais, onde, respectivamente, constam pedidos de 801 mil e 103 mil procedimentos cirúrgicos. Cirurgias de catarata, hérnia, vesícula e varizes estão entre as mais solicitadas pela população.

O Conselho não considera o número de pacientes e sim de procedimentos estabelecidos na tabela do SUS, porque o mesmo paciente pode constar em mais de um procedimento e até mesmo em mais de uma localidade.

As mais de 801 mil cirurgias informadas pelos estados correspondem à soma das filas declaradas por Alagoas, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Pernambuco, São Paulo e Tocantins.

Além destes, foram incorporados os dados da Bahia, que enviou informações de pacientes que ingressaram na fila em 2017, e do Rio Grande do Norte, onde foi apresentada apenas a fila ortopédica. Os demais estados não responderam ao pedido do CFM.

O estudo divulgado ontem (4) mostra que, do total, pelo menos 746 procedimentos cirúrgicos estão na fila de espera há mais de dez anos e 83% dos pedidos entraram na fila a partir de 2016. O Ministério da Saúde (MS) informou que desde maio passou a adotar o sistema de fila única para organizar a demanda

No ranking aparecem Minais Gerais com maior demanda de cirurgias. Lá são 434.598 procedimento na fila de espera. Em seguida vem São Paulo, com 143.547, e de Goiás, com 55.192.

Nas últimas posições com menor número de procedimentos pendentes estão os estados da Bahia, com 1.234, seguido do Rio Grande do Norte, com 1.315, Maranhão, com 1.789, e Alagoas, com 1.965.

Ainda de acordo com o levantamento, em Alagoas, Arapiraca é a cidade com maior número de cirurgias pendentes, com 210, seguido de Palmeira dos Índios, 164, e Maceió 129.

SMS

Em relação aos números de cirurgias em espera na capital, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que os valores pagos pelo SUS estão defasados e, por isso, há dificuldade em contratualizar com os hospitais.

“Para alguns tipos de cirurgias, o município já paga um incentivo. Porém, não é possível pagar para atender a demanda na sua totalidade. A Secretaria está realizando um estudo para identificar a quantidade de pessoas que se encontra na lista de espera para que o aumento de recursos possa ser pleiteado com o MS”, informa a SMS.

Já a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), não respondeu a solicitação da reportagem até o fechamento da edição.

O Conselho Regional de Medicina (Cremal) também foi procurado e o presidente Fernando Pedrosa se posicionou sobre a demanda.

“Trata-se de uma situação gravíssima, ninguém tem prazer em se submeter a cirurgia, é uma necessidade. Este acúmulo é resultante do desmonte da saúde,
resultado dos baixos recursos investidos pelo governo federal. Os procedimentos pagos abaixo do valor do custo sempre terão muita dificuldade de serem executados, desse modo a fila só irá crescer”, ressalta Dr. Fernando Pedrosa.

BRASIL

O MS confirma que o número de cirurgias eletivas no Brasil cresceu 39,1% em oito meses este ano, passando de 109.720 em janeiro para 152.632 no mês de setembro. São procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade de todas as especialidades médicas, agendadas, sem caráter de urgência e emergência. Esses procedimentos fazem parte da rotina dos atendimentos oferecidos à população nos hospitais de todo o país, de forma integral e gratuita.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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